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A assinatura da ordem de serviço do primeiro Parque para Cães de Lages ganhou um símbolo à altura da causa animal. Amanda, hoje rebatizada de Clara, deixou de ser apenas uma das abrigadas da Coordenadoria de Bem-Estar Animal para se tornar parte de uma nova família, e não foi sozinha: sua irmã Caramela, agora Mel, também encontrou um lar.

O gesto ocorreu dias depois do evento no gabinete da prefeita Carmen Zanotto, que fez questão de convidar pets para marcar a assinatura do petplace, o primeiro parque pet do município. A adoção de Clara, que havia participado do ato oficial, com a presença do deputado Marcius Machado, virou exemplo concreto de que políticas públicas só fazem sentido quando chegam, de fato, aos animais.
Na nova casa, com espaço amplo, casinhas, ração e, sobretudo, carinho, Clara trocou a quietude pela alegria. O empresário Rogério Kaiser e o filho Enzo, de sete anos, foram à Cobea decididos a adotar um cão, e saíram com duas. A afinidade foi imediata: no dia do aniversário do menino, a cachorrinha pulou em seu colo e “escolheu” a família. Sensibilizados ao descobrir que havia uma irmã, decidiram mantê-las juntas.

O caso evidencia dois pontos. Primeiro, a importância da adoção responsável como caminho real para reduzir o número de animais abrigados. Segundo, que o poder público tem avançado. A Cobea, que substituiu o antigo Centro de Controle de Zoonoses, ganhou autonomia, reforço de equipe e melhorias estruturais. Os números confirmam: as castrações saltaram de 1.781 em 2024 para 4.069 em 2025. Só nos dois primeiros meses de 2026, já foram 926 procedimentos.
Ainda assim, o desafio é grande. São 123 animais atualmente acolhidos, acima da capacidade ideal. Em 2025, 183 adoções foram realizadas; neste ano, o ritmo segue positivo, mas insuficiente para zerar a fila invisível do abandono.
O futuro Parque Pet surge, portanto, não apenas como espaço de lazer, mas como símbolo de uma nova mentalidade: cidade que cuida de seus animais também educa sua população. E histórias como a de Clara e Mel mostram que, quando política pública e solidariedade caminham juntas, quem ganha é toda a comunidade.
Fotos: Fábio Pavan




