A filiação da prefeita de Lages Carmen Zanotto ao Republicanos, marcada para a próxima segunda-feira (2), vai muito além de um ato protocolar de troca de partido. Trata-se de um movimento político carregado de simbolismo e estratégia, tanto para o futuro da gestora lageana quanto para o tabuleiro eleitoral catarinense de 2026.
Carmen chega ao Republicanos em um momento em que a sigla vive clara expansão em Santa Catarina, surfando na onda de fortalecimento do governador Jorginho Mello (PL) e se posicionando como aliada central do projeto de reeleição.
Ao aderir a esse campo político, a prefeita sinaliza pragmatismo: escolhe um partido que cresce, tem acesso direto ao Palácio Barriga Verde e dispõe de musculatura nacional, algo cada vez mais relevante para quem governa uma cidade do porte de Lages e precisa destravar recursos, parcerias e visibilidade.
O peso do ato. com a presença de Jorge Goetten e do presidente nacional Marcos Pereira, revela que Carmen não está apenas “entrando” no Republicanos; está sendo incorporada como ativo político estratégico.
Para o partido, é um ganho duplo: agrega uma prefeita de uma das maiores cidades do interior e incorpora uma liderança com histórico parlamentar consistente e imagem de gestora técnica, sem grandes arestas ideológicas. Em um cenário de polarização, isso conta pontos.
Do ponto de vista de Carmen, a filiação também a reposiciona no jogo estadual. Ela deixa de ser apenas uma prefeita bem avaliada no Planalto Serrano para se tornar uma peça relevante em uma engrenagem maior, alinhada a um projeto de poder que já pensa 2026. É uma aposta em protagonismo, ainda que com o custo de se vincular mais diretamente a um grupo político específico, o que sempre gera bônus e ônus.
Já para o Republicanos, a narrativa é clara: o partido deixa de ser coadjuvante em muitos municípios e passa a ocupar espaço real de poder administrativo, não só legislativo. Ao atrair gestores bem avaliados, a sigla constrói uma vitrine de “governabilidade” que pode ser decisiva na disputa por novas filiações e alianças.
Em resumo, o ato de segunda-feira não é apenas uma cerimônia partidária. É um recado político: Carmen Zanotto escolheu lado, o Republicanos escolheu vitrine, e Jorginho Mello ganha mais um elo importante na cadeia de sustentação de sua reeleição. Em Santa Catarina, quem ainda achava que o Republicanos era apenas um partido satélite precisa atualizar o radar.