Manejo da araucária leva comitiva de Lages à Brasília

Mesmo com os riscos do coronavirus, uma comitiva de vereadores de Lages, assessores, representantes da Amures, entre outros foi à Brasília para uma audiência com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

A intenção é boa, mas num período complicado. Mesmo assim, lá esteve para tratar sobre o projeto de Manejo Sustentável da Araucária. Uma luta que se arrasta a anos, de parte de especialistas serranos.

Na manhã desta quinta-feira (4), a deputada federal Carmen Zanotto (Cidadania) e o senador Jorginho Mello (PL) intermediaram a audiência junto Ministro.

É mais um passo para que o projeto possa, pelo menos, avançar. Numa das teses, é de que somente com o manejo controlado é que a araucária poderá ser preservada.

Foto: divulgação

Coxilha: soluções bem encaminhadas na ida à Brasília

A comitiva catarinense uniu produtores, lideranças rurais e políticas para tentar reverter o processo contra os 30 produtores da Coxilha Rica, na Serra Catarinense, notificados por fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no ano passado. Nesta quarta-feira (30), em Brasília, duas importantes reuniões aconteceram.

Conforme relatou-me o presidente da Associação Rural, Márcio Pamplona, na primeira reunião, com o presidente do Ibama Eduardo Fortunato Bim, ele ouviu o relato completo da questão. No final, pediu para que fosse protocolado de forma coletiva e individual, junto ao Instituto de Meio Ambiente (IMA), em Florianópolis, um pedido de sustação do processo, para que o órgão possa encontrar meios legais para dar uma solução ao caso.

No Ministério do Meio Ambiente

Na segunda reunião, junto ao Ministério do Meio Ambiente, a conversa acabou não acontecendo diretamente com o ministro Ricardo Sales, por ele estar comprometido com os problemas ligados à Brumadinho.

No entanto, a comitiva foi recebida pelo chefe de gabinete, o Coronel Antonio Roque Pedreira Junior, e pela secretária-executiva Ana Pellini, a qual, ocupava até recentemente, a presidência da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), no RS. Ela também travou uma luta em prol dos produtores em operação similar pelos fiscais do Ibama, naquele estado.

Segundo o presidente do Sindicato Rural, Márcio Pamplona, da mesma forma, o Ministério do Meio Ambiente deverá agir dentro da legalidade, e se propôs a fazer um estudo para que o problema possa ser revertido.

Para Márcio, as reuniões tiveram êxito, pois, o propósito era o de fazer com que eles tivessem o conhecimento e a gravidade do problema. O entendimento foi de que eles se mostraram intencionados a resolver a questão, de forma legal.

A comitiva

A comitiva catarinense esteve composta pelo prefeito em exercício Juliano Polese, a deputada federal Carmen Zanotto, o presidente do Instituto de Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), Valdez Rodrigues Venâncio, o procurador da República Nazareno Jorgealém Wolff, o presidente do Sindicato Rural de Lages, Márcio Pamplona e o presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) José Severino Pedrozo.

Entenda o caso

No ano passado fiscais do IBAMA atuaram na região da Coxilha Rica e notificaram com embargos e multas 30 produtores rurais do local, na operação batizada da “Campereando”. Nas justificativas das autoridades ambientais, a proteção do bioma Campos Sulinos, sendo que as áreas fiscalizadas estariam na condição de “vegetação secundária em estado inicial de degeneração” e demais descumprimentos da legislação ambiental.

Colaboração: Assessoria da Prefeitura de Lages e Assessoria da Sindicato Rural

Fotos: Pablo Gomes

Presença em Brasília

O prefeito interino de Lages, Juliano Polese (PP) está em Brasília. Nesta quarta-feira (30), participa de uma reunião na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), para tratar da duplicação da BR 116, no trecho urbano de Lages, e também da construção de um trevo para atender a Berneck.

Juliano também participa das audiências junto ao Ibama e ao Ministério do Meio Ambiente, juntamente com a comitiva de lideranças rurais e politicas, na tentativa de reverter o processo que culminou com as notificações, embargos e aplicação de multas, a produtores da Coxilha Rica, na Serra Catarinense.

Produtores da Coxilha: luta chega a Brasília

Nesta próxima quarta-feira (30), através de um esforço coletivo, lideranças rurais, empresariais e políticas vão estar em Brasília para audiências com o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Eduardo Fortunato Bim, e com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Sales.

