Velha Estação de Peixes em Painel em completo abandono

Retomo um assunto que foi pauta em meus espaços por muito tempo. Relembro aqui o fato do então governador Raimundo Colombo (PSD), ter conseguido transferir, em acordo com o Ibama, o controle da Base Avançada de Painel (BAP), para o Governo de Santa Catarina, e, por sua vez, entregou para a Epagri.

O objetivo era transformar o local num grande celeiro de alevinos de peixes nativos, e demais, como a truta e a tilápia. O projeto ficou só na intenção. Logo Raimundo deixou o comando do Governo nas mãos de Eduardo Pinho Moreira, que nada fez. Veio o governo de Carlos Moisés (Republicanos), e aí o projeto morreu de vez.

E agora?

Agora a informação mais recente. No dia 31 de março, a Estação, hoje praticamente abandonada, deverá voltar para as mãos do Governo do Estado, saindo do controle da Epagri. Não se sabe o que será feito dela depois. Terá que tomar uma decisão.

A pouco vida existente lá, por hora, é a dos peixes do Tanque, do Parque Jonas Ramos, que ainda está em reforma. Aliás, isso é um problema, pois, por enquanto, há uma pessoa que os trata e os mantém vivos. Até o dia 31, precisam ser retirados.

É um problema a ser resolvido, pois, não se sabe qual será a conduta do governo quanto isso, muito embora, tenha definido o novo gestor da Epagri, nesta terça-feira (21). Dirceu Leite será irá presidir a empresa.

O lugar está em fase de abando quase completo

Para quem conhece aquela estrutura da Estação, com tanques, água corrente, laboratórios e casas residenciais, é de dar pena o abandono do local.

A falta de interesse político está levando à devolução ao Ibama, que também não quer mais o controle do lugar. A solução seria o governo de Jorginho Mello assumir e reformar o local, e deixar para quem realmente possa aproveitar.

É o único local que tem capacidade de produção de alevinos na Serra. Sem a Estação, a piscicultura serrana estará por conta, apenas de iniciativas privadas na criação de peixes. E o pior, é quem ninguém levanta a voz em defesa do criatório de alevinos, em Painel. Um lembrete aos nossos deputados serranos. Quem sabe possam abraçar a causa, antes que ela se perca totalmente.

Lageano é o que mais adere ao consumo da carne de truta

A exemplo do que acontece com a tainha em municípios litorâneos, e em Urubici, onde é realizada a Festa Nacional da Truta (Fenatruta), em Lages vem sendo pensada há muito tempo a possibilidade de se criar no município alguma forma de promover ainda mais o consumo da carne do peixe. Atualmente, a produção de truta na Serra Catarinense atinge índices de grande escala.

É também em Lages e Região que o peixe industrializado, em forma de filés com e sem pele, inclusive, inteiro, está sendo distribuído em supermercados, e com ótima aceitação pelos consumidores.

Cardápio

Conforme os produtores, o peixe já faz parte do cardápio de muitas famílias. Por isso, também deveria estar incluído em algum tipo de projeto gastronômico serrano.

Afinal, por se tratar da única região a produzir truta em cativeiro e em grande escala, a inserção do produto promocionalmente, só agregaria.

Ainda de acordo com os produtores, um evento abriria oportunidade para que os visitantes pudessem saborear a carne do peixe, que é repleta de características nutricionais.

Festival Gastronômico

Os produtores entendem que o Festival Gastronômico Sabores Lages seria um dos caminhos para a difusão de um prato essencialmente preparado a partir da carne de truta. Eis aí, algo que parece ter passando em branco. A truta bem que poderia estar entre os pratos do Festival.

Fotos: ilustrativas

Truta da Serra é absorvida pela indústria e restaurantes

O Estado de Santa Catarina é o maior produtor de truta do Sul do País, e a Serra é a que concentra a maior parte. Toda a produção é praticamente absorvida pela indústria de processamento Belo Peixe, instalada em Lages, chegando também aos principais restaurantes.

Produtor de truta da localidade de Pessegueiros, em Lages

É uma grande escala. Isso que não é computada a venda direta de produtores não cadastrados na Associação Criadores de Truta (Acatrtuta).

Aliás, a produção do peixe na Serra poderia ser bem maior, caso o Governo do Estado, através da direção da Epagri, tivesse investido, conforme prometera, na velha Estação de Piscicultura, hoje, depreciada, junto à antiga Base Avançada de Painel (BAP).

Por outro lado, a Acatruta tem se mobilizado para dar ao consumidor o melhor produto possível. Não é propaganda, mas faz questão de dizer que encontrou na ração PRESENCE, distribuída pela Agropecuária Schoroeder, a melhor garantia da taxa de conversão alimentar, especificamente pela qualidade do produto.

Sendo assim, melhor para o consumidor, que terá nesta Semana Santa à disposição para pôr à mesa, um produto de excelência, com nutrientes valiosíssimos para o organismo humano.

