O deputado Lucas Neves é o entrevistado do Tema Livre inédito desta sexta-feira (29). A conversa foi boa. Falamos sobre a problemática dos javalis em Santa Catarina, sobre o projeto das terceiras pistas da BR 282 e sobre os seminários em que se tem discutido a questão do autismo no Estado.
Lucas está pré-candidato à reeleição e reafirmou os compromissos que ainda o aguardam no restanto do mandato. Falou ainda dos inúmeros investimentos feitos através de emendas em praticamente 150 municípios, incluindo o mais recente, em Urubici. Confira, portanto, a entrevista no vídeo aqui do Blog, ou na NETV, a partir das 21h30.
O deputado estadual Lucas Neves fez um alerta diante de um corte expressivo nos recursos federais destinados às rodovias catarinenses.
Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, os investimentos despencaram de mais de R$ 1 bilhão em 2023 para menos de R$ 400 milhões previstos para 2026, uma redução superior a 60%.
A queda compromete obras estratégicas, como a implantação de terceiras faixas na BR-282, ligação vital entre o Litoral e a Serra. Além de melhorar o tráfego, o projeto é considerado essencial para a segurança, o turismo e o escoamento da produção. Apesar de avanços burocráticos, como estudos e previsão de licitação, tudo ainda depende da liberação de recursos, hoje incerta.
O cenário expõe, mais uma vez, a falta de prioridade do Governo Federal com Santa Catarina. Não se trata apenas de números em planilhas, mas de vidas colocadas em risco diariamente em rodovias precárias.
O atraso crônico e os cortes sucessivos revelam um descaso que trava o desenvolvimento de um estado que contribui fortemente para a economia do país. Promessas seguem sendo feitas, estudos são empurrados, mas a execução real continua distante, enquanto a população paga a conta com insegurança e prejuízos.
O deputado estadual Lucas Neves esteve na sede do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) em Santa Catarina para cobrar avanços em obras consideradas estratégicas na BR-282, especialmente no trecho entre o Litoral e a Serra Catarinense.
Entre os principais temas da reunião estiveram o andamento do projeto das terceiras faixas na BR-282/ O parlamentar foi recebido pelo superintendente estadual do órgão, Amauri Lima. / Foto: Assessoria de Imprensa
Entre os temas discutidos com o superintendente do órgão, Amauri Lima, estão o projeto de implantação de terceiras faixas e a busca por uma solução definitiva para o gargalo de trânsito no cruzamento da rodovia com a Avenida das Torres, em Lages.
O DNIT informou que os projetos de duplicação dos trechos urbanos da rodovia já foram contratados e que, em até seis meses, deverá apresentar um parecer técnico com a melhor solução de engenharia para o local, que pode incluir a construção de um viaduto ou outras intervenções.
Também foi discutido o projeto de terceiras faixas ao longo da rodovia, que prevê cerca de 16 quilômetros de pistas adicionais e melhorias em pontes e trevos. A conclusão do projeto deve ocorrer em abril, permitindo a abertura de licitação ainda neste semestre, embora as obras dependam da liberação de recursos do Governo Federal.
Segundo Lucas Neves, as intervenções são fundamentais para melhorar a segurança e a mobilidade na rodovia e para impulsionar o desenvolvimento da Serra Catarinense.
Por outro lado…
Embora os projetos avancem no papel, entendo que a execução efetiva dessas obras ainda em 2026 enfrenta um obstáculo adicional: o calendário eleitoral. Em anos de eleição, a máquina pública tende a operar em ritmo mais cauteloso, seja pelas restrições legais impostas pela legislação eleitoral, seja pela própria lentidão administrativa que costuma acompanhar períodos de transição política.
No caso das intervenções na BR-282, mesmo que os projetos avancem e a licitação seja lançada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, ainda existe o desafio da liberação orçamentária e da tramitação burocrática. Esses processos, que já são naturalmente demorados, podem sofrer novos atrasos quando coincidem com disputas eleitorais e mudanças de prioridades dentro do governo federal.
Na prática, isso significa que dificilmente obras estruturantes sairão do papel com rapidez neste ano. O mais provável é que 2026 fique marcado pela etapa de projetos, licitações e definições técnicas, deixando o início efetivo das intervenções para o próximo ciclo administrativo. Enquanto isso, motoristas que utilizam diariamente o trecho urbano em Lages continuam convivendo com filas, riscos e a sensação de que soluções estruturais para a rodovia ainda caminham em ritmo mais lento do que a necessidade da região.
