Relatório final do reservatório da Casan em Florianópolis

A comissão que esteve encarregada de investigar o caso do rompimento de um reservatório da Casan, ocorrido no dia 6 de setembro de 2023, em Florianópolis, aprovou o relatório final sobre o caso. O documento, de 145 páginas, foi apresentado na manhã desta terça-feira (19), na Assembleia Legislativa.

Deputado Mário Motta lê o relatório final da comissão mista / Foto: Bruno Collaço / Agência AL

Conforme o relator, deputado Mário Motta (PSD), o trabalho final do grupo parlamentar corrobora os resultados obtidos pela polícia científica do estado, no qual a execução da obra foi apontada como em desacordo com o projeto original, sendo evidenciadas irregularidades nas dimensões das ferragens utilizadas nas armaduras de ligação, estribos e barras de pilares.

No relatório é recomendada a responsabilização de profissionais envolvidos, e sugerida uma série de providências à Casan e a órgãos públicos. O relatório irá servir de apoio para os processos judiciais, para as responsabilizações que devem acontecer.

Pelo relatório, o rompimento da parede da célula 2 do reservatório R4, localizado no bairro Monte Cristo, em Florianópolis, rompeu “pela incapacidade da parede estrutural em transferir aos pilares adjacentes os esforços exercidos pela massa de água que havia em seu interior, decorrente de falha humana e recomenda a responsabilização dos envolvidos. (Fonte: Agência AL)

Florianópolis: Casan paga as primeiras indenizações

Os catarinenses, e toda a opinião pública têm acompanhado a movimentação da Casan, em torno do atendimento às famílias do bairro Monte Cristo, em Florianópolis, e que sofreram com o rompimento do reservatório de água.

Nesta segunda-feira (11), segundo a assessoria da empresa, mais 17 famílias foram atendidas, fechando um total de 57 desde o sábado, chegando assim a um total de R$ 630 mil em antecipação de indenizações por danos físicos relacionados à enxurrada.

O valor médio de indenização foi de R$ 11 mil. Além disso, 11 veículos já estão encaminhados para indenização total. A avaliação inicial indica aproximadamente 220 famílias atingidas e 90 veículos danificados. Os adiantamentos estão sendo feitos aos danos em veículos, eletronegativos e roupas, entre outros.

Não entram ainda prejuízos nas residências, como muros e estruturas. A meta da Companhia é atender a maior parte das antecipações até o próximo fim de semana.

Enquanto isso, na abertura dos trabalhos na Alesc, nesta terça-feira (12), este deverá ser o assunto principal, incluindo pedidos de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

Foto: Ascom Casan

Rompimento da caixa d’água: adiantamento rovidenciado

Conforme prometido pelo próprio governador Jorginho Mello, a diretoria da CASAN fará, neste sábado (9), o pagamento adiantado de parte da indenização aos moradores da comunidade do Monte Cristo, em Florianópolis, atingidos pela força da água, após rompimento do reservatório, na última quarta-feira (6). Todo o processo está sendo coordenado pelo presidente da empresa, Edson Moritz.

Desta forma, durante todo o dia deste sábado, todos os moradores afetados e cadastrados terão direito à liberação adiantada dos recursos, conforme a documentação que comprova as perdas.

Perfil socioeconômico da comunidade

Segundo Moritz, a agilidade da CASAN na liberação desses recursos iniciais leva em conta o perfil socioeconômico da comunidade, integrada em sua maior parte por famílias de baixa renda.

Aproximadamente 150 casas foram vistoriadas, fotografadas e já contam com documentação para as avaliações de danos. Tudo será feito está sendo feito de forma individual e o pagamento sendo feito via conta bancária ou pix.

Foto: Acervo CASAN

Cogitada uma CPI para investigar rompimento de caixa d’água

O pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), segundo informações, já foi até protocolado na Assembleia Legislativa, devido à gravidade da ocorrência, registrada na última quarta-feira (6) no bairro Monte Cristo, em Florianópolis. Cerca de 170 famílias foram atingidas. Felizmente não houve vítimas fatais, porém, algumas se feriram, isso se for levar em conta a proporção do volume de água, de aproximadamente 8 milhões de litros.

Foto: Rodolfo Espínola/Agência AL

Denominada de “CPI do Reservatório”, o objetivo é investigar quais foram as causas a ruptura. A força da água destruiu a via pública, residências, veículos e estabelecimentos comerciais, causando enorme prejuízo à população local. Segundo já foi apurado, uma pessoa que reside próximo havia alertado a Casan, no domingo (3), de que havia vazamento de água, após constatar rachaduras.

Curiosamente a obra é recente. Foi finalizada em março de 2022, e custou à empresa, cerca de R$ 6 milhões. Por certo, na retomada dos trabalhos na Alesc, semana que vem, deverá ser o principal assunto na Alesc, entre os deputados. 

Nota oficial referente ao rompimento do reservatório

A Agência de Regulação de Serviços Públicos de Santa Catarina (Aresc) emitiu nota oficial, através da assessoria de imprensa, manifestando a preocupação e comprometimento com a situação ocorrida no bairro Monte Cristo na madrugada do dia 06 de setembro, em decorrência do rompimento do reservatório de água da CASAN, localizado no município de Florianópolis.

As equipes operacionais da Casan também fizeram o trabalho de limpeza de ruas, remoção de carros e cadastro de pessoas. Foto: Ricardo Wolffenbüttel / Secom

Disse entender a gravidade e os impactos significativos que essa ocorrência trouxe para a comunidade local, incluindo os potenciais riscos à segurança e ao bem-estar dos residentes. De outro lado, afirmou estar comprometida, em conjunto com as demais autoridades locais, a prestar todo o apoio necessário à população atingida por este acidente.

O diretor-presidente da Casan, Edson Moritz pediu desculpas pela tragédia e garantiu que será feita uma vistoria geral em unidades de reservação de água por todo o estado. Afirmou que a Companhia estará mobilizada para fazer vistorias gerais nos demais reservatórios de concreto, a fim de garantir a segurança do sistema hídrico e evitar futuros rompimentos.

Enquanto isso, o governador Jorginho Mello, que esteve no local, disse que já neste dia nove, será feito um adiantamento para que as famílias possam já ir adquirindo alguns bens e investir em reparos, e avançar até a completa indenização.

As equipes operacionais da Casan também fizeram o trabalho de limpeza de ruas, remoção de carros e cadastro de pessoas. Foto: Ricardo Wolffenbüttel / Secom

Prefeito quer apuração dos fatos

 O prefeito interino de Florianópolis João Cobalchini e a Secretária de Estado da Assistência Social, Mulher e Família Maria Helena Zimmermann também visitaram o local da ocorrência.

Na ocasião, reiterou que o fato precisa ser apurado e que a Prefeitura não vai se omitir. Ele garantiu que vai acompanhar e seguir fiscalizando, até que todas as pessoas sejam ressarcidas dos danos. Exige ainda que sejam apuradas as causas e que se houve alguma negligência ou irregularidade.