Antídio Lunelli e Esperidão Amim compõem chapa ao Senado c/JR

Mais de mil pessoas participaram, neste sábado (13), em Jaraguá do Sul, de um encontro que reuniu lideranças do MDB, PSD e da Federação União Progressista para apresentar os nomes que devem compor a chapa majoritária para as eleições estaduais. O projeto é liderado pelo ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), pré-candidato ao Governo de Santa Catarina.

Foto: Ascom PSD

O evento também marcou o pré-lançamento da pré-candidatura do deputado estadual Antídio Lunelli (MDB) ao Senado Federal. A composição ainda conta com o deputado federal Carlos Chiodini (MDB), cotado para a vaga de vice-governador, e com o senador Esperidião Amin (PP), que buscará a reeleição ao Senado.

Durante os discursos, as lideranças destacaram a união entre os partidos e o compromisso com o desenvolvimento de Santa Catarina. João Rodrigues ressaltou a formação de uma equipe “forte e preparada”, enquanto Chiodini afirmou que a presença de Lunelli amplia a representatividade do projeto político. Amin também elogiou a trajetória empresarial e política do deputado emedebista.

Além do ato político, a agenda na região Norte incluiu encontros com empresários, lideranças locais e veículos de comunicação, reforçando as articulações visando o pleito estadual.

Fonte: Correio Otaciliense

Senado rejeita indicação de Jorge Messias ao STF

Em uma decisão histórica e rara na política brasileira, o Senado Federal rejeitou nesta quarta-feira, 29, a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. A votação expôs forte resistência de parlamentares à escolha feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e representou um duro revés político para o Palácio do Planalto.

“Andressa Anholete/Agência Senado” Fonte: Agência Senado

Nos bastidores, senadores apontaram como principais motivos para a rejeição questionamentos sobre a independência institucional do indicado, sua ligação direta com o governo federal e dúvidas quanto ao requisito constitucional do notável saber jurídico. A sabatina na Comissão de Constituição e Justiça já havia demonstrado ambiente tenso e divisão entre as bancadas.

A derrota da indicação é considerada um fato incomum na história recente do país, já que tradicionalmente nomes escolhidos para o Supremo acabam aprovados pelo Senado após negociações políticas. O resultado sinaliza desgaste na articulação governista e amplia o debate sobre os critérios para nomeação de ministros da mais alta Corte brasileira.

Com a rejeição, caberá agora ao presidente da República apresentar um novo nome ao Senado, reiniciando todo o processo de análise. A expectativa é de que a próxima indicação busque perfil mais técnico, independente e capaz de reunir maior consenso entre os parlamentares.

Sabatina de Messias, nesta quarta, será apenas pro forma?

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado promove nesta quarta-feira (29), a partir das 9h, a sabatina de Jorge Messias. O advogado-geral da União foi indicado pela Presidência da República ao cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

O advogado-geral da União, Jorge Messias, durante visita ao Senado em novembro do ano passado
Edilson Rodrigues/Agência Senado / Fonte: Agência Senado

A eventual aprovação do novo indicado de Lula, pelo Senado Federal, caso ocorra sem um exame rigoroso, ampliaria a percepção de que a sabatina deixou de ser instrumento constitucional de controle para se tornar mera formalidade política.

A Constituição exige reputação ilibada e notável saber jurídico como critérios centrais para o ingresso no Supremo Tribunal Federal, com aprovação pela maioria absoluta do Senado.

A crítica institucional mais contundente recai menos sobre o indicado e mais sobre os senadores: quando parlamentares renunciam ao dever de questionar trajetória, independência, produção jurídica e capacidade técnica, esvaziam a própria função fiscalizadora. O Senado não existe para carimbar escolhas presidenciais, mas para testá-las à luz do interesse público.

Seja como for, ninguém acredita numa desaprovação. Irá prevalecer a apenas a lógica da conveniência política, reforçando a sensação de que critérios subjetivos como “notável saber jurídico” são tratados de forma elástica demais, enquanto a exigência de autonomia intelectual fica em segundo plano

Em termos republicanos, o maior problema não é a indicação em si, mas a normalização de sabatinas previsíveis, sem confronto real de ideias, sem escrutínio técnico profundo e sem disposição de contrariar acordos de bastidor. Quando isso acontece, perde o Senado, perde o STF e perde a sociedade. Se ocorrer a desaprovação, será a surpresa. Fica o registro.

