CPI dos Respiradores: acareação não chegou a lugar nenhum

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A acareação entre Douglas Borba, Marcia Pauli e Helton Zeferino, na CPI dos Respiradores, que começou à tarde e se prolongou pela noite, não foi conclusiva.

O questionamento principal, seguiu sendo quem deu a autorização para o pagamento antecipado pelos 200 respiradores artificiais e a suposta pressão do ex-chefe da Casa Civil nesse processo de compra foram os principais assuntos abordados na acareação.

Foram cerca de seis horas de pressão para que um deles, admitisse. Todos falaram em defesa própria, e atribuíram os acontecimentos aos demais. Márcia Pauli, foi a mais pressionada, principalmente pelo ex-secretário da Saúde, Helton Zeferino, que a todo o instante, procurou culpa-la, alegando que nas notas fiscais havia a assinatura dela, o que caracteriza a certificação para o processo de compra andar, e pagar.

Já a servidora, em mais de uma ocasião, afirmou que Zeferino estava “faltando com a verdade”. Ela bateu na tecla que o fato de ter assinado as notas não configurava autorização para o pagamento das mesmas.

Márcia também insistiu que vários servidores, entre eles Zeferino, sabiam que as compras seriam feitas com pagamento antecipado porque essa seria uma condição mínima para efetivá-las, tendo em vista a elevada procura pelos equipamentos e insumos para combate à Covid-19.

“Sempre foi esse o modus operandi do secretário Helton. A autorização [da ordem para o pagamento] só pode ser do secretário, não pode ser de mais ninguém”, disse a servidora.

Sem culpados

Em suma, nenhum assumiu a culpa, mantendo o que já haviam dito à CPI individualmente, e também não declararam literalmente de quem seria a culpa por esse procedimento.

Mas então. Se eles eram os gestores diretos no processo, e não autorizaram a compra e o pagamento antecipado, quem foi então. Obviamente, a Polícia já está bem à frente nas investigações. Não é à toa que Douglas Borba foi preso.

A escolha da Veigamed

A decisão pela compra dos respiradores que nunca foram entregues também foi tema de questionamento pelos deputados. Marcia Pauli reafirmou que a decisão partiu de Helton Zeferino. Ele, por sua vez, afirmou que havia negociado com uma empresa chamada Brazilian Trade mas que, no dia seguinte, foi trocada, sem o seu consentimento, pela Veigamed. Em comum entre as duas empresas, o representante delas: Fábio Gausti.

Já Borba reafirmou que não teve nenhuma participação na escolha da Veigamed. Ele afirmou que não trocou nenhuma mensagem com Marcia entre os dias 25 de março e 1 de abril, período em que a compra dos respiradores foi fechada. A servidora, no entanto, afirmou que houve, sim, que Borba entrou em contato com ela nesse período.

Governador

Helton Zeferino afirmou que no dia 15 de abril, diante do não envio dos respiradores, foi até a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) para informar sobre o ocorrido. Foi nesse dia que, segundo ele, o governador Carlos Moisés da Silva (PSL) foi informado, pela primeira vez, sobre o problema.

Detalhe

Não foi dada atenção no momento em que Douglas Borba disse, na acareação, de que ligou para o Governador, logo que estourou a confusão da descoberta do negócio. Imediatamente, o deputado Sargento Lima retrucou dizendo que ele não ligou para Carlos Moisés, e sim para o empresário Fábio Gausti, pois, constava nos laudos do Gaeco, a partir da perícia do telefone. Borba respondeu novamente que ligou sim para o governador, mas Sargento Lima, não deu ouvidos à resposta, preferindo salientar que a ligação teria sido feita somente ao empresário. O assunto morreu no ato.

Fica a dúvida. Por que Borba teria dito que ligou para o Governador? E por que o deputado não deu ouvidos? Poderia ter questionado, se então teria usado outro telefone para ligar ao Governador. Nada. A acareação prosseguiu sem que ninguém mais tocasse no assunto.

Nova reunião

A CPI dos Respiradores volta a se reunir na próxima terça-feira (17). A comissão vai ouvir mais servidores envolvidos no processo de pagamento antecipado pelos 200 respiradores.

Fonte: Agência Alesc / FOTO: Rodolfo Espínola/Agência AL