Julgamento nos fez lembrar do crime de responsabilidade

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Um dia antes do início do julgamento da admissibilidade ou não da culpa do governador Carlos Moisés no caso da compra malfadada dos 200 respiradores e gastos antecipadamente R$ 33 milhões, poucos acreditavam de que houvesse aprovação de novo afastamento. Eu, inclusive.

Governador Carlos Moisés terá de se defender do crime de responsabilidade

O susto do primeiro processo de impeachment, do aumento aos procuradores do Estado, mexeu com a estruturas, e, em especial, no comportamento do Governador, que tratou de rever o primeiro ponto negativo, ou seja, o do não atrelamento com os deputados estaduais. Seguiu distante da relação com os municípios, com diminutas viagens, quando mais se precisava da presença dele. Isso, poucos perceberam, mas, de pouca relevância no processo.

Voltando ao relacionamento político. Assim que retomou o Governo, passado o período de afastamento, e após inocentado do caso dos salários dos procuradores, reformou inúmeros cargos em Secretarias, abrindo portas para lideranças de partidos diferentes, como do MDB e o PSD.

Tudo vinha sendo trabalhado exatamente para quando chegasse a hora do segundo encontro do Tribunal de Julgamento, o dos respiradores, não tivesse Carlos Moisés (PSL), passar pela agonia do primeiro processo. Notícias corriam soltas de que a Polícia Federal não havia encontrado indícios da participação dele desta vez, respaldadas pelo Ministério Público. Eram palavras, e não provas.

Portanto, o Tribunal de Julgamento nos fez ver, novamente, que o crime de responsabilidade nunca deixou de existir. Tanto, que até agora não foi solucionado na totalidade, e que há implicação de responsabilidade, e, no caso, do próprio governador. Um caso à margem, mesmo em tempos sofríveis da pandemia.

Em pronunciamento teve procurador lembrando exatamente isso, e questionando, como um gestor, lá no início da pandemia, quando se evidenciaram as primeiras medidas radicais contra o novo coronavírus, a efetivação da compra mais importante a ser feita, a de respiradores, com altos custos, ele não saberia? Essa constatação foi decisiva para o desfecho do novo afastamento, e desta vez, com maiores riscos de não mais poder voltar.

Caberá à vice, Daniela Reinehr (sem partido) seguir na condução do Governo, e principalmente as ações de combate à covid-19, com ou sem mexidas nos altos escalões.

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