Eleições 2026: reposição da Chapa liberal

O governador Jorginho Mello redesenha o tabuleiro político catarinense com um movimento claro de reposicionamento estratégico: a defesa de uma chapa pura do PL ao Senado, agora reforçada pela confirmação da deputada federal Caroline De Toni e do vereador carioca Carlos Bolsonaro como nomes do partido para a disputa. A decisão vai além de uma simples escolha eleitoral.

Trata-se de uma sinalização política direta: o PL aposta na consolidação de identidade própria, buscando unificar discurso, eleitorado e projeto ideológico sem depender de alianças tradicionais. Em vez da composição ampla, o partido opta pela coerência interna e pela fidelização de sua base mais mobilizada.  A escolha, contudo, eleva o nível da disputa.

Uma chapa pura tende a polarizar o debate e reduzir espaços para composições intermediárias, antecipando um cenário eleitoral mais ideológico e menos pragmático. É uma aposta de alto risco, mas também de alto potencial eleitoral: ou consolida uma vitória robusta baseada na identidade partidária, ou amplia resistências fora da base fiel.

Caroline De Toni deixa o PL/SC

A saída da deputada federal Caroline De Toni do PL evidencia uma crise interna no partido em Santa Catarina, provocada pelo conflito entre decisões nacionais e lideranças regionais. O estopim foi a articulação para viabilizar o nome de Carlos Bolsonaro ao Senado pelo Estado, movimento que gerou resistência entre lideranças locais, que enxergaram a estratégia como desvalorização do protagonismo catarinense.

Saída de Caroline De Toni evidencia conflito entre decisões nacionais e protagonismo político regional rumo às eleições de 2026 /  Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

Caroline, que vinha se consolidando como um nome competitivo dentro do eleitorado conservador, recusou disputar a vice-governadoria e deixou a sigla, sinalizando insatisfação com a falta de diálogo interno e com a possibilidade de perder espaço político. A saída representa desgaste para o PL, que governa o Estado e precisa manter unidade para as eleições de 2026.

O episódio também pode impactar a disputa ao Senado, considerada uma das mais acirradas dos últimos anos em Santa Catarina, abrindo espaço para rearranjos partidários e fortalecendo adversários. A situação reforça o tradicional embate entre estratégias nacionais e interesses regionais na política brasileira.

JR e o desafio estadual

Prefeito João Rodrigues  / Foto: Facebook

João Rodrigues decidiu dar um salto ousado: deixar a prefeitura de Chapecó em março de 2026 para disputar o governo de Santa Catarina. É um movimento calculado, mas arriscado. Ele aposta que o “choque de gestão” aplicado no Oeste catarinense pode convencer o eleitorado estadual. O problema é que, fora de Chapecó, o discurso ainda não encontra eco suficiente.

O lançamento da pré-candidatura, com cinco mil pessoas e a presença de lideranças de União Brasil, PP e MDB, foi um espetáculo pensado para mostrar força. Mas política não se mede apenas em palanques lotados. Dentro do PSD, há quem torça o nariz para Rodrigues, e a sensação de isolamento persiste. O apoio de Júlio Garcia e Eron Giordani é importante, mas não basta para blindá-lo das resistências internas.

Difícil caminho

Rodrigues enfrenta um dilema: precisa se vender como alternativa viável ao governador Jorginho Mello, que deve buscar a reeleição com a máquina estadual a seu favor. Para isso, terá que provar que não é apenas o “prefeito de Chapecó” tentando jogar em um campeonato maior. Sem alianças sólidas, corre o risco de ser visto como candidato regional, incapaz de dialogar com o restante do estado.

Em resumo, João Rodrigues tem energia, discurso e vitrine. Mas ainda lhe falta musculatura política. Se não conseguir costurar apoios além do Oeste, sua candidatura pode se transformar em um voo curto, barulhento na largada, mas sem fôlego para chegar ao pódio.

Ao Senado

A eleição para o Senado em Santa Catarina em 2026 será um duelo interno da direita. Caroline De Toni surge como favorita, com discurso afinado ao bolsonarismo. Carlos Bolsonaro tenta se firmar no estado após transferir seu domicílio eleitoral, mas ainda carrega a pecha de “importado do Rio”. Já Esperidião Amin aposta na experiência e na identidade catarinense para segurar sua vaga.