Benefício à saúde

Nunca é demais lembrar os benefícios a partir da presença do cálcio e zinco, que contribuem para o fortalecimento do organismo. Além disso, é rica em ômega-3, que ajuda no desenvolvimento cerebral e dos olhos, agindo ainda como ácido anti-inflamatório, principalmente para reduzir a inflamação nas articulações. O ômega-3 diminui, dessa forma, o risco de artrite. Outro benefício do consumo de alimentos ricos em ômega-3, caso dos peixes como a truta, é evitar o envelhecimento precoce da pele e prevenir rugas.

Fotos: Paulo Chagas

Balanço da diretoria da Epagri não contempla Estação de Painel

Observando o balanço apresentado pela diretoria da Epagri, numa mostra do que foi realizado na gestão da presidência, Edilene Steinwandter, os itens impressionam. No geral, realmente fez um bom trabalho na Empresa, com investimentos e todas as áreas.

Recursos em tecnologia foram os mais notabilizados visando aparelhar a estrutura. Acredito sim, que a agricultura teve a atenção desejada com a distribuição de equipamentos e a parceria dos técnicos.

No balanço, apresentado por Edilene Steinwandter, a readequação da estrutura e cancelamentos de contratos que propiciaram economia.

Chego ao campo da extensão. O trabalho de extensão rural e pesqueira desenvolvido pela Epagri objetiva levar a agricultores e pescadores o conhecimento gerado pela Empresa, a fim de promover o desenvolvimento sustentável destes setores da economia. Para tanto, a Epagri realizou entre 2019 e março de 2022 um total de 346.182 atendimentos a famílias agricultoras e pescadoras do Estado.

No entanto

A mesma atenção não foi dispensada aos pescadores da Serra. Centenas deles acolheram a ideia da criação de peixes, caso da truta ou tilápia, visando incrementar as suas rendas familiares. Investiram em tanques, acreditando que teriam sustentação do Governo, não apenas de si.

A gestão do atual governo está chegando ao fim, e nada foi feito desde que o Estado, através da Epagri, assumiu o controle da velha Estação de Piscicultura, também conhecida como Base Avançada de Painel (BAP), depois da transferência do Ibama. Isso aconteceu em agosto de 2017.

Era só o que os pescadores ou truticultores da Serra queriam. Ver a velha Estação cumprindo com o propósito de torná-la um centro avançado de reprodução de alevinos com genética diferenciada de truta. Mas, este projeto, não foi prioridade da Epagri. Os anos foram passando, e somente a esperança seguiu viva.

No começo, foi dada a missão a um responsável pelo local, que seguiu do jeito que pode justificando a demora dos investimentos. Logo no segundo ano do Governo, um relatório sobre as necessidades para pôr em funcionamento o local, foi redigido pelo responsável pela Estação Experimental da Epagri, Vilmar Francisco Zardo.

Na época, o Blog, em contato com a diretoria da Epagri, a resposta é de que as providências estavam sendo tomadas.

Hoje, já não sei mais o que ainda existe por lá. Por certo o local está abandonado. Por um tempo, ainda havia a manutenção de algumas espécies como carpa, jundiá e truta, apenas para manter o mínimo funcionamento, mas sem nenhuma finalidade ou projeto.

Investimentos

Com a farta distribuição de recursos, o Estado bem que poderia ter dispensado algum, dado aos criadores de peixes da Serra, a chance de ter um local aparelhado para a pesquisa e a produção dos tão almejados alevinos de truta.

Rede elétrica

Para que tudo funcionasse, o diagnóstico inicial era de que, seria necessário levar em consideração uma escala de prioridades. Pois, não seria possível colocar qualquer coisa tecnicamente viável no local se não fosse feita, primeiramente, a reforma da rede elétrica.

Alguém ainda lembrou que havia um processo licitatório montado, incluindo o projeto, e que até hoje está em alguma gaveta da direção da Epagri. Isso desde setembro de 2019 aguardando a deliberação. A não ser que tudo esteja de acordo, mas sem que ninguém saiba.

Pressão

Os truticultores, através da Associação (Acatruta) pressionaram, sem, até hoje, entender a razão do desinteresse em pôr em funcionamento uma estrutura que está pronta, apenas necessitando de alguns investimentos. Ainda há tempo. Caso o Governo tenha interesse.

Fotos: Paulo Chagas e Aires Mariga/Epagri

5ª Edição da Fenatruta é lançada em Urubici nesta quarta

A 5ª edição da Fenatruta – Festival Nacional da Truta – foi lançada oficialmente em Urubici, na Serra catarinense, nesta quarta-feira (01/09), às 11h, com a participação de autoridades, empresários, chefs de cozinha e jornalistas. Aliás, foram 25 jornalistas especialmente convidados de Florianópolis e da Serra Catarinense.

O Festival que vai movimentar o turismo da Serra em setembro reúne 14 estabelecimentos de gastronomia, pousadas, vinícolas e operadores de turismo de Urubici, Bom Retiro e Bocaina do Sul.

A abertura ocorreu no Café Restaurante – Morro do Campestre, onde estarão os outros restaurantes, bistrôs e bares envolvidos no Festival. Cada um deles irá oferecer pratos, petiscos e iguarias baseados na truta. Depois do lançamento, partir de 3 de setembro, o Festival acontece nos estabelecimentos das três cidades e termina em 3 de outubro. 

