Mais do que uma palestra, uma aula histórica

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Ouvir o ex-senador Dirceu Carneiro não é simplesmente uma palestra. É ter o privilégio de uma verdadeira aula da história política deste país, desde os tempos da ditadura.

O arquiteto constituinte fez um verdadeiro resgate de tempos em que apenas estava iniciando sua trajetória política, dentro dos princípios de que o político realmente se preocupava com o povo e suas necessidades.

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Para ele, o político, acima de tudo, deve compreender a relação entre o Poder Público e a sociedade em que vive. “O essencial para ser um bom político é o comportamento, sem vantagens”, disse.

Falou bastante, porém, a cada palavra a consistência histórica da verdadeira arte da política, demonstrando a participação efetiva em decisões a partir de Lages, e que hoje constituem a vida da Nação, como por exemplo, a criação do Sistema Único de Saúde, o SUS.

Não foi a toa que se tornou o senador da época, mais bem votado de Santa Catarina.

Sobre o momento atual, afirmou que o sistema precisa ser mais rigoroso, independente se precisar afastar um presidente, um governador ou um prefeito.

Lamenta muito o fato de que nem poderia imaginar que os companheiros dos tempos da ditadura, que antes usavam armas e assaltavam bancos em nome da liberdade, mas que hoje, no poder, assaltam as coisas públicas.

Nesse caso, para ele, a imprensa ocupa espaço privilegiado, pois, tem a ferramenta mais importante para o processo democrático.

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Resumiu a razão que o levou a deixar a vida política, após 22 anos de cansativo trabalho. E se hoje estivesse lá, no Congresso, poderia ser um deles. Sente-se bem afastado de tudo.

Quase no final, ao responder uma questão, citou que o ex-presidente Lula tinha, logo no início do Governo, um orçamento superior a R$ 100 bilhões e não soube aproveitar em prol da sociedade. 

Sobre o atual Governo reiterou que não há mais nada a fazer. Não tem apoio de ninguém. Está isolado. A mudança pode não ser tudo o que se espera, mas significa a chance de um discurso de aproximação com o Congresso e com os grupos econômicos, e quem sabe voltar a atrair investidores. Pelo menos, enquanto estiver em “lua de mel”. Depois, sabe-se lá o que poderá acontecer.

O ex-senador Dirceu Carneiro atendeu ao convite da Assisc. A palestra ocorreu no Salão do Map Hotel, na noite desta segunda-feira (09), com a presença de um grande público.

Um comentário em “Mais do que uma palestra, uma aula histórica

  1. Acompanhei nos anos 70, era guri, a administração Dirceu Carneiro, com o símbolo ” A Força do Povo”, em contraposição aos militares e a Ditadura que estava sólida na época. Administrava-se com os recursos que se tinha , mas o povo era o principal protagonista das ações sociais, eram modelos advindos de autores socialistas ou comunistas com marcações bem fortes de ideologias libertárias e o estímulo para que o povo identificasse suas potencialidades e não ficar dependendo das oligarquias do litoral. Fiquei mei assustado com esta posição de Dirceu, centro-direita e com fortes críticas ao PT, que surge após os anos 80, no rastro da redemocratização do país e forte discurso trabalhista, com nuances marxistas, advindas do processo de industrialização brasileira com a s grandes montadoras empregadoras de mão de obra nacional com um barateamento de produtos para a exportação. Na época de Dirceu haviam as madeireiras, éramos o 3 arrecadador de tributos e ICMS e o trabalhismo nem era comentado e estimulado. E o PMDB de hoje é um mero pastiche, comparado aos anos 70. Com Dirceu, quem sabe, houve as primeiras formas fundamentais de uma participação popular pelo autonomismo, faça-mos nós mesmos sem pedir esmolas ao Estado, hoje possuímos problemas estruturais, sociais, econômicos e não temos as receitas alcançadas pelo ciclo da madeira da época, tateamos o final dos 70, os 80, não sabíamos o que fazer nos 90, começamos a nos erguer no novo século, tentando deixar para trás, o atraso e a busca de novas alternativas econômicas. Dirceu se esquece, ou a idade avança, que as dificuldades de hoje, são mínimas perto de um FHC, ou Sarney, Collor, e as ingerências governamentais vem desde a sua época e que o PT socialista foi o governo aonde houveram as maiores conquistas eram áreas sociais e o seu PMDB se destaca no perfil de partido mais corrupto da história. Quero crer que daqui há 50 anos, a história somente se lembrará de Getúlio e Lula, o outros desaparecerão nas brumas da humanidade. Gostaria de ao menos chegar aos pés de Lula, com 54 títulos de Doutor Honoris Causa, já está imortalizado na história, enquanto FHC que quase vendeu o país, possui 16. Acho que Dirceu deu um pontapé nos primórdios do trabalhismo brasileiro, mas Lula foi o grande baluarte, fazendo este trabalhador participar das decisões do país e mostrar que com união se faz a força, Dirceu renega esta continuidade histórica, e se fomos observar, a maior parte do pessoal que lutou na Ditadura, ainda hoje mantém a ética e a honestidade, ao contrário dos que se aproveitaram da Ditadura, a história se encarregará de julgá-los. Dirceu teve a origem nas fazendas, Lula, um torneiro mecânico que foi presidente 2 vezes e faz a coisa mais difícil, reúne a classe média e a elite ao seu redor, porque pobre assusta tanto e Moro incansavelmente tenta sem sucesso criar um crime jurídico para enquadrar nosso grande líder. Enfim, Dirceu e Lula pertencem a duas épocas que se degladiam com o capitalismo.

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