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) confirmou a instalação de 19 novos radares de velocidade na BR-282, especialmente no eixo que liga a Serra Catarinense à Grande Florianópolis, incluindo trechos entre: Florianópolis, Palhoça, Santo Amaro da Imperatriz, Rancho Queimado, Alfredo Wagner, Bom Retiro (região serrana próxima a Lages).
Imagem criada pela IA ilustra simbolicamente a situação da BR 282 no trecho entre Lages e Florianópolis
Os equipamentos fazem parte da retomada da fiscalização eletrônica nas rodovias federais catarinenses.
Quando começam a funcionar
Instalação física: janeiro a março de 2026
Aferição técnica (Inmetro): após instalação
Início das multas: a partir de abril de 2026, de forma gradual
Implantação completa: até maio / primeiro semestre de 2026
Opinião: radares primeiro, estrada depois?
A instalação de 19 novos radares na BR-282 revela um contraste que incomoda quem depende diariamente da rodovia entre Lages e Florianópolis: a velocidade do Estado para fiscalizar não é a mesma para investir.
Ninguém discute a importância da segurança viária. Reduzir mortes é prioridade absoluta. O problema é outro, a lógica aplicada.
A BR-282 continua sendo, em grande parte, uma rodovia de pista simples, sinuosa e saturada. Motoristas enfrentam filas atrás de caminhões por quilômetros, sem áreas seguras de ultrapassagem. O risco não nasce apenas do excesso de velocidade, mas da própria falta de infraestrutura.
Instalar radares em uma estrada estruturalmente limitada pode acabar transferindo ao motorista a responsabilidade por um problema que também é de engenharia pública.
O usuário percebe algo simples: o governo chega primeiro com o equipamento que multa, e demora com o equipamento que resolve.
Terceiras pistas, acostamentos adequados e melhorias geométricas salvam vidas de forma permanente. Radares, sozinhos, apenas administram o risco existente.
A sensação que fica para quem roda diariamente é direta: há eficiência para arrecadar, mas lentidão para investir.
E enquanto a BR-282 segue esperando obras estruturantes, o motorista continua pagando, em impostos, em multas e, muitas vezes, em tempo perdido e insegurança.
O retorno dos trabalhos na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) foi marcado por fortes cobranças de deputados estaduais ao governo federal após uma sequência de acidentes graves nas rodovias federais durante o feriado prolongado. Parlamentares destacaram especialmente a situação crítica da BR-282 e da BR-101, apontando falta de obras estruturantes e atraso em projetos considerados prioritários para Santa Catarina.
Deputado Camilo Martins (Podemos) / Foto: Daniel Conzi/Agência AL
O deputado Camilo Martins criticou a ausência de investimentos na duplicação da BR-282, classificando a rodovia como “rodovia da morte” e defendendo a concessão à iniciativa privada como alternativa diante da inércia federal. Já o deputado Dr. Vicente Caropreso afirmou que os investimentos feitos na BR-101 são apenas pontuais e insuficientes frente ao crescimento econômico catarinense, enquanto a deputada Paulinha cobrou respostas urgentes diante do alto número de vítimas em trechos considerados críticos.
Problemas recorrentes
A tragédia expõe um problema recorrente: a distância entre discursos políticos e execução efetiva de obras. Enquanto parlamentares reiteram cobranças, muitas delas legítimas, a população segue enfrentando rodovias saturadas, perigosas e sem melhorias estruturais há anos.
Foto: Rodrigo Corrêa/Agência AL
A responsabilidade principal recai sobre o governo federal, que concentra a gestão das BRs, mas também evidencia a limitada capacidade de articulação política das bancadas parlamentares, que frequentemente anunciam reuniões e reivindicações sem resultados concretos.
Na prática, vidas continuam sendo perdidas não apenas por falhas humanas, mas pela ausência de planejamento, investimentos contínuos e decisões executivas que saiam do papel. O debate reaparece após cada tragédia, porém as obras seguem no campo das promessas, revelando um ciclo político de cobrança sem entrega efetiva à sociedade.
Uma nova reunião técnica promovida pelo Ministério Público Federal, realizada nesta segunda-feira (1º), na Associação Empresarial de Lages, avançou nas discussões sobre os projetos básicos de engenharia para melhorar pontos críticos da BR-282. O encontro reuniu representantes federais, municipais e lideranças locais, reforçando a necessidade de soluções estruturantes para a mobilidade e a segurança na Serra Catarinense.
Conduzido pelo Procurador da República Nazareno Jorgealém Wolff, o debate partiu de um diagnóstico preliminar apresentado pelo DNIT e pela empresa Engeplus. Entre as propostas em estudo, destaca-se a construção de um trevo completo no entroncamento entre a BR-282 e a BR-116, considerado o ponto mais crítico da rodovia.
