Em outubro passado, quanto o presidente da Assembleia Legislativa, Moacir Sopelsa esteve em Lages, durante exposição de ovinocultura, em entrevista, disse-me que o MDB catarinense teria que passar por uma profunda transformação e ser reconstruído.
Imagino que o começo de um novo momento do Partido, passe também pela jovialidade pela presidência do deputado federal Carlos Chiodini, no Estado. Ele ocupa o cargo deixado por Celso Maldaner.
Na composição da executiva ainda estão o deputado estadual Jerry Comper, no cargo de tesoureiro, e do deputado estadual e eleito federal, Valdir Cobalchini, como secretário. Outros nomes ainda agregam a composição da diretoria. A mudança interna se faz necessária.
O MDB há muito tem deixado o protagonismo no Estado, e ninguém internamente esconde que precisa ser feito um trabalho de dentro para fora, e restabelecer uma nova condição que possa devolver à sigla a antiga essência participativa e decisória, especialmente nos pleitos eleitorais.
Para tanto, a pretensão também passa pela posição das lideranças emedebistas junto ao governo de Jorginho Mello (PL).
O governador licenciado e candidato à reeleição, Carlos Moisés (Republicanos), concedeu uma entrevista a uma emissora de rádio, no final da tarde desta quinta-feira (29). Creio que foi o melhor momento da passagem dele por Lages, pois, teve a chance de ampliar o discurso. Depois, se dirigiu à Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), onde, no auditório, simpatizantes estavam no aguardo. Chegou acompanhado do candidato ao Senado, Celso Maldaner (MDB).
Neste horário e espaço ele participou do mesmo ritual dispensado aos demais candidatos, oferecido pelas classes empresariais ligadas ao Fórum de Entidades, a ACIL e a CDL, com a entrega da carta “Voz Única”, com as demandas regionais.
Pois então!
No ar, entre os que acompanham à distância a jornada de Moisés à reeleição, o sentimento de que na Serra ele não exerceu um protagonismo que realmente chamasse atenção da comunidade local. Havia sempre a impressão de que a sombra do ex-governador, Raimundo Colombo, lageano, estava entre suas decisões e atos.
Talvez, por esta razão, a vinda dele à Lages nesta reta final, tenha sido programada. Por outro lado, Moisés não mediu nas ruas da cidade o grau de aceitação. Minha análise é de que paira sobre ele o risco de não conseguir chegar ao segundo turno.
A adesão do vereador Luiz Fernando Almeida, do MDB de Jaraguá do Sul, ao projeto de eleição de Raimundo Colombo (PSD) ao Senado e de Gean Loureiro (UB), ao Governo, é mais uma demonstração da dissidência de lideranças que estão descontentes com o encaminhamento dado pela Executiva do partido, na aliança com Carlos Moisés.
O vereador reuniu mais de 400 pessoas num encontro realizado no domingo, 25, no Clube Beira Rio. No encontro teve ainda a participação do deputado federal emedebista Carlos Chiodini, candidato à reeleição, e de Ivandro de Souza, candidato a suplente de Colombo. O fato ganhou enorme repercussão nos bastidores do partido e no meio político neste começo de semana.
Por outro lado
Em uma pesquisa divulgada ontem, segunda-feira (26) destaca a liderança na corrida ao Senado na cidade de Criciúma, com 27,8% dos votos.
Na segunda colocação aparece o candidato Dário Berger, com 19,2%. Na sequência mais próxima Jorge Seif (17,8%), Kennedy Nunes (13,2%) e Celso Maldaner (5,7%).
A pesquisa do Instituto de Pesquisas Catarinense (IPC) ouviu 600 pessoas entre os dias 22 e 24 de setembro, contratado pela rádio Som Maior e pelo portal 4oito. A pesquisa está registrada no TRE (SC-05437/2022) e no TSE (BR-02524/2022).
Propaganda eleitoral ajuda, mas não é tudo para os candidatos. Foi-se o tempo em que os candidatos apostavam tudo nas propagandas eleitorais gratuitas veiculadas no rádio e na televisão. Obviamente ajudam. Considero oportunas, inclusive. Há quem prefira ver e avaliar as propostas e depois decidir o rumo da escolha. Isso vale especialmente para os candidatos ao Governo e ao Senado. Na faixa do parlamento, o eleitor costuma ter uma definição antecipada, pois, os candidatos circulam mais e até andam próximos, aparentemente. Na televisão, no trato visual e contextualizado, o eleitor se situa melhor. Essa observação se reserva mais diretamente a quem ainda não se definiu. Concluo, esta curta narrativa, reafirmando a importância dos programas no julgamento dos mais indecisos.
