Convocações da CPMI do INSS deixam o governo acuado

A instalação da CPMI do INSS já mostrou que o governo não terá vida fácil. Logo de saída, a comissão pautou uma série de convocações incômodas: ex-ministros como Carlos Lupi e Carlos Gabas, além de dez ex-presidentes do Instituto.

Presidida por Carlos Viana, a CPMI deve receber nesta terça o plano de trabalho do relator, Alfredo Gaspar / Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

Uma devassa que promete expor anos de falhas na gestão previdenciária, de diferentes governos. Resumidamente, um recado direto ao Planalto: a CPMI do INSS não será apenas técnica, mas um campo de batalha política capaz de atingir o coração do governo.

Mas o maior foco político está em outro nome: Frei Chico, irmão do presidente Lula e vice do sindicato envolvido no escândalo dos descontos irregulares em benefícios. Já são pelo menos sete pedidos de convocação, todos articulados pela oposição. A base governista, aflita, tenta blindá-lo. Não apenas pelo parentesco com Lula, mas porque seu depoimento teria peso simbólico capaz de colocar o Planalto diretamente no centro da crise.

Oposição fortalecida

A CPMI, portanto, começa com um roteiro claro: desgastar o governo. E a oposição largou na frente ao garantir a presidência com Carlos Viana (Podemos-MG) e a relatoria com Alfredo Gaspar (União-AL). O Planalto perdeu a queda de braço na formação da comissão e agora tenta conter danos.

O desafio é que o caso ultrapassa as fronteiras de gestão e alcança o campo político. O escândalo envolve bilhões em descontos não autorizados e uma rede de sindicatos, convênios e contratos nebulosos. A cada novo nome convocado, cresce o risco de que a narrativa se consolide: a de que o INSS foi loteado e mal administrado por anos.

Governo emparedado

O governo, que apostava numa comissão técnica e controlada, vê-se diante de uma arena política. E com a convocação de Frei Chico no horizonte, o desconforto sobe à temperatura máxima. Afinal, se ele for ouvido, a CPMI deixará de ser apenas sobre o INSS e passará a ter um protagonista involuntário: o próprio presidente da República.

Viagem à Washington: improviso e omissão do Planalto

A ida dos senadores brasileiros a Washington para tentar reverter as tarifas de 50% impostas pelos EUA ao aço, alumínio e outros produtos nacionais soa mais como espetáculo político do que como uma estratégia diplomática séria. A imprensa nacional e internacional tem criticado: a comitiva chegou tarde, mal articulada e com pouco peso político para mudar qualquer decisão da Casa Branca.

Comitiva de senadores deu início a série de encontros em Washington para tratar do tarifaço de Trump / Foto: Samyra Galvão/Gab. Senador Nelsinho Trad

As tarifas já estão em vigor, e não há sinal de que o governo americano esteja disposto a abrir exceções. Enquanto isso, nossos parlamentares se esforçam para garantir encontros protocolares, fotos e agendas de última hora que dificilmente terão efeito prático. O Brasil, mais uma vez, parece ter perdido o timing.

Responsabilidade 

Parte dessa responsabilidade recai sobre o próprio presidente Lula. Em vez de liderar uma ofensiva diplomática consistente, preferiu gastar energia atacando Donald Trump em discursos, reforçando um clima de confronto desnecessário. Enquanto o governo norte-americano atua com pragmatismo em defesa de seus interesses, o Planalto age como se a retórica resolvesse problemas comerciais.

Mais grave ainda é que essa crise parece não preocupar o Governo Federal. Em vez de buscar um diálogo real com Washington, Lula acena com a possibilidade de “ajustar” o alinhamento das exportações brasileiras com outros mercados, especialmente a China, movimento que pode ampliar o distanciamento com os EUA e gerar novos atritos comerciais.

Reflexos no Brasil

Enquanto isso, senadores até tem tido algumas reuniões em Washington, porém, setores produtivos brasileiros já sentem o impacto do chamado “Tarifaço”, com risco real de queda nas exportações, fechamento de fábricas e perda de empregos. O que está em jogo é a credibilidade do Brasil no comércio internacional, e ela está sendo corroída pela falta de planejamento e liderança do governo federal. Enfim, de certa forma, a viagem dos senadores é uma tentativa de reverter a crise.

