Denúncia reacende desgaste político do vice-prefeito de Lages

Vice-prefeito de Lages, Jair Junior / Foto: facebook

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) denunciou um agente político de Lages, no caso, o vice-prefeito Jair Junior, por danificar patrimônio público ao furar, com um prego, o pneu de um carro oficial no pátio da Prefeitura, no domingo de Páscoa, 20 de abril de 2025. Câmeras de videomonitoramento teriam flagrado apenas ele circulando no local naquele dia, o que reforça a suspeita de autoria.

O denunciado já responde a outra ação penal por suposta violência contra mulher e agora enfrenta mais um processo, com base no artigo 163, inciso III, do Código Penal, que trata de dano qualificado por se tratar de bem público, prevendo multa e detenção. A Promotoria destacou que a conduta demonstra desrespeito às instituições e ao patrimônio público.

Imagem cada vez mais comprometida

A nova denúncia recoloca Jair Junior no centro de um noticiário que, infelizmente, não é positivo nem compatível com a liturgia do cargo que ocupa. Ainda que o princípio da presunção de inocência deva ser respeitado, a sucessão de episódios judiciais envolvendo um vice-prefeito fragiliza a imagem institucional da Prefeitura de Lages e compromete a confiança da população.

Se confirmada, a atitude de danificar deliberadamente um bem público revela não apenas imaturidade política, mas também desprezo pelo dinheiro do contribuinte e pelas regras mínimas de convivência democrática. Um agente público não pode agir como se estivesse acima da lei ou das instituições que jurou respeitar.

Mesmo antes de uma sentença, o caso exige uma postura firme e transparente do próprio vice-prefeito e da administração municipal. O silêncio ou a minimização do episódio só ampliam o desgaste. Em tempos de cobrança por ética e responsabilidade na política, Jair Junior precisará explicar-se à sociedade, e provar, com atitudes, que compreende a gravidade do cargo que ocupa, embora não exercendo de fato.

Vice de Lages é denunciado pelo Ministério Público (MPSC)

A denúncia da 10ª Promotoria de Justiça da Comarca de Lages cita os crimes de lesão corporal (duas vezes), cárcere privado, perseguição e invasão a dispositivo de informática. O objetivo é que o agente político seja condenado pelas práticas.

Vice-prefeito de Lages Jair Junior / Foto: Ascom Câmara de Vereadores de Lages

Relembre o caso

Na noite de 22 de março deste ano, a população de Lages foi surpreendida com a notícia de que um agente político do Município havia sido preso em flagrante por, supostamente, agredir a ex-namorada e mantê-la em cárcere privado durante pelo menos 12 horas. O episódio repercutiu rapidamente em todo o estado, por envolver violência contra mulher.

Prisão preventiva

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) pediu a prisão preventiva durante a audiência de custódia, mas o agente político pagou uma fiança e foi liberado.

A sequência das apurações trouxe à tona novos fatos, e agora ele foi denunciado pela 10ª Promotoria de Justiça da comarca e se tornou réu em uma ação penal por duas lesões corporais, cárcere privado, perseguição e invasão a dispositivo de informática.

Crimes previstos no Código Penal

Todos esses crimes estão previstos no Código Penal brasileiro, e o objetivo do MPSC é que o agente político seja condenado por eles. Segundo a denúncia, o agora réu já havia agredido a moça pelo menos uma vez, no primeiro dia do ano, logo após tomar posse para o cargo público. Na época, os dois ainda namoravam, e o agente político teria apertado os braços e o rosto da vítima por ela não querer postar uma foto com ele nas redes sociais.

Detalhes da denúncia

Ainda de acordo com a denúncia, na noite anterior à prisão, o réu teria convencido a ex-namorada a entrar no carro para tentar reatar o relacionamento. Porém, ao perceber que não atingiria o objetivo, ele teria dado a partida no veículo e levado a vítima à força até sua casa, chaveado todas as portas e janelas para que ela não pudesse deixar o local, e ligado o ar-condicionado para que possíveis pedidos de socorro não fossem ouvidos pelos vizinhos.

Então, o agente político teria se trancado no banheiro e tentado, sem sucesso, acessar o celular da ex-namorada. Na sequência, ele teria saído do cômodo e pedido a senha do aparelho para apagar mensagens comprometedoras, mas não teria sido atendido, então, teria desferido tapas no rosto da vítima e a sufocado com um travesseiro.

A moça só foi liberada do cárcere depois de dizer que amava o agressor e que não o denunciaria. Porém, mais tarde, ela foi convencida pela irmã a ir até a delegacia registrar um boletim de ocorrência e teria sido seguida pelo agente político enquanto se dirigia ao local. A prisão em flagrante foi feita na rua pela guarnição de plantão e, posteriormente, expediu-se uma medida protetiva para impedir qualquer aproximação.

Outros episódios

A denúncia ainda cita vários episódios anteriores em que o agente político teria perseguido a vítima, frequentando os mesmos lugares que ela, enviando mensagens ameaçadoras, acompanhando sua rotina por meio do perfil do Instagram de uma repartição pública, fazendo ligações de números desconhecidos e estacionando o carro próximo à residência dela para coagi-la. O caso segue tendo grande repercussão na cidade.

Fonte: Coordenadoria de Comunicação Social do MPSC – Correspondente Regional em Lages

Pré-candidato à Prefeitura de Lages tem direitos cassados

O colega Milton Barão trouxe em seu Blog, na manhã desta sexta-feira (12), a notícia de que a justiça decidiu cassar os direitos políticos de Elizeu Mattos por 14 anos, pré-candidato à Prefeitura de Lages pelo MDB.

Registro de Elizeu Mattos durante evento do MDB em Lages – Foto: Carla Rech

Segundo Milton, ele disse com exclusividade ao Blog que foi uma sentença dada há três meses da eleição, e que irá recorrer hoje mesmo, sendo que decisões assim precisam ser colegiadas (2ª Instância)

Sentença

Em sentença do magistrado Sérgio Luiz Junkes, juiz de direito da Vara da Fazenda Pública da Comarca de Lages, publicada em dará de 11/07/2014, ELIZEU MATTOS foi condenado a:

1) perda dos bens ou valores ilicitamente acrescidos ao patrimônio no valor de R$ 2.695.136,00.

2) Perda de função ou cargo público ocupado no momento do trânsito julgado da sentença condenatória.

3) Suspensão dos direitos políticos por 14 (quatorze) anos.

Dessa forma, Elizeu está oficialmente condenado, sendo que cabe recurso a instâncias superiores e ainda Mandado de Segurança para tentar garantir sua condição de candidato.

Por outro lado, conforme Elizeu Mattos, ele quer que as pessoas leiam o processo, ele é público, e tirem as suas próprias conclusões. “Motivo pelo qual continuo com minha candidatura e não deixo, em momento algum de ser pré-candidato”, disse.