A alternativa, porém, exige ampliação da faixa de domínio e novas desapropriações. Também entrou em pauta a possibilidade de uma rotatória alongada em frente à Cervejaria Eiswasser, visando melhorar o acesso a empresas e bairros próximos.
A prefeita Carmen Zanotto reforçou a urgência das intervenções, especialmente diante do crescimento urbano do bairro Santa Mônica e do impacto das vias marginais no fluxo de veículos. Já o presidente da ACIL, Antonio Wiggers, defendeu que as soluções considerem o desenvolvimento futuro da região, incluindo a duplicação da BR-282 até o acesso ao Salto Caveiras. Esse trecho também foi discutido, com alternativas como um trevo alemão canalizado.
Representantes do DNIT destacaram que os estudos serão concluídos levando em conta o alinhamento com a ANTT e a concessionária Arteris, para evitar sobreposição de projetos. Em março de 2026, a Engeplus deve apresentar esboços consolidados das propostas para os três trechos analisados.
Além das autoridades federais e municipais, participaram da reunião representantes da PRF, da CDL, da Engeplus e da comunidade do Salto Caveiras, reforçando a construção coletiva das soluções para uma rodovia mais segura e eficiente.
A CDL Lages reuniu, nesta segunda-feira (24), lideranças municipais, estaduais e federais para dar sequência ao debate sobre os projetos do DNIT voltados à duplicação, readequação e aumento de capacidade da BR-282, uma das obras mais esperadas e estratégicas para o futuro da Serra Catarinense.
A apresentação do Ministério Público Federal voltou a detalhar os lotes do edital, com atenção especial aos Lotes 7 e 8, que atravessam o perímetro urbano de Lages, e ao Lote 9, responsável pela interseção BR-282 x BR-116, considerado um dos gargalos mais críticos de toda a região.
Diversos trechos foram apontados como prioritários: acessos industriais, trevos urbanos, aeroporto, polos empresariais e ligações para cidades vizinhas, todos com impacto direto na segurança, na fluidez do trânsito e na competitividade econômica. Uma reunião técnica exclusiva para tratar da interseção BR-282/BR-116 está marcada para 1º de dezembro, na ACIL.
A importância do avanço dos projetos
A BR-282 é o principal corredor de integração do Oeste ao litoral e a espinha dorsal da economia serrana. A lentidão nos projetos e nas obras afeta diariamente milhares de motoristas, encarece o transporte de cargas, limita a expansão das indústrias e compromete a atração de novos investimentos. Cada etapa vencida nos estudos, licenças e definições técnicas representa menos risco na rodovia, mais segurança para a população e mais eficiência logística para a região.
Por isso, lideranças locais reforçaram a necessidade de acelerar decisões e garantir que os projetos avancem sem retrocessos. “Precisamos transformar anos de espera em resultados concretos”, destacou o presidente da CDL, Célio Bueno. A prefeita Carmen Zanotto enfatizou que a demora tem custo humano e econômico, e o superintendente do DNIT-SC, Amauri Souza Lima, garantiu continuidade no diálogo e no trabalho técnico.
A Serra Catarinense espera há décadas por essas intervenções, e cada reunião como a desta segunda-feira é mais um passo decisivo para tirar do papel obras que vão redefinir a mobilidade, fortalecer a economia e elevar o padrão de segurança da BR-282.
Fonte: Assessoria de Comunicação CDL Lages – Nathalia Goulart Melo
A presença do superintendente do DNIT em Santa Catarina, Amauri Lima, em Lages nesta segunda-feira (24), marca um movimento importante para finalmente encaminhar uma solução ao problemático cruzamento da BR-282 com a Avenida das Torres. Atendendo ao convite do deputado estadual Lucas Neves, a visita reforça a urgência de intervenções que aumentem a segurança e garantam fluidez ao trânsito em um dos pontos mais críticos da cidade.
Deputado Lucas Neves (Podemos) / Foto: Bruno Collaço / Agência AL
Lucas Neves articula uma ação conjunta entre DNIT e Prefeitura, com foco na implantação de um viaduto que resolva de forma definitiva o conflito entre o tráfego urbano e o rodoviário. A agenda também inclui outra pauta estratégica defendida pelo deputado: a construção das terceiras faixas entre Palhoça e Alfredo Wagner, medida considerada essencial para reduzir acidentes e melhorar o fluxo na BR-282.
A inspeção técnica no trecho com ponto de encontro no Posto Peruzzo, no km 216 destaca a importância de aproximar Lages das instâncias decisórias e manter o tema no centro do planejamento estadual e federal. Para a cidade, é uma oportunidade concreta de avançar em obras estruturantes que há anos fazem parte das reivindicações da comunidade.