Em um encontro marcado pela franqueza e pela memória política, o ex-governador Raimundo Colombo se reuniu com parte da imprensa lageana na noite desta sexta-feira (10), no Rancho Rochedo, em Lages, para um jantar-palestra que foi além do protocolo: tornou-se uma verdadeira prestação de contas de sua trajetória pública.

Sob o tema “O trabalho que construiu o presente”, Colombo fez uma imersão nos bastidores de sua gestão à frente de Santa Catarina entre 2011 e 2018, destacando que os avanços registrados não foram obra do acaso, mas resultado de visão estratégica, planejamento e, sobretudo, coragem para enfrentar desafios políticos e burocráticos.
Ao longo de quase duas horas, detalhou os caminhos percorridos para viabilizar obras estruturantes em Lages, como a nova ala do Hospital Tereza Ramos, além de abordar projetos emblemáticos no Estado, a exemplo da revitalização da Ponte Hercílio Luz.
Também relembrou o polêmico asfaltamento da Coxilha Rica, obra que, segundo ele, acabou sendo alvo de narrativas políticas que distorceram sua finalidade pública. O asfalto foi feito no outro extremo, longe das suas propriedades.
Colombo ainda trouxe à tona episódios de articulação em nível federal, incluindo a relação institucional com a então presidente Dilma Rousseff, ressaltando a importância do diálogo para destravar investimentos e garantir entregas relevantes ao Estado.
Sem evitar temas delicados, comentou sobre os enfrentamentos judiciais que marcaram sua trajetória, posteriormente arquivados, mas que, à época, serviram como combustível para adversários. Para ele, a experiência reforça a necessidade de preparo e resiliência na vida pública.
O encontro, proposto como uma conversa sobre trabalho, resultados e futuro, também abriu espaço para reflexões sobre o cenário político atual. Colombo reconheceu a carência de lideranças na região serrana e admitiu que avalia a possibilidade de disputar uma vaga à Câmara Federal. A decisão, segundo ele, deve ser tomada até o fim de abril.
Embora ressalte que uma eventual candidatura a deputado não seja um projeto pessoal, mas uma resposta a uma demanda regional, Colombo demonstra que conhece o terreno político e sabe que reúne condições reais de êxito.
Ao mesmo tempo, deixou claro que já fez uma escolha importante no tabuleiro estadual: declinou de uma eventual candidatura ao governo no próximo pleito em favor do agora ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues, ambos do PSD. “É a hora do João”, resumiu, sinalizando alinhamento político e estratégia partidária.
em suma, entre conquistas e dissabores, o ex-governador evidenciou que, mais do que revisitar o passado, está atento aos movimentos que podem definir seu próximo capítulo na vida pública.








Por outro lado, o silêncio sobre seus próximos passos mantém o meio político em estado de expectativa. Com um currículo que inclui passagens pela Prefeitura de Lages, Assembleia Legislativa, Câmara dos Deputados, Senado e Governo do Estado, Colombo segue como uma peça relevante no tabuleiro, mesmo fora da disputa direta pelo Executivo.


Por outro lado, o ex-governador Raimundo Colombo (PSD), segundo colocado na disputa ao Senado em 2022, acompanha atentamente o desenrolar do processo e é apontado como um dos interessados na eventual reconfiguração do cenário político, e pode assumir a vaga em caso de cassação de Seif. 