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Sai o rei entra a rainha. Numa espécie de jogo de xadrez iniciado no dia 20 de outubro de 2020, quando 36 dos 40 deputados aprovaram a abertura do segundo processo de impeachment contra o governador Carlos Moisés, por crime de responsabilidade, no caso da compra dos 200 respiradores artificias da China, através da Veigamed. Neste dia estava em jogo o futuro do Governador, e de todas as demais peças do tabuleiro, cada qual, na sua função.

Governador Carlos Moisés apressa a defesa na tentativa de voltar logo ao comando
Portanto, os deputados estaduais são os articuladores das principais jogadas, desde o princípio. E o que fez mudarem tanto os movimentos do jogo, para o julgamento da última sexta-feira? Eis, uma boa questão. Vamos dizer que nesse meio tempo ficaram bem amigos, numa reaproximação diplomática entre os poderes, com benefícios diretos, inclusive, nos altos escalões. O jogo ficou interessante. Afinal, Executivo e Legislativo estavam começando a falar uma mesma língua, de interesse do próprio Estado e de seu povo.
Outro fator que deu mostras de um indicativo de contornos diferenciados na relação com o Governo, se deu no adiamento da votação da admissibilidade do caso dos respiradores, previsto para o dia 14 de dezembro de 2020. Adiamento este feito pelo deputado Valdir Cobalchini (MDB), sob alegação de que se fizesse um julgamento justo, principalmente para que os integrantes do Tribunal tivessem acesso ao parecer da Polícia Federal (PF) em relação ao envolvimento ou não do governador na compra dos respiradores. Seu pedido foi aceito.
Justiça seguiu as regras do jogo
Com a nova data marcada, 26 de março de 2021, o julgamento da admissibilidade ocorreu. Aos olhos dos desembargadores e da justiça, esta fase do processo de impeachment estava posta, exatamente como fora aprovada pelos deputados no ano passado. Era, antes, o que os deputados queriam.
Portanto, pelo viés da justiça a política não entra na decisão dos fatos reais, os quais, apontam a responsabilidade direta do Governador. Aliás, bem lembrado por um dos desembargadores, ao relatar de que não poderia jamais, Carlos Moisés não saber, justamente do primeiro e maior investimento do Estado, no combate ao coronavírus, na primeira fase crítica da pandemia. E, assim se deu. Moisés agora está afastado novamente, e desta vez, pode não mais voltar. Está muito perto de um xeque-mate.
Foto: Maurício Vieira / Secom



