O silêncio que mata: violência contra a mulher em SC

Dados do Observatório da Violência Contra a Mulher da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) revelam um cenário alarmante: entre 2020 e 2025 foram registrados 445.225 crimes de violência contra mulheres no estado, média de 198 ocorrências por dia. Os números evidenciam uma crise social persistente, marcada por ameaças, agressões e feminicídios, geralmente cometidos por parceiros ou ex-companheiros.

Um “X” na palma da mão é um sinal silencioso de que uma mulher está em situação de violência doméstica ou abuso e precisa de socorro / Foto: Rodrigo Corrêa/Agência AL

O levantamento mostra que a violência segue um padrão progressivo, iniciado por controle psicológico e ameaças,  tipo de crime que lidera os registros. Outro dado preocupante é o descumprimento de medidas protetivas: uma em cada quatro ordens judiciais não é respeitada em Santa Catarina.

No período, 329 mulheres foram assassinadas, sendo que 85,7% das vítimas não haviam registrado boletim de ocorrência contra o agressor, indicando medo e subnotificação. Já 71,4% dos autores possuíam antecedentes policiais, demonstrando reincidência previsível.

Somente em 2026, dados parciais apontam quase 7 mil casos de violência, com cinco feminicídios registrados até agora. O crescimento contínuo das ocorrências reforça a necessidade de políticas públicas mais eficazes, fiscalização das medidas protetivas e ampliação da rede de acolhimento.

Autoridades destacam que enfrentar a violência de gênero exige ação integrada do Estado e incentivo à denúncia, lembrando que canais como 190 e 181 permanecem disponíveis para emergências e denúncias anônimas.