Oferta menor deve manter aquecido preço do pinhão

Com uma oferta em média 35% menor que a safra do ano passado, o preço do pinhão deve se manter aquecido nesse início de colheita. É o que preveem pesquisadores, produtores rurais, colhedores e autoridades que participaram na manhã dessa terça-feira, primeiro de abril, da abertura oficial da colheita do pinhão, em Painel.

 

O preço do quilo da iguaria deve variar entre R$ 10,00 e 15,00 nas gondolas dos estabelecimentos comerciais. A solenidade que prenunciou a colheita, aconteceu na propriedade denominada Morro do Baixeiro, cerca de 2 Km do perímetro urbano de Painel. Uma sapecada foi feita para comemorar a chegada da colheita.

Maior produtor

O município é considerado o maior produtor de pinhão de Santa Catarina, com estimativa de 70% da produção estadual. De acordo com a lei 15.457, de 17 de janeiro de 2011 é proibida a colheita, transporte e a comercialização da semente antes do dia 1º de abril. A partir de agora, os colhedores e proprietários rurais iniciam a colheita que deve se estender até agosto.

Abertura da safra

A solenidade de abertura da colheita foi organizada pela Epagri em parceria com a prefeitura de Painel. Segundo o engenheiro agrônomo José Márcio Lehmann, gerente regional da Epagri em Lages, ao menos 30% das famílias do meio rural da Serra Catarinense, tem no pinhão uma das principais fontes de renda nessa época do ano.

Informações e fotos: Onéris Lopes

Safra agrícola 2021-2022 e as interferências do clima

Em um ótimo conteúdo jornalístico, o colega Iran Rosa de Moraes, retrata o cenário da safra agrícola de Lages, em dois importantes pontos: Coxilha Rica e de Santa Terezinha do Salto.

Otimismo de parte dos produtores não falta, com relação à produção obtida e com a lucratividade das lavouras, resultado de boas práticas de manejo e valorização do preço dos grãos.

Sem dúvida, a assistência técnica e de comercialização de cereais de duas principais cooperativas agrícolas: a Copercampos e a Cooperplan, contam e muito.

Problemas climáticos

Na reportagem, Iran aponta um problema que precisa ser levado em consideração. Segundo ele, neste final do mês de maio os agricultores lageanos ainda não concluíram a colheita das lavouras de soja e milho da safra 2021-2022, devido aos períodos de chuvas ocorridos sucessivamente em abril e maio.

Com isso, a colheita da soja atrasou em cerca de 20 dias, apresentando perdas, porém consideradas pouco significativas, na qualidade e produtividade dos grãos.

Muita chuva

O volume de chuvas foi muito expressivo, nos meses de março (140mm), abril (150mm) e em maio (300mm), provocando o atraso na colheita da soja, um dos cereais mais cultivados nas regiões da Coxilha Rica e de Santa Terezinha do Salto Caveiras.

Nessas áreas, planta-se também o milho, feijão, na safra de verão, e mais o trigo, triticale e pipoca, além de aveia e azevém. Além disso, as chuvas prolongadas, e em excesso, causaram sérios problemas nas estradas, e a manutenção tem de ser intensificada.

Na avaliação de produtores

O agricultor Osvaldo Uncini, pioneiro na produção de cereais, em larga escala, mantendo lavouras tanto na Coxilha Rica como em Santa Terezinha do Salto, disse que embora tenha havido influência negativa do clima, as perdas na atual safra não foram significativas.

Um dos pioneiros no plantio de cereais na Coxilha Rica, Jandir Rodrigues, disse que a safra 2021-2022 será compensadora, por conta da utilização de boas práticas de manejo das lavouras, como rotação de culturas e correção do solo, por exemplo.

Avaliação técnica

O agrônomo das duas unidades da Copercampos, localizadas na região da Coxilha Rica, o engenheiro Emanuel Mattos, apresenta em números a estimativa de colheita da safra 2021/2022, e faz a seguinte avaliação dos principais cultivos realizados no período:

“Nessa safra 21/22, a soja plantada em outubro e de ciclo mais curto, foi mais afetada com a estiagem, já a soja plantada em novembro e com ciclo mais longo, foi menos prejudicada por esse estresse hídrico. Estima-se que haverá uma quebra de 20% nestas lavouras de soja.

O maior problema foi na cultura do milho, onde as estiagens de dezembro e janeiro afetaram diretamente a polinização do milho, que é o momento que a cultura está mais suscetível a estresse hídrico. As lavouras de feijão terão, no geral, 35% de perda de produtividade, e o milho, no geral, 60% de quebra na safra. Mesmo assim, podemos acreditar em perspectivas de desenvolvimento e lucratividade nas lavouras”, segundo comenta Emanuel Mattos.

Observe os números estimados da colheita da Coxilha Rica (Lages-Capão Alto/SC) – safra 2021/2022

Soja:

Área Plantada – 6.000 hectares

Produção – 16.200 toneladas (270 mil sacos)

Quebra de Safra – 20%

Feijão:

Área Plantada – 1.000 hectares

Produção – 1.200 toneladas (20 mil sacos)

Quebra de Safra – 35%

Milho:

Área Plantada – 2.500 hectares

Produção – 9.000 toneladas (150 mil sacos)

Quebra de Safra – 60%

Trigo (safra inverno 2021):

Área Plantada – 500 hectares

Produção – 1.620 toneladas (27 mil sacos)

Informações: Texto: Iran Rosa de Moraes / Fotos: Toninho Vieira

Estiagem: cerca de R$ 3,7 bi de prejuízo nas lavouras de SC

O prejuízo com a estiagem que atinge Santa Catarina desde o ano passado é superior a R$ 3,7 bilhões à agricultura do Estado.

Milho, soja e feijão são as culturas mais prejudicadas pela falta de chuva / (foto: Antonio Carlos Mafalda)

O valor representa o somatório das perdas verificadas até o momento nas lavouras catarinense de milho (grão e silagem), soja e feijão, primeira safra.

Os dados são da Epagri/Cepa, que faz a avaliação econômica das principais cadeias produtivas do agronegócio catarinense, a fim de oferecer informações para elaboração de políticas públicas e para balizar a tomada de decisão.

Em termos econômicos, a cultura agrícola mais atingida até o momento é a soja primeira safra, que já soma prejuízos de aproximadamente R$ 1.576 milhões. Ou seja, 21,6% da safra está comprometida, o que significa 552 mil toneladas a menos na colheita.