O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) confirmou a instalação de 19 novos radares de velocidade na BR-282, especialmente no eixo que liga a Serra Catarinense à Grande Florianópolis, incluindo trechos entre: Florianópolis, Palhoça, Santo Amaro da Imperatriz, Rancho Queimado, Alfredo Wagner, Bom Retiro (região serrana próxima a Lages).

Os equipamentos fazem parte da retomada da fiscalização eletrônica nas rodovias federais catarinenses.
Quando começam a funcionar
Instalação física: janeiro a março de 2026
Aferição técnica (Inmetro): após instalação
Início das multas: a partir de abril de 2026, de forma gradual
Implantação completa: até maio / primeiro semestre de 2026
Opinião: radares primeiro, estrada depois?
A instalação de 19 novos radares na BR-282 revela um contraste que incomoda quem depende diariamente da rodovia entre Lages e Florianópolis: a velocidade do Estado para fiscalizar não é a mesma para investir.
Ninguém discute a importância da segurança viária. Reduzir mortes é prioridade absoluta. O problema é outro, a lógica aplicada.
A BR-282 continua sendo, em grande parte, uma rodovia de pista simples, sinuosa e saturada. Motoristas enfrentam filas atrás de caminhões por quilômetros, sem áreas seguras de ultrapassagem. O risco não nasce apenas do excesso de velocidade, mas da própria falta de infraestrutura.
Instalar radares em uma estrada estruturalmente limitada pode acabar transferindo ao motorista a responsabilidade por um problema que também é de engenharia pública.
O usuário percebe algo simples: o governo chega primeiro com o equipamento que multa, e demora com o equipamento que resolve.
Terceiras pistas, acostamentos adequados e melhorias geométricas salvam vidas de forma permanente. Radares, sozinhos, apenas administram o risco existente.
A sensação que fica para quem roda diariamente é direta: há eficiência para arrecadar, mas lentidão para investir.
E enquanto a BR-282 segue esperando obras estruturantes, o motorista continua pagando, em impostos, em multas e, muitas vezes, em tempo perdido e insegurança.