Lula veta integralmente aumento de deputados na Câmara Federal

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou integralmente o projeto de lei que aumentaria o número de deputados federais de 513 para 531. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta quinta-feira, 17 de julho.

Motivo do veto: Lula alegou contrariedade ao interesse público e inconstitucionalidade da proposta. Segundo ele, o projeto geraria um impacto orçamentário de cerca de R$ 65 milhões por ano, sem estimativa completa de compensações financeiras. Disse ainda que medida também poderia afetar os orçamentos estaduais, já que o número de deputados estaduais é proporcional ao de federais.

Contexto político

A proposta foi aprovada pelo Congresso como resposta a uma decisão do STF, que exigia a redistribuição das cadeiras com base no Censo de 2022. Para evitar a perda de cadeiras em alguns estados, o Congresso optou por aumentar o número total de deputados.

Uma pesquisa da Genial/Quaest mostrou que 85% dos brasileiros são contra o aumento de cadeiras na Câmara.

Próximos passos

O Congresso tem até 1º de outubro para analisar o veto. Caso o veto seja mantido, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) será responsável por redistribuir as vagas, respeitando os limites constitucionais.

Festa do Pinhão e política entre os assuntos do Tema Livre

Com a aproximação da Festa Nacional do Pinhão, não poderia deixar de comentar de forma abrangente sobre o evento, e sobre o modelo adotado estado, além das perspectivas para o próximo ano. O programa vai ao ar na NETV às 21h30.

Também entro na questão política, caso da vinda do Presidente Lula à Santa Catarina nesta última quinta, 29, sobre as sessões itinerantes da Alesc e ainda o movimento envolvendo o PSD e o lançamento da pré-candidatura ao Governo do Estado, em 2026, do prefeito de Chapecó, João Rodrigues. Confira!

Horários do programa na NETV

Segundas (00:30h, 08:30h, 17:30h); Terças (04h, 15h, 19:30h); Quartas (10h, 20:30h); Quintas (07:30h,

15h); Sextas (10h, 21:30h); Sábados (02:30h, 14:30h), e nos Domingos (01:30h, 11h).

Na internet acesse: www.novaeratv.net.

Foto: Alair Sell

Passagem do Presidente Lula por Santa Catarina

Cheguei a dizer que o governador Jorginho Mello deveria estar presente nos atos em que o Presidente Lula participou nesta última quinta-feira (29), em Itajaí. No entanto, observando o cenário do ambiente, e quem esteve prestigiando, o governador Jorginho Mello (PL) se sentiria mais do que um “peixe fora da água”.

O evento, embora tenha tido um caráter oficial, também se transformou numa espécie de palanque, com pronunciamentos com tons críticos e eleitoreiros. Só por ter o nome citado algumas vezes, Jorginho foi vaiado. Dá para imaginar como seria, em estando presente.

Creio, que por estar bem informado, o Governador não foi apenas pela ideologia partidária liberal, o motivo da ausência. Preferiu cumprir agenda em São Lourenço do Oeste, para atender o Programa Santa Catarina Levada a Sério. Curiosamente, nem mesmo a vice Marilisa Boehem, ou secretários, estiveram entre as autoridades. Nem mesmo o prefeito Robison Coelho (PL), de Itajaí, compareceu.

A tribuna esteve composta apenas pelos pares petistas e dos demais ligados à esquerda. Em suma, um evento exclusivo do PT de Lula. Foram recrutados simpatizantes do Partido dos Trabalhadores de todo o Estado, e que chegaram em mais 20 ônibus. Foi o que garantiu um grande número de participantes.