O problema é que três nomes fortes disputam apenas duas cadeiras. Se De Toni e Carlos se canibalizarem, Amin pode se beneficiar. Se o bolsonarismo se unir, o veterano corre risco. No fim, o Senado catarinense será decidido não pela esquerda, mas pela capacidade da direita de conviver com suas próprias divisões.

PL da dosimetria avança e segue para sanção do Presidente

O Senado aprovou na noite desta quarta-feira (17), por 48 votos a 25, o chamado PL da dosimetria (PL 2.162/2023), que ajusta critérios de cálculo e progressão de penas para condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. De autoria do deputado Marcelo Crivella e relatado pelo senador Esperidião Amin, o texto seguiu para sanção presidencial após intenso debate no Plenário e na CCJ.

Texto ajusta penas, diferencia responsabilidades e fortalece a justiça sem estimular a impunidade. A sessão foi presidida pelo senador Davi Alcolumbre (C) / Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Uma emenda acatada limitou a redução de penas exclusivamente aos envolvidos nesses atos, afastando o risco de benefícios a crimes violentos, organizações criminosas ou delitos contra a administração pública. Na prática, o projeto revisa a dosimetria para evitar punições desproporcionais dentro de um mesmo contexto delitivo, diferencia protagonistas, financiadores e líderes daqueles que não tiveram papel central, e atualiza regras de progressão de regime.

Também amplia a remição por trabalho em prisão domiciliar e redefine percentuais para mudança de regime, mantendo critérios mais rigorosos para crimes hediondos, com morte, milícias e organizações criminosas.

Corrigindo distorções

A aprovação do PL da dosimetria é um passo responsável e necessário. Ao corrigir distorções e reforçar a individualização da pena, o Congresso reafirma um princípio básico do Estado de Direito: punir com justiça, sem excessos e sem impunidade.

A limitação do alcance do benefício aos fatos específicos de 8 de janeiro confere segurança jurídica e responde às preocupações legítimas da sociedade. O texto promove racionalidade, reduz tensões institucionais e contribui para um sistema penal mais equilibrado, humano e eficaz, sem relativizar a gravidade dos atos antidemocráticos nem enfraquecer o combate a crimes graves. (Fonte: Agência Senado)

Participação do senador Esperidião Amin

Em pronunciamento, à bancada, senador Esperidião Amin (PP-SC). Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

No processo de tramitação e aprovação do PL da dosimetria, merece destaque o papel decisivo do senador catarinense Esperidião Amin (PP-SC). Na condição de relator da matéria no Senado, Amin conduziu o debate com equilíbrio, firmeza técnica e profundo respeito ao devido processo legal, em um dos temas mais sensíveis da agenda política recente.

Coube a ele a tarefa de construir pontes em um ambiente de forte polarização, acolhendo a emenda que restringiu os efeitos do projeto exclusivamente aos atos golpistas de 8 de janeiro. Essa decisão foi fundamental para afastar distorções, garantir segurança jurídica e viabilizar a aprovação do texto sem a necessidade de retorno à Câmara dos Deputados.

Sua condução responsável do relatório foi determinante para transformar um tema controverso em uma proposta equilibrada, capaz de avançar no Congresso e seguir para sanção presidencial.

SC: direita em pé de guerra

O anúncio de Carlos Bolsonaro (PL-RJ) como pré-candidato ao Senado por Santa Catarina foi o estopim de uma crise dentro do próprio campo bolsonarista.

Deputada Ana Campagnolo / Foto: Jeferson Baldo / Agência AL

A candidatura dele é vista por parte da direita catarinense como uma “intervenção de fora”, já que o estado tem lideranças locais consolidadas, como Caroline de Toni, Ana Campagnolo e até Daniel Freitas, que vinham sendo cotadas para a vaga.

A situação ficou ainda mais delicada com a troca de farpas públicas entre Carlos Bolsonaro e Campagnolo, algo que expôs as rachaduras internas do PL em SC. Caroline de Toni, por sua vez, tenta manter uma postura institucional, mas já sinaliza que pode mudar de legenda (o Novo seria uma opção) se o PL fechar questão em torno de Carlos.

Essa disputa é simbólica: revela a tensão entre o bolsonarismo “de origem” (família Bolsonaro) e o bolsonarismo catarinense, que quer mais autonomia.