Deputado discursa contra a importação da maçã chinesa

A contrariedade de parlamentares com a intenção do Governo Federal firmar convênio com a China para importação da maçã tem ganhado adesões.

Deputado Lucas Neves / Foto: Solon Soares/Agência AL

Em discurso realizado nesta quarta-feira (29), na Tribuna da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, o deputado Lucas Neves (Podemos) repudiou a possibilidade de pacto do Governo Federal com a China para importação da maçã chinesa.

O parlamentar solicitou ao Ministério da Agricultura a retirada da fruta da pauta de negociações entre os dois países. Para Neves, um eventual acordo poderia inviabilizar a produção catarinense, além de trazer altíssimo risco sanitário aos pomares do estado.

É mais do que sabido os problemas que a maça chinesa pode acarretar aos produtores catarinenses, algo que o Governo Federal parece não enxergar. Há mais de 40 doenças da maçã que não existem aqui e que poderiam chegar com esse acordo.

“A vinda de pragas e doenças ausentes em nossos pomares, bem como a depreciação de preços, pode significar a inviabilização do setor e o desemprego de milhares de agricultores na nossa região. Precisamos unir vozes para evitar isso”, salientou Lucas Neves.

Agronegócio não vai contar com milho dos EUA

colatto EUAÉ que a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) frustrou a expectativa da importação de milho dos Estados Unidos, que estava sendo aguardada com expectativa, pois, se tratava de um pedido feito para atender a necessidade de indústrias de aves, suínos e leite.

Com a importação do cereal para reduzir os preços do cereal, que tem batido recorde nos últimos meses, chegando ao preço de R$ 60 a saca.

O deputado federal Valdir Colatto (PMDB/SC), membro da Frente Parlamentar da Agropecuária, destacou que muito trabalho tem sido feito para resolver a questão de abastecimento de milho no país e não houve consciência da CTNBio para autorizar a entrada do grão, com a justificativa de ser transgênico.

“Há mais de 10 anos o Brasil planta milho e soja transgênica sendo que 90% do que se planta em solo brasileiro é transgênico. Falta reconhecimento da tecnologia, da modernidade, além de muita ideologia do Ministério Meio Ambiente e Anvisa”, disse.

A pauta será levada para a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e ao plenário da Câmara dos Deputados.

Conforme Colatto será mostrada esta falta de sensibilidade de técnicos que se dizem conhecedores do assunto e acabam prejudicando os agricultores e a agroindústria brasileira.

Em análise o risco da maçã da China em SC

Secretaria Municipal de Agricultura de São Joaquim, Câmara Técnica da Associação dos Produtores de Maça e Pera – AMAP, Grupo de Estudos da Maçã (GT/Maçã), Cidasc e Epagri firmaram posição nesta terça-feira (29), para produzir um documento impondo uma série de medidas como forma de evitar a entrada da maçã chinesa em Santa Catarina.

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A decisão foi consenso, em reunião-palestra com o professor e consultor para assuntos relacionados à economia e cultura da China, Vladimir Milton Pomar.

No evento, na Casa da Cultura ele fez uma ampla explanação sobre as características dos mercados consumidores da China e possíveis impactos econômicos e sociais na região sobre a importação da maça produzida na China.

O que mais preocupa as autoridades e os fruticultores são as questões fitossanitárias, uma vez que poderiam entrar no Brasil doenças com alto poder de contaminação dos pomares.

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Na verdade o que se busca são medidas restritivas, porque a maçã chinesa representa uma grande ameaça à atividade econômica da fruticultura serrana.

Um estudo de análise de riscos da maçã e da pera da China será iniciado por pesquisadores da região para corroborar com as medidas restritivas que serão levadas às autoridades estaduais e federais.

(Informações e fotos: Oneres Lopes)