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Diante das inúmeras adversidades dos últimos tempos, o Correio Lageano, em seus 81 anos de história, publicou nesta sexta-feira (16), talvez, a mais importante e a mais triste notícia: a da sua última edição, encerrando assim, um ciclo histórico no jornalismo catarinense. Como profissional do meio, um fato recebido com imensa tristeza.

Matéria de capa de uma edição do início de dezembro de 2014
O comunicado, embora muito bem elaborado, deixa traços do que a decisão representa. Justamente em meio à uma situação agravada também pela crise da pandemia, mas que nos últimos anos, também um veículo pressionado pela força da tecnologia, pelo avanço da web mídia e das redes sociais. Tudo se justifica a partir da associação de fatores que também forçaram a extinção de impressos estaduais.
A nota oficial foi sim escrita e dita de coração aberto e sem rodeios, como sempre foi feito a cada impresso, ao longo de 81 anos.
Penso que, apesar de toda a relutância diante de uma decisão dura, não pode ser subjugado o orgulho de ter sobrevivido por tantos anos, assim, integrado à sua comunidade, simbolizando a razão do jornalismo verdadeiro.
Para finalizar meu lamento e meu respeito, escolhi um trecho do comunicado que resume por completo o que representa o fim do periódico Correio Lageano, que acabou sucumbindo às modernidades da mídia, e assim, assinalou numa última página, o seu ponto final.
“As edições chegavam às bancas e às casas dos assinantes sem escolher ocasião, nos bons e nos maus momentos. Havia uma história a ser contada e assim foi feito, sempre em busca de dias melhores e em defesa da liberdade de imprensa e dos direitos de todos. A cidade cresceu, a região se desenvolveu, o país mudou e durante oito décadas tudo isso foi registrado nas páginas do Correio Lageano”.
Meu aplauso
Por fim, meu aplauso ao Jornal, à direção, e a todos os colaboradores do passado e do presente, que doaram parte de suas vidas pela manutenção histórica do jornal; por todo esse longo tempo. A página online, também será desativada, o que também lamento. Mas o que foi escrito, em cada página, jamais se perderá. Cada texto será mantido nos anais da história, e para sempre contar aos que virão, de que Lages teve um gigante impresso diariamente, mas que, num certo dia de maio de 2020, se despediu das bancas.



