Carne a pasto da região pode ser reconhecida como IG

Produtores, cooperativas e representantes de instituições públicas se reuniram nesta quinta-feira (09), no Sindicato Rural de Lages, para discutir estratégias de valorização da carne produzida a pasto na Serra Catarinense. A proposta central é desenvolver uma Indicação Geográfica (IG) ou selo de qualidade que destaque o diferencial da carne serrana no mercado estadual e nacional.

O encontro contou com a presença de especialistas como Paulo Roberto Arruda, da Secretaria de Agricultura, e representantes do SEBRAE, que já atuam na promoção de produtos regionais. Foram apresentados exemplos de sucesso como o Queijo Serrano e o Mel de Melato da Bracatinga, reforçando o potencial da carne serrana como marca coletiva.

Participaram cooperativas que trabalham com raças autóctones e britânicas, focadas em produção sustentável em pastagens naturais. A reunião marcou o início de um diálogo técnico para aprofundar o diagnóstico do setor e traçar ações conjuntas com instituições como EPAGRI, CIDASC e universidades.

Segundo Márcio Pamplona, presidente do Sindicato Rural de Lages, o objetivo é ampliar o reconhecimento da carne serrana, fortalecer a cadeia produtiva e posicionar o produto como referência de qualidade no Brasil.

Estado amplia reconhecimento com Indicações Geográficas

Santa Catarina já conta com dez selos de Indicação Geográfica (IG), que conferem identidade, qualidade e notoriedade a produtos locais, como a maçã Fuji da Serra e a erva-mate do Planalto Norte. A informação foi apresentada pelo assessor técnico do Sebrae, Alan Klaumann, em reunião da Comissão de Agricultura e Desenvolvimento Rural nesta quarta-feira (27).

Sebrae apresenta cases como maçã Fuji e erva-mate; SC já possui 10 selos e projeta mais nove / Foto: Jeferson Baldo/Agência AL

Segundo o especialista, os selos fortalecem o agronegócio, geram desenvolvimento regional, atraem turistas e combatem a falsificação. O Sebrae acompanha mais de 20 mil agricultores no estado e já trabalha para ampliar o número de IGs, podendo chegar a 19.

O presidente da comissão, deputado Altair Silva (PP), destacou o potencial de valorização do agronegócio catarinense. Na mesma reunião, foram aprovados cinco requerimentos, entre eles a realização de uma audiência pública na Ceasa de Joinville para discutir a reforma do espaço.

Apesar do avanço, muitos municípios, gestores e comunidades ainda não exploram todo o potencial das IGs como marcas e ativos de imagem. Um exemplo é São Joaquim, na Serra Catarinense, que já soma cinco selos e está prestes a conquistar o sexto, do Frescal, mas ainda não transforma essa riqueza em estratégia de promoção e desenvolvimento local.

Definido o nome de Indicação Geográfica ao Alho Roxo

O nome de Indicação Geográfica do Alho Roxo foi definido em reunião com os seis municípios produtores pertencentes à área geográfica de produção do produto, na segunda-feira, 9 de agosto.

Com a definição das variedades, características e do nome geográfico “Alho Roxo do Planalto Catarinense”, selecionado pelo público para representar a região e o território, será possível dar andamento ao desenvolvimento das pesquisas para a conquista do selo de Indicação Geográfica do produto.

Indicação Geográfica

O registro de Indicação Geográfica é uma ferramenta coletiva de valorização de produtos tradicionais de determinada região, e tem como função principal agregar valor ao produto, valorizando suas características, a região e os seus produtores.

Valorização do produto

“Com o projeto de Indicação Geográfica do Alho Roxo, busca-se valorizar o produto característico da região e seus produtores, agregando mais valor ao produto, e, consequentemente, promovendo a geração de renda e empregos. A conquista do selo de Indicação Geográfica irá fortalecer a cadeia produtiva e possibilitar reconhecimento nacional e internacional do Alho Roxo do Planalto Catarinense, oferecendo ao mercado um produto com características únicas da região em que é produzido”, afirma o gerente Regional do Sebrae/SC, Altenir Agostini.

Boa nova sobre os Vinhos Finos de Altitude da Serra

Chega-me a informação de que a Epagri deu início aos trabalhos para obtenção da Indicação Geográfica (IG) dos Vinhos Finos de Altitude da Serra catarinense, projeto que estará concluído em 2019.Para quem não sabe, assim como eu, a IG é uma forma de valorização do produto de uma região ou território, cuja procedência adquiriu notoriedade em decorrência do modo de fazer e das características ambientais locais.

O Champanhe é um exemplo clássico de IG, por que só pode ser chamado assim o espumante produzido naquela região específica da França.

Caberá à Epagri fazer estudos de caracterização da região, como solos, clima e uso e cobertura da terra, que serão reunidos num único banco de dados. Os técnicos da Empresa ainda serão responsáveis pela atualização do cadastro dos produtores e vinhedos de altitude no Estado.

Depois, os resultados dos estudos serão reunidos, ao final do processo, num dossiê. Este documento será enviado para avaliação do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), que é quem decide pela concessão ou não da IG.

Por Gisele Dias, jornalista