Depois de Minas Gerais, Santa Catarina é o Estado que mais produz truta. A produção local cresceu 30% nos últimos sete anos, conforme dados da Associação Catarinense de Truticultores (Acatruta).

A Fenatruta é uma realização da Associação de Pousadas e Hotéis de Urubici e Bom Retiro (Pouserra) e tem o Sebrae/SC como correalizador, que conta com o apoio da Prefeitura Municipal de Urubici.

Restaurantes e os pratos que cada um elaborou:

Armazém Vale Das Montanhas (Quiche de truta da montanha)

Bodegão Da Serra (Rondelli de coalhada da Serra com truta defumada)

Casa Negra Trutaria (Truta Mediterrâneo)

Casarão Da Serra (Divina Truta)

Château Du Valle (Prato du Vô Carlito)

Eco Hospedagem Yahoo (Truta crocante com gratin de pimentões e cama de polenta)

La Fondue Müller (Truta Müller)

Manali Bistrô (Truta gorgonzola com pinhão)

Montês (Mezzaluna)

Panificadora Vó Maris (Escondidinho de Truta Defumada)

Paradouro Morro do Campestre

Restaurante Véu de Noiva (Trouxinha de Truta)

Semola Culinária Italiana (Truta Campestre)

Thera Wine Bar e Restaurante (Truta and Chips)

Fazenda Morro do Campestre (Truta Campestre)

Truticultores da Serra esquecidos pelo Governo e Epagri

A transferência da Estação de Piscicultura de Painel, pertencente ao Ibama foi motivo de comemoração na Região, ainda no governo de Raimundo Colombo. Desde então passou a se chamar Campo Experimental de Piscicultura da Serra Catarinense.

No entanto, mais de três anos se passaram e nada avançou, mesmo com a promessa da presidente da Epagri, Edilene Steinwandter, e do responsável pelo local, o pesquisador da Estação Experimental da Epagri em Lages, Vilmar Francisco Zardo, de que em breve a piscicultura serrana teria um novo espaço para a expansão.

A Acatruta tem pressionado, mas, sem nenhuma resposta. Enquanto isso, os produtores seguem esperando por uma solução, e que algo possa ser feito para que possam melhorar a genética e a sanidade dos peixes. “A velha estação é o local certo para isso”, argumentam.

Difícil entender a razão para tanto descaso. O espaço tem toda uma estrutura montada, precisando apenas de algumas adaptações, e mesmo assim, a Epagri, através da direção, não toma nenhuma atitude, e desconsidera por completo o apelo dos produtores, de truta, embora também possam ser cultivadas outras espécies nativas.

Indústria

Em Lages funciona um indústria de processamento de truta, e que precisa da matéria-prima para continuar. Os produtores seguem trabalhando para manter a demanda. Porém, precisam urgentemente, da pesquisa para ampliar a genética e oferecer produtos cada vez com maior qualidade. Nada disso, parece importar na visão do Governo.

Foto: Paulo Chagas

Indústria da truta, a Belo Peixes, conquista novos mercados

A partir da organização dos produtores, com a criação da Associação Catarinense de Truticultores (Acatruta), e especialmente pela instalação da fábrica de peixes (Belo Peixes), há quase cinco anos, em Lages, a truta passou a ser referencial na produção e no consumo na Serra. Dadas às características favoráveis à criação do peixe, só tem aumentado o potencial de produção anual.

E o mais importante, o crescimento também da distribuição a outros estados, o que ressalta a valorização da carne de truta produzida dentro de rígidos padrões de qualidade.

Somente no Rio Grande do Sul, cerca de 30 municípios comercializam o produto, além de redes de supermercados localizadas em grandes centros do Paraná e de São Paulo.

Atualmente, a empresa Belo Peixes está apta também para exportação. Para começar a enviar o produto para o exterior, apenas aguarda as decisões de mercado e do Governo Federal. Méritos!

Foto: divulgação

Jundiá é a nova alternativa de produção na Serra

Este é o foco do IV Seminário Regional de Piscicultura, que acontece durante esta quinta-feira (10), na Expolages, promovido pela Prefeitura de Lages e pela Epagri.

A ideia é apresentar aos interessados todas as novas tecnologias dirigidas à espécie jundiá, que tem excelente adaptação na Serra Catarinense.

A proposta é criar uma alternativa que substitua a tilápia, um peixe que não suporta o frio e acaba morrendo, enquanto que o jundiá resiste às baixas temperaturas. Além disso o jundiá tem uma carne bastante apreciada e sem espinhos e é fácil trabalhar a filetagem.

A Prefeitura de Lages e a Epagri vão, posteriormente, prestar assistência na construção dos açudes e tanques, visando promover as adaptações aos viveiros.

O projeto se acentua em razão do fato de já existirem em toda a Região, perto de 100 toneladas do peixe jundiá prontas. São peixes colocados em açudes já adequados à produção.

A partir de agora, se inicia um trabalho junto aos pequenos produtores com a transformação dos açudes de subsistência em açudes de produção comercial. Já existem 102 propriedades inscritas para a realização desse trabalho.