Governador critica imprensa no caso dos respiradores

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Irritado com a cobertura da imprensa catarinense na cobertura do caso da compra dos 200 respiradores e de todos os fatos que se sucederam após a descoberta dos ilícitos envolvendo o negócio com a Veigamed, o governador Carlos Moisés teceu sérias críticas à imprensa, na coletiva da sexta-feira (8), colocando todos os veículos numa mesma vala.

Insinuou afirmando que esta mesma imprensa deveria ser cerceada por seus patrocinadores, dando a entender também, pelo próprio governo que tem feito investimentos em mídias, para que, na condição de anunciantes, diretamente, cobrem de seus veículos para que façam o que julga ser um jornalismo decente.

A fala provocou imediata reação, inclusive, já na própria coletiva. Posteriormente, os veículos que se sentiram atingidos, aos poucos também se pronunciaram diante da infeliz crítica.

Neste sábado, sobraram notas de repúdio nas redes sociais, incluindo a da Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão – ACAERT, cujo conteúdo, reproduzo abaixo:

Nota de Repúdio

A Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão- ACAERT repudia as declarações feitas hoje pelo Governador Carlos Moisés da Silva durante um evento transmitido ao vivo para empresários em nível nacional.

Durante o evento, Carlos Moisés da Silva insinuou que a imprensa catarinense deveria ser cerceada através da pressão de empresários, na condição de anunciantes dos veículos de comunicação, em torno do que ele considera um “jornalismo decente”.

A ACAERT considera que esse tipo de manifestação demonstra, por parte do governante, um total desconhecimento do papel da imprensa, que tem a obrigação de divulgar toda e qualquer informação que for de interesse público e para o bem da sociedade.

Reforçamos ainda que o segmento não mediu esforços, desde o início da pandemia, para levar a informação precisa aos catarinenses, reforçando os protocolos de segurança das autoridades de saúde e dando ampla divulgação, principalmente, aos esforços do Governo do Estado no combate à COVID-19, que teve horas de exposição na programação das principais emissoras de Santa Catarina.

Nos surpreende, portanto, o conteúdo dessas declarações pelo tom de ameaça e as insinuações autoritárias, uma vez que o próprio mandatário elogiou e agradeceu publicamente por diversas vezes em coletivas de imprensa a cobertura profissional que vem sendo feita pelos mesmos veículos que hoje ele pede que sejam responsabilizados por fazerem justamente aquilo que lhes é de obrigação, informar a população.

Esperamos que prevaleça o respeito com o segmento da comunicação e com a democracia, na qual a liberdade de imprensa é um direito inegociável e não pode sofrer qualquer tipo de pressão ou insinuação por parte de quem quer que seja. Como proferiu a suprema corte americana ao absolver os jornais que divulgaram documentos secretos: “A imprensa deve servir aos governados, não aos governantes”.

Tratou de se redimir

Também neste sábado (9), o governador Carlos Moisés emitiu nota à imprensa tentando se redimir das bobagens que falou, se referindo à importância da ética no jornalismo profissional, e de que sempre pautou pelo absoluto respeito à imprensa e seus profissionais.

Todavia, disse que não pode se calar diante de uma parcela de profissionais que busca dar respostas a fatos que ainda estão sendo investigados, não concluídos, emitindo pré-julgamentos e que induzem a opinião pública a conclusões precipitadas.

Por fim, afirmou que em momento algum propôs cercear a liberdade de expressão de empresas ou de jornalistas. De que sua fala se refere a um grupo diminuto que se utiliza do mais importante instrumento democrático – o jornalismo – para, de maneira parcial, manchar a reputação de pessoas ou instituições sem lhes permitir o direito ao contraditório e à preservação da imagem.