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Com o título, “Sinotruk: a história que poucos sabem” a entrevista mostra toda a celeuma envolvendo a oficialização da vinda à Lages, da montadora chinesa de caminhões, a Sinotruk, teve momentos extremos. Não havia, por parte dos empreendedores, nenhuma descrença quanto à decisão em favor do Município. A temeridade era maior, ou seja, a de que ela não visse mais para o Brasil. Sobre o assunto, nossa reportagem conversou demoradamente com o investidor lageano, Mauro Wolfart, que contou com exclusividade todo o embaraço vivido no decorrer do processo, e que criou os diversos entraves até a oficialização para Lages, Santa Catarina.
Posto aqui algumas perguntas e respostas publicadas no Vitrine Lageana:
PC – Sr. Mauro, após todo esse difícil processo, o que pode ser dito a respeito da Sinotruk?
MW – Depois da confirmação definitiva da Sinotruk para Lages, o trabalho agora está sendo feito em torno do detalhamento do projeto final, com adequação às normas brasileiras. A terraplenagem deve começar ainda este ano, em dezembro, ou no mais tardar em janeiro, e a construção da fábrica, provavelmente em abril ou maio. Desde já está sendo feito um trabalho para que se transfira para Lages a empresa importadora que hoje está sediada em Curitiba (PR), e que faz a revisão e a montagem dos caminhões antes da entrega. Junto com ela virão cerca de 40 mecânicos e todo o quadro de vendas dos caminhões importados. Fazendo isso, abre-se a possibilidade de que também se inicie o treinamento de outros profissionais. Essa empresa importadora, posteriormente vai se transformar na fábrica. A transferência pode ocorrer em janeiro de 2014.
PC – Mas em momento algum vocês deixaram de acreditar?
MW – Sempre se acreditou que empresa viria para Lages. A temeridade era de que se perdesse o embalo do projeto e até mesmo o interesse dos chineses, que sempre disseram que somente montariam uma fábrica no Brasil se ela produzisse no mínimo, cinco mil caminhões por ano. Caso contrário não se viabilizaria a instalação. Por outro lado, a importação dos caminhões vem ocorrendo desde 2009, com vendas crescentes, tanto, que até 2012 já haviam sido instaladas 36 revendas. As dificuldades da legalização da entrada dos caminhões no Brasil, às enfraqueceram. Por mais de um ano, nenhuma dessas revendedoras recebeu caminhões; ficaram sem o produto no mercado, devido à retenção no Porto de Itajaí, de 400 caminhões, pagos, inclusive. Eles chegaram em agosto de 2012 e só foram liberados agora, em setembro de 2013. Diante do quadro, a empresa importadora ficou descapitalizada. Dentre as despesas, juros altíssimos e estadia dos caminhões no porto, gerando um prejuízo de mais de R$ 100 milhões no período.
PC – Nesse entremeio foram muitas as especulações, inclusive, de a fábrica ir par outra cidade?
MW – Diante da consolidação da fábrica para o Brasil e a liberação dos caminhões do Porto, Lages, como já era a cidade escolhida, não houve em nenhum movimento para escolha de outro local, e o projeto foi levado à diante. Portanto, não há mais receio de que a empresa deixe de vir. Mas houve receio de que ela não viesse nem mesmo para o Brasil. Por outro lado, foi preciso o entendimento de que de cada 15 itens a serem usados na fabricação dos veículos, 10 têm de ser nacionais.
PC – E como tudo se definiu para que os chineses optassem por Lages? Não foi assim, do nada?
MW – Não. Antes de a empresa Sinotruk decidir foi realizada ampla pesquisa de mercado, e o curioso, é que Lages perdeu em todos os quesitos. Entre os problemas, a falta de Aeroporto funcionando; uma região que não tem estradas duplicadas para facilitar a logística de automóveis e nem a distribuição de peças. E, uma empresa desse porte precisa estar bem localizada e ter ampla estrutura de distribuição. Além disso, culturalmente a cidade não tem espírito empreendedor e de trabalho. Outro item que pesou foi o alto índice de reclamatórias trabalhistas na região. Ainda outros fatores, foram citados, tais como a falta de cursos na área, falta de mão-de-obra especializada, entre outros itens.
PC – Mas como, então Lages, reprovada em todos os quesitos conseguiu atrair a empresa?
MW – Primeiro, porque havia alguém do grupo de investidores, de Lages, e que persistiu na ideia de trazer a empresa. Mas, o que mais pesou mesmo foi a participação do governador Raimundo Colombo, que lutou com todas as forças. Pois, nesse caso, não basta apenas influência política. Empresas desse porte avaliam toda a tecnicidade para instalação do empreendimento, e Lages, infelizmente, está na contramão disso. Os governos estadual e municipal acabaram concedendo muitos benefícios, caso da doação do terreno, mais a terraplenagem e a isenção de impostos. Mas não somente isso. No pacote da Carta de Intenções, o Governo do Estado se comprometeu em fazer o aeroporto em Correia Pinto funcionar; em criar cursos de Engenharia Mecânica e Mecatrônica e ajudar a desenvolver essa cultura. Então, em tudo o que Lages perdia para outras cidades, Raimundo Colombo se comprometeu em fazer por aqui. E toda essa luta em prol do empreendimento, acabou então sendo decidido por Lages, contrariando totalmente informações ventiladas pela imprensa que a Sinotruk estaria migrando para Caxias do Sul.
PC – Para finalizar, o que o Sr. gostaria de dizer, em especial?
MW – Faço questão de frisar, por uma questão de justiça e reconhecimento, de que o governador Raimundo Colombo, dirigentes do Município, e os demais colaboradores como o presidente da SCPar, Paulo César da Costa, Jurandi Agustini e Marcelo Schlichting, todos tiveram grande participação desde o começo do processo. Mas o que pesou mesmo foi o fato de o governador Raimundo Colombo ter aceitado muitas das condições, mas só o fez, desde que o empreendimento viesse para Lages. Caso contrário, não. O Governador teve influência direta na consolidação oficial do projeto Sinotruk e se comprometeu a dar toda a logística estrutural na instalação da fábrica em Lages.
OBS: a entrevista completa você pode ler na edição especial de nº 100 do Vitrine Lageana





