A Câmara dos Deputados aprovou a Medida Provisória que reformula o atual programa de auxílio para compra de gás de cozinha, agora chamado Gás do Povo. A proposta cria a possibilidade de famílias de baixa renda retirarem gratuitamente botijões de 13 kg em revendas credenciadas, substituindo gradualmente o pagamento em dinheiro, que deverá ser encerrado até 2027.

Terão direito ao benefício famílias inscritas no CadÚnico com renda de até meio salário mínimo por pessoa. O programa prevê a distribuição de até seis botijões anuais, conforme o número de integrantes da família, além de incluir novas modalidades, como incentivo ao uso de sistemas de cocção com menor emissão de carbono.
População dependente do Estado
Embora a medida seja apresentada como uma política social voltada à segurança energética e à melhoria das condições de vida das famílias mais vulneráveis, ela reacende o debate sobre o papel do Estado na assistência social. Ao substituir o repasse financeiro pela entrega direta do produto, o governo amplia o controle sobre o benefício e tenta garantir que o recurso seja utilizado exclusivamente para a finalidade prevista.
No entanto, críticos apontam que a iniciativa pode ampliar a dependência da população carente em relação ao Estado, reduzindo a autonomia das famílias e criando um modelo assistencialista mais rígido. Além disso, há preocupações sobre possíveis distorções de mercado, como favorecimento de revendedores credenciados e aumento da burocracia para acesso ao benefício.
O Gás do Povo surge, portanto, como uma política que equilibra a tentativa de combater a pobreza energética com questionamentos sobre seus impactos econômicos, sociais e estruturais a longo prazo, especialmente no que diz respeito à emancipação financeira das famílias beneficiadas.
Em suma, em ano de eleição, um passaporte para o voto direcionado.
Fonte: Agência Câmara de Notícias