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Programas mesclados, diferentes
Ao conferir o primeiro programa dos catarinenses, ontem, confesso que gostei do formato. Deixou de ser editado em quadros completos de cada coligação. Os quadros iam e voltavam, com alternância das coligações, o que deixou mais leve todo o tempo disponibilizado às produções. Por sua vez, os marqueteiros também capricharam. Todos os candidatos com bom visual, e alguns, com mais tempo, aproveitaram para deixar no ar um tom reflexivo, visto, por exemplo, no programa de Décio Lima (PT).
Ao Senado
Tive o cuidado de observar o que apresentaram os principais candidatos ao Senado.
Dário Berger (PSB) – Dário Berger, está no final de oito anos no cargo de senador. Para tentar a permanência e ser reeleito, relembrou o passado como ex-prefeito de São José e Florianópolis, e a soma de realizações na época. Fechou com uma imagem ao lado do candidato a presidente, Lula;
Celso Maldaner (MDB) – Associou a imagem do falecido irmão, Casildo, nas lutas políticas que ele teve ao lado de líderes como Ulisses Guimarães. Comovente até a mensagem de Casildo, em vídeo, deixada a Celso, pedindo a ele a continuidade da luta política;
Jorge Seif (PL) – Aproveitou o tempo sendo apresentado pelo próprio presidente e candidato à reeleição. Foi a mensagem que deixou. Provou que é o nome preferencial de Jair Bolsonaro, em Santa Catarina;
Raimundo Colombo (PSD) – Foi quem teve a maior produção, com uma narrativa e imagens do que acontece no Senado. Um ambiente que ele conhece, pois, já esteve lá uma vez. Quer voltar carregando a vontade de defender os interesses dos catarinenses, ancorado pela história política e a experiência, também de governabilidade;
Kennedy Nunes (PTB) – Começou, como bem disse, no papo reto. Quer proximidade com o eleitor. Pediu para que enviem perguntas, para que ele possa ir se apresentando. Aposta na coragem prometendo, caso eleito, restabelecer a ordem. Quem acompanha o que acontece no Brasil deve ter entendido o recado do candidato;
Hilda Deola (PDT) – Apresentou-se bem. Ressaltou ser ela a única mulher a disputar a vaga ao Senado. Não teve tempo para dizer mais nada.
Candidatos a deputado estadual
A apresentação dos candidatos a deputado ou deputada estadual é a mais simplória. Com pouquíssimo tempo, mal conseguem se apresentar, e falar rapidamente a proposição como candidato. Alguns, com boa expressão, outros nem tanto. Há também gente experiente na política, como é caso de alguns que foram prefeitos. No final, o pedido de voto ao candidato a Governador. Faz parte da regra.
Candidatos ao Governo
Jorginho Mello (PL) foi o primeiro deles. De cara chamou a responsabilidade para o campo da saúde, prometendo zerar a fila de espera de exames e cirurgias eletivas. Também tirou proveito de uma fala de Bolsonaro ao lado dele, declarando apoio.
Gean Loureiro (UB), preferiu estimular a força da família, e dar ênfase à formação. Justificou a razão de ter a voz rouca. Foi devido a um acidente que quase lhe tirou a voz. Lembrou de outro, que quase lhe tirou a vida. Politicamente lembrou a trajetória de vereador, deputado estadual e federal, e por duas vezes prefeito de Florianópolis.
Jorge Boeira (PDT) – Filosofou na primeira aparição retratando o estado como sendo a “Mãe Catarina”. Lembrou a capacidade que possui em gestão pública. Teve pouco tempo. E, menos tempo ainda teve Odair Tramontin (Novo), que apenas afirmou que não vai utilizar recursos do Fundão para custear a campanha.
Carlos Moisés (Republicanos) com um tempo maior, conseguiu se apresentar, falar de propósitos, coragem e honestidade. Quer continuar sendo governador para seguir no jeito de bem governar. Citou ações como a vernda de aviões para pagar dívidas do Estado; investimentos em saúde, salário de professores. Toda narrativa teve cenas dele no convívio familiar.
O candidato do PT, Décio Lima, abriu o programa com a aparição do candidato a presidente, Lula, intercedendo por ele, sugerindo que se eleito vai construir Santa Catarina com alegria. Por sua vez, o petista ressaltou que com a ajuda do seu presidente vai oportunizar mais igualdade. Foi, se não me engano, o único que abriu espaço para a vice, Bia Vargas poder suscitar algumas palavras.
Esperidião Amin (PP) dispensou as grandes produções. Disse que fará seus programas olho no olho. Quer mostrar que sabe fazer com simplicidade. Mostrou uma de suas obras no passado de governo, a Serra Dona Francisca. Disse que está abandonada, e quer devolver aos catarinenses como ela era quando feita. Falou em apontar os problemas e encontrar as soluções.
O último na série inicial a falar foi Ralf Zimmer (Pros). Teve tempo suficiente apenas para dizer que pretende construir ferrovias de Leste a Oeste no Estado.
