Aguiar lamenta déficit de representação no Congresso

O assunto não é novidade e foi amplamente observado. No entanto, a questão está longe de ser esquecida. O presidente da FIESC, Mário Cezar de Aguiar, mais uma vez, trouxe à tona o fato que está, de certa forma, preocupando no campo político, e com viés no meio produtivo.

O presidente da FIESC, Mario Cezar de Aguiar, ressalta a falta de representatividade do Sul, no Congresso / (Foto:Filipe Scotti)

Conforme ressalta em artigo, a composição das novas mesas diretoras do Senado e da Câmara evidencia, mais uma vez, o descompasso entre a riqueza gerada ao País pelos estados do Sul e do Sudeste e a representatividade destas regiões no Congresso.

As duas regiões estão subrepresentadas e, assim, terão menos influência nas decisões, embora SP, sozinho, tenha PIB equivalente ao da Argentina e SC supere o de países como Paraguai ou Uruguai.

Modelo incoerente

No Senado, o atual modelo incoerente, em que todos os estados têm três representantes, levou Norte e Nordeste a ficarem com todas as vagas. Na Câmara, as 256 posições ocupadas pelo Sul e pelo Sudeste correspondem à metade menos 1 deputado do total (513). Significa que se os políticos dessas regiões estivessem articulados, poderiam comandar a Casa.

Aguiar reforça de que não se trata de estabelecer um confronto entre regiões. Mas é legítimo buscar maior equilíbrio. A FIESC é testemunha do esforço dos deputados e senadores catarinenses na defesa dos interesses do estado, mas parlamentares e população devem tomar consciência e partir para a ação na busca da rediscussão do pacto federativo.

Projeto de Lei

Um passo essencial nesse sentido é o avanço do Projeto de Lei 148/2023 do Deputado Pezenti, que dispõe sobre a representação dos estados na Câmara. Nem deveria ser necessário.

O próprio STF já se pronunciou nesse sentido, já que significa apenas aplicar o que diz a Constituição: o número de parlamentares deve ser ajustado periodicamente, com base nos dados do IBGE. Contudo, isso não ocorre mais desde 1993. Se aplicado o censo de 2022, o número de deputados de SC passaria de 16 para 20. Um pequeno avanço.

Campanha Serrano Vota em Serrano chega às escolas

Advogados da Comissão da OAB de Lages iniciaram, nesta segunda-feira (25/08), visitas aos Ensinos Médios da cidade para conscientização dos jovens eleitores sobre a importância do processo eleitoral e do voto regional.

escola serranoAté o final da semana, a estimativa é de que mais de sete mil alunos tenham assistido às palestras.

Nos encontros são apresentados desde a abordagem histórica do início do voto até leis e processos que permeiam os poderes legislativo e executivo, bem como os argumentos da Campanha Serrana Vota em Serrano.

Escola serrano1Nas visitas é falado, também, sobre a divisão dos poderes executivo e legislativo, como se entrelaçam e as funções que competem aos deputados.

Porém, principalmente, é dado destaque à importância de votar em candidatos que representem a região serrana.

(Informações e fotos: Puel Assessoria)

As campanhas pelo voto ‘regional’

bottonCampanhas visando valorizar os votos regionais não é uma exclusividade da Serra Catarinense.

Nos últimos anos, a tendência por eleger candidatos da região vem ganhando força em campanhas realizadas por Associações Comerciais e Empresariais no interior do país.

Este ano, cidades como Franca (400km de SP), Uberaba (MG) e Lages (Serra Catarinense) são exemplos de onde o tema vem ganhando destaque.

O grande propósito é um só, ou seja, de eleger candidatos que estejam mais próximos à população local e evitar o desperdício de votos com os “paraquedistas”, aqueles tidos como candidatos que aparecem na cidade ou região somente para levar os votos e nunca mais retornam.

Em Santa Catarina, os efeitos da campanha “Serrano Vota em Serrano” são percebidos nas urnas.

Voto nossoCampanha na região de Franca, interior de SP

Segundo Luiz Spuldaro, presidente da ACIL, nos anos que houve a campanha a região elegeu 2 deputados federais em 2002 e um em 2006, ocasião em que os votos regionais foram de 80% e 72% respectivamente. Na eleição de 2010 quando essa campanha não ocorreu a região não elegeu nenhum deputado federal.

Observo que:

A Serra Catarinense parece ainda não ter despertado para a necessária mudança comportamental em vários setores. No político por exemplo, não tem nenhum representante no Parlamento. Distribui votos e não valoriza os seus candidatos.

É uma região pobre política e economicamente. A esperança é de que ocorra uma reversão do quadro nos próximos anos, com a instalação, ainda em 2014, da montadora chinesa de caminhões, Sinotruk e da fábrica de aviões, Novaer Craft.

Tem ainda, a inauguração de um dos maiores shoppings do Estado, em outubro, e que deve absorver só nele, mais de mil empregos diretos. A aposta é que o reflexo disso tudo chegue política.

Felizmente está de volta a campanha “Serrano Vota em Serrano”!

Sem representatividade

Gosto de tocar no assunto da representatividade política, o que na verdade, a Serra Catarinense tem muito pouco a celebrar.

Carmem Zanotto deputada federal1Deputada Carmem, a única parlamentar na defesa dos interesses políticos da Serra

Tirando o nome do governador Raimundo Colombo que é de Lages, mas trabalha por todos os catarinenses, sobra apenas a suplente de deputada, Carmem Zanotto (PPS), na ativa.

O único deputado estadual que a Serra contava, era Elizeu Mattos (PMDB), que preteriu a Assembleia Legislativa, para eleger-se prefeito de Lages.

Assim, a região, órfã de titulares no parlamento catarinense, inicia de forma bem antecipada a correria para a disputa para ver quem se habilita à condição de pré-candidato, por hora, ao pleito de 2014.

São muitos, e por esta razão, o risco de não eleger ninguém, é real. Voltarei a falar no assunto.