A empresa Esa Engenharia Sanitária Ambiental, que administra o aterro sanitário, teve a concessão suspensa pela Prefeitura de Lages.
A interdição do local de operação, no distrito de Índios, ocorreu na manhã desta segunda-feira (26) pela Defesa Civil e Secretaria do Meio Ambiente e Serviços Públicos.
A medida foi tomada após a constatação de que a empresa não estaria fazendo o tratamento químico dos resíduos de forma correta.
Próximo ao aterro foi flagrado um depósito clandestino de chorume, líquido proveniente da decomposição do lixo, altamente poluente, que era jogado diretamente no solo.
A suspeita é de que a empresa estaria cometendo o delito para diminuir os custos com o tratamento físico e químico do chorume, antes do líquido ser descartado no meio ambiente.
Impacto é grave
Os impactos ambientais podem ser muito grandes; este material orgânico sem tratamento pode poluir o lençol freático e causar uma série de danos, pois muitos metais pesados são descartados no lixo.
Diante da gravidade, o prefeito Elizeu Mattos solicitou providências imediatas junto à Procuradoria-Geral do Município e determinou, caso haja comprovação nas denúncias, o afastamento imediato da empresa.
Suspensão
De acordo com o procurador-geral Fabrício Reichert, os serviços prestados pela Esa Engenharia serão suspensos por até 120 dias, prazo para que a auditoria apure as denúncias e a empresa possa fazer sua defesa.
A Esa Engenharia Sanitária atua em vários Estado, inclusive São Paulo e Sergipe. Na cidade de Lages obteve a concessão para administrar o aterro em 2006.
A multa pelo crime constatado nesta segunda-feira pode chegar a R$ 500 mil.
Outras irregularidades
Mas, além do depósito clandestino de chorume, outras irregularidades foram constatadas no aterro sanitário, de acordo com a bióloga Michelle Pelozato.
Entre as mais graves, a falta de compactação do aterro onde é depositado o lixo.
Durante a vistoria também foi verificado que o dreno de gás metano está obstruído, podendo ocasionar uma explosão, assim como também estão danificados os drenos do próprio chorume, o qual estava vazando para fora da manta protetora.
Recuperação
O coordenador da Defesa Civil, Adilson Panek, afirma que será necessária uma operação de recuperação da área poluída, com uma raspagem do solo para retirar todo o resíduo do chorume.
(Fotos: Sandro Scheuermann)