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A informação é de que o imigrante que vive sob a ponte do rio Ponte Grande, em Lages, é magro, tem pele negra, aparenta ter entre 30 e 35 anos, estatura mediana, cabelos na altura dos ombros, veste jaqueta, calça jeans e chinelos, tem o olhar distante e triste, nenhuma gesticulação, feição desconfiada, mas é tranquilo e sereno.

Ele carrega consigo somente a roupa do corpo, aparentemente umedecida pela garoa, e sua história misteriosa e por enquanto desconhecida.
Solitário, o homem com traços faciais marcantes e sotaque estrangeiro arranhado está em situação de permanência e vulnerabilidade ao lado de uma das vigas debaixo da ponte do rio Ponte Grande, bem próximo ao ferroduto do bairro Penha.
O Poder Público, dentro de suas competências, é tentar devolver o exercício dos valores de cidadania de um ser humano, quando parecem violados.
Pelo mínimo de interação, acredita-se que o rapaz seja de Senegal, na África, justamente por sua pronúncia. O imigrante não fala em créole (crioulo haitiano), francês, espanhol ou inglês, idiomas praticados no Haiti.

Entretanto, mesmo com um intérprete, o diálogo foi sem sucesso, pois o homem não esboça nenhum tipo de comunicação que não seja sair do espaço coberto abaixo da ponte e ir até os profissionais e dizer repetidamente em português quase nítido: “É isso mesmo?”, numa forma de dispensar a equipe e manifestar desinteresse por ajuda.
Sem abertura não é possível saber nada sobre o homem, nem nome, origem, documentos, família, condições de saúde, como viajou até a Serra, por onde passou, causas de sua estadia em Lages.
As servidoras não desistiram de ajudar o homem e nesta quinta-feira (25 de abril) retomaram a diligência na segunda visita. Seguiram até a ponte e questionaram novamente o estrangeiro. Mais uma vez houve resistência e a negativa de saída do local. Porém, os trabalhos de aproximação vão continuar.
Edição foto intérprete e imigrante: Nathalia Lima




