Nos bastidores da política catarinense, dois nomes do PSD/SC vêm sendo sondados para compor a chapa de reeleição do governador Jorginho Mello (PL) em 2026 como vice-governador: o deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa, Júlio Garcia, e o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto.
Foto: Bruno Collaço / Agência AL
Por hora, entretanto, Júlio Garcia já anunciou que pretende disputar uma vaga na Câmara dos Deputados em 2026, reduzindo as chances de figurar como vice. Com isso, o nome de Topázio Neto ganha ainda mais força nos cálculos do governador.
Cenário paralelo
Paralelamente, o PSD também mantém aberta a possibilidade de candidatura própria ao governo, tendo como principal nome o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, já colocado como pré-candidato da sigla. O cenário mostra que o PSD está dividido entre apoiar Jorginho Mello na reeleição ou apostar em protagonismo próprio, o que deve esquentar ainda mais as articulações até 2026.
O governador Jorginho Mello acompanha a posse da prefeita eleita de Lages Carmen Zanotto, marcada para às 15 horas, dessa quarta-feira (1º de janeiro de 2025), no Teatro Bom Jesus.
Antes, pela manhã, às 10 horas, estará presente na posse do prefeito, Peterson Crippa da Silva; vice-prefeito, Leandro Schiefler Bento; e vereadores eleitos de Laguna, na Câmara de Vereadores, em Laguna.
À noite, às 19 horas, marca presença na posse do prefeito, Topázio Neto; vice-prefeita, Maryanne Mattos; e vereadores eleitos, na ALESC – Plenário Deputado Osni Régis, em Florianópolis.
A já esperada eleição de Adriano Silva (Novo), em Joinville se confirmou, com ampla vantagem, com 78,69%. Em Florianópolis, a mesma situação de vantagem era prevista para Topázio Neto (PSD).
Topázio foi reeleito com 58,49% / Foto: Facebook
A dúvida pairava para Blumenau, não sobre a vantagem tida na campanha de parte do Delegado Egídio, mas pela possibilidade de segundo turno. Mas, ele chegou muito à frente, sendo eleito com 51,40%. Dentre os três, dois têm o aval do governador Jorginho Mello, Topazio e Egídio.
Prefeito Topázio Neto à frente nos apontamentos de pesquisas / Foto: Facebook
Em Florianópolis, se depender dos índices das pesquisas, o atual prefeito Topázio Neto, se encaminha para vencer o pleito, ainda no primeiro turno. A mais recente pesquisa divulgada pela Exame, mostra a intenção de voto dos eleitores de Florianópolis SC.
Com quase 50% das intenções de voto, Topázio mantém larga diferença sobre o segundo, o deputado estadual Marquito (Psol), que soma 13,8%. Já Dário Berger (PSDB), com 13,1% vem em terceiro, e praticamente sem conseguir ainda decolar. Os demais candidatos estão mais abaixo.
Além disso. Dário Berger aparece como o mais rejeitado entre os candidatos, com 36,3%. Como se vê o quadro eleitoral na Capital, traça o caminho para a reeleição de Topázio Neto.
A política chega a ser cômica em certos momentos. No passado recente, Gean Loureiro (UB) tinha em Topázio o seu fiel parceiro na Prefeitura de Florianópolis, na condição de vice. Aos olhos do eleitor, tais brigas por interesses não são bem vistas. Mas, para os políticos pouco importa. A conveniência é o que conta. Vieram as eleições para o Governo, lá estava Gean, também de mãos dadas com Topázio e o PSD.
O ex-prefeito Gean Loureiro preside do União Brasil na Capital e está seguro da decisão em apoiar Dário Berger (PSDB), à Prefeitura / Foto: Instagram
Obviamente, no atual momento, a distância dificilmente terá reparação. O caminho seguido por Gean, ao decidir entrelaçar-se com Dário Berger, hoje no PSDB, e pré-candidato à Prefeitura de Florianópolis, criou uma instabilidade dentro do próprio partido, que sempre esteve propenso a apoiar a reeleição de Topázio Neto (PSD), à Prefeitura da Capital.
Intervenção
Há nesse percurso até mesmo pedido de intervenção do União Brasil, cuja decisão final deverá ser tomada no início da semana que vem, provavelmente. Enfim, se dará o veredicto interno se haverá mesmo a intervenção; se o apoio será dado à Topázio, ou se o partido se encaminha para a aliança na coligação com Dário Berger. Esta é a política, e seus caminhos.