Críticas e comparações

O ato não se resumiu na entrega oficial da retomada das operações do Porto de Itajaí. A cada fala uma crítica, tanto à gestão do Estado, quanto ao governo passado de Jair Bolsonaro. O superintendente do Porto, João Tavares, foi o primeiro a dar o tom crítico, falando em “tempos difíceis”, muito embora, segundo ele, o Porto de Itajaí tenha alcançado mais de R$ 1,3 milhão em tributos nestes primeiros meses de federalização.

Já o ministro de Portos e Aeroportos do Brasil, Sílvio Costa Filho falou sobre a “ingratidão” de Jorginho para com Lula. O Ministro é dos Republicanos, um partido aliado ao governo de Jorginho Mello. Lá estiveram alguns prefeitos, do PSD, caso de Liba Fronza, de Navegantes, e de Leonel Pavan, de Camboriú

Resumo oficial da presença de Lula em SC

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve no Porto de Itajaí, em Santa Catarina, para participar da cerimônia de retomada das operações. O evento marcou o retorno da gestão do terminal portuário ao Governo Federal, que reassumiu o controle em janeiro deste ano.

Durante a visita, Lula anunciou investimentos de R$ 844 milhões para modernizar e ampliar a estrutura portuária. O presidente chegou ao estado pelo Aeroporto de Navegantes e seguiu para Itajaí de helicóptero. A cerimônia contou com a presença do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, e outras autoridades.

Além dos investimentos, Lula também mencionou a criação da Autoridade Portuária de Itajaí S.A., uma empresa pública federal que será responsável pela administração do porto.

Fotos: Ricardo Stuckert/Secom-PR

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26ª Marcha dos Prefeitos

A 26ª Marcha dos Prefeitos está acontecendo esta semana em Brasília, reunindo milhares de gestores municipais para discutir temas como segurança pública, saúde, educação e renegociação de dívidas dos municípios.

Prefeitos voltam a Brasília para discutir problemas comuns com o orçamento dos municípios Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa da abertura do evento nesta terça-feira (20), junto com ministros e parlamentares. Uma das principais pautas é a PEC 66, que propõe o parcelamento das dívidas previdenciárias dos municípios em até 25 anos, com impacto estimado em R$ 700 bilhões.

Além disso, os prefeitos buscam a criação de um fundo para garantir recursos a cidades que não recebem emendas parlamentares. O evento segue até quinta-feira (22) e deve contar com cerca de 12 mil participantes.

Influência no Congresso

A presença massiva dos líderes municipais promete intensificar as negociações e influenciar as votações em andamento. Temas importantes tramitam no parlamento. Entre eles, o debate sobre a isenção do IR, para pessoas físicas que ganham até R$ 5 mil mensais.

A intenção é ter o projeto aprovado até o dia 30 de setembro, e assim entrar em vigor em 2026. No entanto, a oposição trabalha forte para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) está em fase de negociações.

Além disso, uma alternativa para a questão da anistia para os condenados do 8 de janeiro tem assegurado amplo debate. A pauta enfrenta resistência e líderes partidários trabalham para encontrar um texto que equilibre as demandas por justiça e reconciliação.

PDT da Câmara dos Deputados deixa a base aliada de Lula

A bancada do PDT na Câmara dos Deputados anunciou sua saída da base aliada do governo federal. A decisão veio após a demissão do ex-ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, em meio a investigações sobre fraudes no INSS. Apesar disso, a bancada do PDT no Senado decidiu permanecer na base governista.

O partido agora se declara “independente” e pode apoiar investigações parlamentares sobre o caso, desde que incluam gestões anteriores. Essa mudança pode impactar futuras alianças políticas, especialmente com as eleições de 2026 se aproximando.

O dia em que Lula viria à SC

Visita d Presidente em SC é novamente adiada (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia agendado visita em Santa Catarina para este dia 29 de abril. No entanto, devido à viagem dele para o velório do Papa Francisco, em Roma, mudou, mais uma vez a programação.

A informação foi confirmada pelo deputado estadual Padre Pedro Baldissera, ressaltando que uma nova data será anunciada. Em Santa Catarina, Lula pretendia ou ainda pretende, visitar duas cidades no Litoral Norte: Itajaí e Navegantes. Uma visita que carece de uma atenção especial politicamente.