O que se busca na Capital Federal é uma solução definitiva do problema que envolve os produtores da Coxilha Rica.

A questão está insustentável conforme explica o dirigente sindical de Lages. Pois, dos 30 produtores notificados, dois já foram multados com valores elevados, e outro está com a área embargada, mesmo com parecer judicial favorável pela liberação.

Apoio do Estado

Na última sexta-feira (25), representantes das áreas notificadas por fiscais do Ibama, estiveram reunidos com o secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável de Santa Catarina, Lucas Esmeraldino, em Florianópolis.

O encontro resultou no engajamento total do Secretário e do presidente do Instituto de Meio Ambiente (IMA), o coronel da reserva, Valdez Rodrigues Venâncio, que se comprometeram em acompanhar a comitiva à Brasília no meio da semana.

Promessa quebrada

A preocupação é grande com a situação, porque, conforme Márcio Pamplona, o Ibama não cumpriu com a promessa feiram em 2018, de protelar o prazo, em razão das notificações aos proprietários rurais, para que os mesmos pudessem reunir documentos e trabalhar na defesa. Assim, a necessidade de uma ação maior foi preciso ser articulada.

“Lixo Orgânico Zero” está entre os 20 melhores do país

O olhar para as ações ambientais em Lages precisa de muita persistência, e principalmente do engajamento de pessoas comprometidas com um processo permanente que existe cuidados e praticidade.

Semasa adere ao Projeto Lixo Orgânico Zero (2)É o que pode ser constatado no programa Lixo Orgânico Zero, desenvolvido em instituições e escolas municipais e estaduais de Lages, e que vem sendo trabalhado há dois anos.

O programa acaba de ser selecionado pelo Ministério do Meio Ambiente, em um grupo de 20 projetos em todo o Brasil, como uma “Ação Referência Educares”.

Isso significa que o programa está entre as 20 melhores ações de educação ambiental do país, que promovem soluções para os resíduos sólidos gerados nas cidades.

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Parceiros

O projeto Lixo Orgânico Zero é uma iniciativa com diversos parceiros, como as Secretarias Municipais do Meio Ambiente e da Educação, Gerência Regional de Educação (Gered), Serviço Social do Comércio (Sesc), Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV/Udesc), organizado a partir do Grupo Garis.

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Participação das escolas

Além da comunidade, o programa teve a adesão de 96 escolas municipais, entre Centros de Educação Infantil Municipal (Ceims), Escolas Municipais de Educação Básica (Emebs) e Escolas Municipais de Educação Fundamental (Emefs), estas no interior do município.

De acordo com a engenheira agrônoma da Secretaria de Educação, Katja Volkert Dal Pont, praticamente todas as escolas reaproveitam o lixo orgânico.

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Hortas escolares

Outro projeto que é desenvolvido paralelamente ao programa é o “Hortas Escolares”, na rede municipal.

Programa Lixo Orgânico Zero está entre os 20 melhores do país (2)Todo o lixo recolhido nas unidades se transforma em adubo para as hortas e jardins, de forma natural, através da compostagem.

As atividades têm envolvimento direto dos alunos como forma de educação ambiental nas escolas, de forma prática e dinâmica.

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Objetivo

Compostagem1O principal objetivo do programa é destruir todos os resíduos orgânicos gerados pelo município (1.100 toneladas por mês) na sua origem, próximo dos locais onde foi gerado, ou seja, em cozinhas de residências, condomínios, escolas e comércio, retirando esse resíduo do circuito tradicional da coleta pública de lixo e reduzir o custo do serviço em mais de R$ 2 milhões.

Utilizando-se do sistema de minicompostagens ecológicas, que foi desenvolvido pelo projeto, está sendo possível destruir grandes quantidades de resíduos (200 a 300 kg/metro quadrados/ano) em pequenos espaços como canteiros, jardineiras e vasos, sem que os resíduos fiquem visíveis e sem produção de odor desagradável, insetos e chorume.

A mistura com outros resíduos orgânicos abundantes, e de difícil decomposição, além do baixo custo e facilidade de manejo deste sistema, são os responsáveis pelo sucesso desta tecnologia, totalmente sob controle social.