Enquanto isso, o União Brasil, em Florianópolis, ainda sob o comando de Gean Loureiro, tem agendada sua convenção para este sábado, 20, tendo o nome da ex-secretária municipal Maria Goulart (UB), para compor a majoritária com Dário, na condição de vice. Expectativa, portanto, para ver como tudo termina, com ou sem intervenção.
Sob o entendimento de que o município não pode simplesmente ficar assistindo o sofrimento e as necessidades da população que vive em situação de rua, medidas aparentemente radicais estão sendo tomadas.
Portanto, em Florianópolis, o prefeito Topázio Neto (PSD, assinou no início da tarde desta última segunda-feira (4), o projeto que prevê a internação involuntária. Segundo o prefeito, a intenção é salvar estas pessoas, propiciando tratamento adequado e devolvê-las à sociedade recuperadas.
De acordo com o texto do projeto, serão oferecidos cuidados médicos e apoio multidisciplinar às pessoas em situação de rua, especialmente aquelas afetadas pela dependência química ou transtornos mentais. Disse ainda, que entre elas, existem bandidos disfarçados, mas que estes terão que se entender com a Polícia.
Além do aval do Legislativo, o projeto passa a ser aplicado de acordo com as normativas legais. Projeto similar também está em andamento no município de São José.
A questão é complexa e difícil de lidar. É preciso ter coragem, determinação, e saber quais os caminhos seguir para dar uma solução a um dos maiores problemas que afligem a sociedade brasileira, a do drama dos moradores em situação de rua, e muitos com danos irreversíveis ocasionados por algum tipo de dependência química. É preciso uma reação determinada, para que sejam encontradas alternativas para, na verdade, salvar essa gente.
Programa Internação involuntária em Chapecó é acompanhado de perto pelo prefeito João Rodrigues / Foto: Ascom PMC
Em Chapecó, a internação involuntária de dependentes químicos, originou ações futuras, e que se transformaram em exemplo a outros gestores catarinenses, como os de Criciúma, Balneário Camboriú, e mais recente, de Florianópolis.
Os demais, não têm coragem, talvez, para encarar essa desigualdade social com a mesma determinação. A iniciativa é árdua. Tem diversos entraves, jurídicos, inclusive, e a desaprovação de classes políticas.
Atitude radical
A “guerra” declarada pelo prefeito João Rodrigues, em Chapecó, pode ser considerada radical. Mas, através de um projeto de lei, e com amparo das forças de segurança do município, dos familiares e até mesmo da justiça, está determinado a dar uma vida melhor a todos os que hoje habitam as ruas da cidade, mas sem nenhuma perspectiva de vida futura.
Ou recruta, abriga, interna, trata essas e pessoas, e depois encaminhar para uma nova vida pessoal e profissional, é a maneira mais viável encontrada, na visão do gestor chapecoense. E mais, afirmou não querer ver pontos de Chapecó se transformar em uma “cracolândia”.
Em Florianópolis
O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, está agindo também com rigor, até onde a lei permite. Tanto que a Câmara dos Vereadores de Florianópolis sediou, na semana que passou, uma audiência pública que teve como pauta principal a condição atual de pessoas em situação de rua no município.
Reunião na Câmara, em Florianópolis / Foto: Ascom
A ação ocorreu por meio da Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Pública e contou com a presença representantes do Executivo Municipal, da mesma forma que órgãos como o Ministério Público, a Polícia Militar do Estado de Santa Catarina e representantes da sociedade civil.
Cadastro
Segundo o Censo dos Moradores em Situação de Rua na Cidade realizado em novembro deste ano, até o momento, 968 pessoas foram cadastradas pelo programa que é comandado pelas secretarias de Assistência Social e Segurança e Ordem Pública da Capital, sendo 779 homens e 189 mulheres.
Ao todo, 301 dos cadastrados são de Santa Catarina, e 667 pessoas são de outros estados. Apenas 123 são naturais de Florianópolis, e 845, de outras cidades. Além disso, de todos, somente 448 estavam presentes nos serviços de acolhimento fornecidos pela Prefeitura, 520 não estavam.
Recomendação
A prefeitura de Florianópolis está analisando a recomendação das defensorias públicas da União (DPU) e a de Santa Catarina para que suspenda o avanço do projeto de lei que prevê internação involuntária de pessoas em situação de rua.
A recomendação, divulgada na sexta-feira (9), segundo as defensorias, é apoiada na reforma psiquiátrica existente desde 2001, que adota a internação involuntária como medida excepcional.