Este foi o ponto mais questionado durante os depoimentos da CPI que investiga a compra dos 200 respiradores, e que começaram à tarde e entraram na noite, na Assembleia Legislativa, nesta terça-feira (2).

A ex-superintendente de gestão administrativa da Saúde Marcia Regina Geremias Pauli abriu os depoimentos. Só para ela foram quase quatro horas de interrogatório.
Ao ser perguntada sobre a responsabilidade da compra, Marcia foi taxativa. “A negociação foi fechada dia 26 de março pelo secretário Helton, que presidia o Coes [Centro de Operações de Emergência em Saúde”.
Ao deputado Fabiano da Luz (PT), ela respondeu que a definição da quantidade e as especificações sobre os respiradores vieram do então secretário-adjunto André Motta Ribeiro.
Indagada pelos deputados ser houve algum sinal por parte do governo sobre como operar em tais condições, Marcia disse não ter recebido nenhuma orientação.
A proposta da Veigamed
Outro questionamento feito pelo relator da CPI foi como a proposta da Veigamed chegou até ela. “Recebemos pelo whatsapp do secretário da Casa Civil, Douglas Borba”, respondeu a testemunha. De acordo com ela, o então secretário, que “sempre falava em nome do governador”, passava dados sobre várias empresas deste modo.
Governador mentiu
A testemunha surpreendeu os integrantes da comissão também ao afirmar que o governador do Estado mentiu quando disse, em entrevista à imprensa, que não sabia como funcionava o processo de compra dos equipamentos. “Ele faltou com a verdade”, argumentou. Segundo ela, todos sabiam como era o procedimento.
Douglas Borba
O ex-chefe da Casa Civil Douglas Borba garantiu aos membros da comissão parlamentar de inquérito (CPI) sobre os 200 respiradores artificiais adquiridos pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) que não teve qualquer participação nesse processo e que só ficou sabendo do pagamento antecipado de R$ 33 milhões no dia 22 de abril, quase 20 dias depois da conclusão da compra. Ele classificou o processo como desastroso, no qual “ritos não foram obedecidos”, e atribuiu toda a responsabilidade à SES.

Sobre a compra dos 200 respiradores, Borba garantiu que nem ele, nem o governador, sabiam do processo de aquisição junto à Veigamed. “Ficamos sabendo só no dia 22 de abril, quando o secretário Helton pediu uma reunião comigo e com o governador para reportar um problema, que era a compra desses respiradores”, disse.
Helton Zeferino
Na sua defesa, o ex-secretário da Saúde, Helton Zeferino, que foi o segundo a depor, também disse que não autorizou pagamento antecipado de respiradores.
Então, quem foi? É o que a CPI quer saber.
Fotos: Fábio Queiroz/Agência AL