Resumindo
Preferi contextualizar basicamente sobre, especialmente os candidatos ao Senado e ao Governo do Estado, para dar a entender a você eleitor, a importância de estar atento às propostas de cada um dos candidatos. Assim, a clareza diante das exposições poderá servir de endereçamento ao nome que realmente poderá ser o melhor representante. Não vou aqui, fazer nenhuma analogia sobre quem se saiu melhor ou pior. Esta primeira aparição dos candidatos foi apenas um cartão de visita. O caldo grosso dos programas eleitorais ainda está por vir.
O Partido Social Cristão (PSC) decidiu inscrever Christiane Stuart para a disputa da única vaga ao Senado. Ela é vereadora em Itajaí, e vem de um partido aliado ao Republicanos, de Carlos Moisés. A coligação conta com Celso Maldaner (MDB), em busca da vaga de senador.
No entanto, embora esteja criado um certo desconforto interno diante da possibilidade da divisão de votos, é permitido ter dois nomes na mesma condição. O registro já foi encaminhado ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Assim, Santa Catarina terá 11 candidatos ao Senado.
O MDB também tem muito a resolver internamente. Há divisões que precisam ser ajustadas. Nem todos, dentro da sigla estão de acordo no acompanhamento a Carlos Moisés. Seja como for, a partir do que foi decidido na convenção, a sigla agora se debruça para dar a melhor forma aos encaminhamentos eleitorais, tratando, por exemplo, das vagas de suplência ao Senado, e qual será a participação no Governo, caso a chapa tenha sucesso nas eleições.
O presidente Edinho Bez foi quem conduziu a reunião, na sede do diretório estadual, em Florianópolis, nesta última segunda-feira (8). Foto: MDB SC
Entre as definições, a autonomia dada ao indicado ao senado, o deputado federal Celso Maldaner, no caso da definição dos suplentes, o que deve ser decidido em conjunto com o governador Carlos Moisés (Republicanos). Em suma, o alinhamento da participação do MDB no pleito, deverá ser a tônica dos debates, de forma antecipada. O Partido não quer deixar nenhuma aresta para o depois. Quer, acima de tudo, uma participação ampliada de suas lideranças.
Os rumos do maior partido de Santa Catarina para o pleito de 2022 estão em compasso de definição. Fritado, o ex-prefeito de Jaraguá do Sul, Antídio Lunelli, acabou desistindo da candidatura. Estava tentando escalar uma montanha sem cordas. Mais ou menos isso.
Diante das novas conjecturas dentro do MBD, a sinalização evidente é de que estará junto na tentativa de reeleição de Carlos Moisés (Republicanos), com a indicação do vice. Lunelli, talvez seja encaixado numa saída mais honrosa, com a possível indicação ao Senado.
O que se sabe, é que o presidente Ceslo Maldaner e o deputado federal Carlos Chiodini, aliado de Lunelli, já se reuniram com o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, para ajustar detalhes para o fechamento da aliança.
Maldaner já convocou o diretório estadual para reunião no dia 13, para discutir e decidir quais os rumos que o partido deve seguir, porém, nesta altura, a aliança com Moisés parece estar já selada.
Mesmo sem a participação de todos os integrantes da Executiva do MDB, se deu, na manhã desta terça-feira (31), em Florianópolis, a reunião de parte dos integrantes, visando deliberar a decisão de apoiar a reeleição do governador Carlos Moisés (Republicanos).
A deputada Ada de Luca, 3ª vice-presidente do MDB, presidiu a reunião da executiva que convocou o diretório estadual. Rodolfo Espínola/Agência AL
Presidida pela deputada federal Ada de Luca, que é a 3ª vice-presidente da Executiva, a reunião deliberou apenas que irá tomara a decisão definitiva na convenção marcada para o dia 5 de agosto. Será o momento em que decidirão ou não pela coligação, e se for o caso, definir se vai de vice ou não, e ainda confirmar um nome ao Senado na chapa majoritária.
Conforme previsto, não estiveram presentes Antidio Lunelli, o presidente Celso Maldaner, os ex-deputados Edinho Bez (1º vice-presidente) e Ronaldo Benedet (vogal).
O MDB vive o drama do racha interno, sem que haja consenso antecipado, na intenção de se juntar a Carlos Moisés, que por zua vez já andou sondando o nome do ex-prefeito de Joinville, Udo Döhler.
Há nesse entremeio de indefinições, o nome do deputado estadual Moacir Sopelsa para vice, caso oficialize a união do MDB com o Republicanos, além da vaga para Senador. Seja como for, tudo permanece sem avanço, nem mesmo a candidatura oficial de Antídio prevista inicialmente para o dia 11 de junho (Fonte: Roberto Azevedo)