O PSD de Santa Catarina realizou um encontro político em Balneário Camboriú, na quinta-feira,11, justamente no dia em que o ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado pela Justiça. A coincidência da data deu ainda mais peso ao evento, marcado pela presença de lideranças nacionais do partido.
Na ocasião, o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, pré-candidato ao Governo de SC, aproveitou o momento para lançar a possibilidade de Ratinho Junior, governador do Paraná, ser o nome do PSD para disputar a Presidência da República. A fala, porém, não soou bem entre bolsonaristas presentes e também fora do evento.
Para muitos aliados de Bolsonaro, a postura do prefeito foi interpretada como um distanciamento estratégico, o que gerou desconforto e comentários nos bastidores. O episódio evidencia as tensões no campo da direita e a movimentação do PSD em busca de espaço próprio no cenário estadual e nacional.
O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria na Primeira Turma para condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro por organização criminosa no âmbito da suposta trama golpista. O placar de 3 a 1 foi selado com o voto da ministra Cármen Lúcia, que acompanhou os relatores na decisão. Ainda falta o voto de Cristiano Zanin para a conclusão do julgamento.
Voto de Cármen Lúcia seguiu os relatores da decisão e condena envolvidos na suposta trama golpista / Foto: Antonio Augusto/STF
A ação investiga uma alegada organização criminosa que teria atuado para desferir um golpe de Estado e abolir o Estado Democrático de Direito. A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta o ex-presidente como líder do esquema, que envolveria militares, políticos e empresários.
O julgamento tem gerado grande repercussão e é acompanhado de perto pela sociedade. A defesa de Bolsonaro nega todas as acusações e argumenta que não há provas suficientes para a condenação. A previsão é que o julgamento seja concluído nas próximas sessões.
O ministro Flávio Dino votou nesta segunda-feira (9) pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro no julgamento da chamada trama golpista, no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele acompanhou o entendimento do relator, ministro Alexandre de Moraes, que já havia se posicionado pela responsabilização do ex-chefe do Executivo.
Foto: Sophia Santos/STF
Com o voto de Dino, já são dois os ministros a favor da condenação. O julgamento analisa a atuação de Bolsonaro em discursos e ações considerados ataques à democracia e às instituições, sobretudo no período que antecedeu e sucedeu as eleições de 2022.
O processo segue em andamento no plenário virtual do STF, com expectativa de novos votos nos próximos dias.
Eleitores de 51 cidades, mais as 15 capitais que tiveram segundo turno para a escolha dos prefeitos, a constatação de que, dentre os 5.569 municípios, o PSD e o MDB foram as legendas que mais elegeram prefeitos no Brasil, incluindo as capitais: cinco para cada.
Eleição de Ricardo Nunes em São Paulo abre campo para a direita nacionalmente / Foto: Paulo Guereta / SECOM
Nas capitais, cinco delas marcaram viradas eleitorais, ou seja, candidatos que terminaram o 1º turno na liderança em pesquisas, não conseguiram o mesmo no 2º turno.
A disputa mais acirrada entre as capitais ocorreu em Fortaleza, com o PT e PL frente a frente. O candidato petista foi eleito com uma margem de apenas 0,7%; numa diferença de 10,08 mil pessoas.
Já em São Paulo, a Capital que mais mereceu atenção, Ricardo Nunes, apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e por Tarcísio de Freitas, venceu em todas as zonas, e se reelegeu com 59,35% dos votos.
O lado negativo foram os milhões de eleitores que deixaram de votar. A abstenção chegou a 29%, a segunda maior da história, perdendo apenas para o pleito que ocorreu em plena pandemia.
Tendência da direita cresce
É sabido que historicamente as eleições municipais acabam sendo uma prévia das eleições presidenciais, e que vão ocorrer em 2026. Portanto, considerando a principal cidade brasileira, a esquerda terá dificuldade para definir o sucessor de Lula, devido a segunda derrota de Boulos entre os paulistanos, enquanto que, do outro lado, Bolsonaro e Tarcísio tiveram êxito.
Resumindo. Desde 2016, as eleições municipais mostram uma tendência de inclinação do eleitorado à direita. No entanto, não impediu Lula de voltar à Presidência em 2022. A esquerda carece de novas lideranças, enquanto que a direita, há nomes sobrando, isso sem contar com a possibilidade de Bolsonaro reverter a situação da inelegibilidade. (Com informações The News).
Indiscutivelmente, Santa Catarina é um dos principais redutos para a estada do ex-presidente Jair Bolsonaro, no País. A presença dele e da esposa Michele, no feriadão de Páscoa agitou Balneário Camboriú.
O homem, sempre ovacionado por multidões por onde andou, aproveitou o ambiente para também fazer política, com direito a discurso em plena Avenida Atlântica, e promessa de que não vai desistir do Brasil. A cada aparição, fãs e apoiadores o seguiam de perto, e lhe chamando de “mito”.
Foto: Vítor Souza – Jornal O Município
Na cidade, esteve com o prefeito Fabrício Oliveira (PL), e também se encontrou com o governador Jorginho Mello e com o senador Jorge Seif, foi à praia, andou de jet ski. Enfim, viveu dias de plena atividade. Indiretamente, também deixou bem encaminhada a campanha a vereador do filho Renan.
Deputado Zé Trovão / Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
O deputado federal Zé Trovão tenta explicar o que foi dito por ele mesmo em áudio vazado pelo Portal Metrópoles. O fato foi um dos mais comentados no meio político nesta terça-feira (30). Na gravação, o parlamentar do Partido Liberal criticou abertamente o ex-presidente Jair Bolsonaro, chamando, inclusive, de “mau exemplo para a política”, entre outras citações polêmicas.
Por mais que seja um conteúdo que teria sido gravado ainda no ano passado, as falas dele deixaram claro o que realmente pensa do líder e ex-presidente liberal. Zé Trovão ainda menciona, no mesmo diálogo gravado, que não gosta do deputado estadual Maurício Peixer, que é também presidente do diretório do PL em Joinville.
No entanto, o peso maior das palavras foram mesmo dirigidas a Bolsonaro. Em algum momento afirmou que ele é o maior mau exemplo pra política, e que entregou a Presidência da República pro Lula, porque quis desse jeito.
O fato caiu com um verdadeiro trovão nos bastidores do Partido Liberal. Agora, o deputado tenta se explicar, sem convencer. Ao comentar sobre o áudio, Bolsonaro disse que jamais esperaria uma postura como essa do aliado.
O grande objetivo está na conquista das dez maiores cidades de Santa Catarina, e que, obviamente, terão mais peso no campo decisório futuramente. O Partido Liberal, por exemplo, do governador Jorginho Mello, tenta encaixar as peças com nomes potencialmente fortes e que tenham ligações com Partido dele e de Bolsonaro. Aliás, na visita do ex-presidente em Santa Catarina, recentemente, o assunto foi tratado a portas fechadas entre os dois líderes.
Bolsonaro e Jorginho querem emplacar nas principais prefeituras / Foto: reprodução
O estudo sobre os candidatos em potencial, poderá apresentar surpresas, com gente de pouca identificação nos municípios. Uma das possibilidades ventiladas, por exemplo, está na deputada federal e ex-vice governadora, Daniela Reinehr (PL), numa eventual candidatura em Blumenau. Ela é oestina, mas tem identidade germânica. Difícil é saber se emplaca.
Já no Oeste, em Chapecó, para tentar substituir João Rodrigues (PSD), poderá surgir o nome da deputada federal Caroline De Toni, também do PL. Enfim, as estratégias ainda estão indefinidas, e as composições oficiais só irão aparecer bem mais adiante.
Em Lages, ainda não há nenhuma indicação. Não há ninguém do Partido Liberal com força suficiente para garantir uma eleição. A deputada federal Carmen Zanotto (Cidadania), hoje Secretária de Estado da Saúde, poderá ser a indicada por Jorginho. Aliás, o nome dela está tido como certo desde já.
A política nacional se concentra nas eleições municipais de 2023. Tudo o que está sendo feito converge em direção ao pleito. O resultado delas será o retrato de um cenário que apresentará o contraditório ou não ao atual governo federal. A oposição conservadora não dará trégua.
A começar pela proposta do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que deverá, ao lado da esposa Michelle, percorrer o país dando musculatura aos futuros candidatos a prefeito. Logicamente, os demais partidos também estão estabelecendo suas metas e querem buscar espaço no mesmo protagonismo dos liberais.
Nos próximos meses veremos uma verdadeira guerra visando as sucessões municipais. Com certeza, uma disputa interessante. Não terá como dissociar o novo pleito do resultado das eleições presidenciais.
O pragmatismo da esquerda terá que provar, novamente nas urnas, o percentual atingido por Lula. Teoricamente, se coloca como favorito para abraçar grande fatia do eleitorado e prover a eleição de candidatos ligados à proposta de governo, hoje, no país, liderada pela esquerda.