Operação Carne Fraca investiga corrupção em presídio da Serra

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) e do Grupo Especial Anticorrupção (GEAC), deflagrou nesta quinta-feira (26) a Operação Carne Fraca em uma unidade prisional da Serra Catarinense. A ação apura suspeitas de corrupção, violação de sigilo funcional e advocacia administrativa dentro do presídio.

Durante a operação, foi cumprido mandado de prisão preventiva contra um policial penal que exercia a função de diretor da unidade, além de quatro mandados de busca e apreensão relacionados à investigação, conduzida pela 15ª Promotoria de Justiça da Comarca de Lages.

As apurações indicam que, entre março e outubro de 2025, teria havido um esquema de favorecimento a um apenado, com concessão de benefícios irregulares em troca de vantagens materiais e pessoais. Segundo o Ministério Público, o então diretor teria interferido informalmente em procedimentos da execução penal após estabelecer relação pessoal com a companheira do preso investigado.

O nome da operação faz referência à entrega recorrente de carnes nobres ao agente público, apontadas como parte das vantagens indevidas, além de simbolizar a fragilidade ética das condutas investigadas.

O processo tramita sob sigilo, e novas informações devem ser divulgadas após a publicidade dos autos. O GAECO atua como força-tarefa integrada por órgãos de segurança e fiscalização, enquanto o GEAC é especializado em investigações de crimes complexos contra a administração pública.

Fonte:  Coordenadoria de Comunicação Social do MPSC

Operação Carne Fraca preocupa em SC

O governador Raimundo Colombo se reuniu, neste domingo à tarde, com os secretários da Agricultura, Moacir Sopelsa, da Fazenda, Antonio Gavazzoni, da Casa Civil, Nelson Serpa, e da Comunicação, João Debiasi, o secretário adjunto da Agricultura, Airton Spies, e os presidentes da Cidasc, Enori Barbieri, e da Epagri, Luiz Hesmann, para avaliar os reflexos da operação Carne Fraca para Santa Catarina.

impacto

Colombo disse que a rigorosa fiscalização dos produtos de origem animal no Estado sempre buscou garantir a qualidade na produção e na comercialização dos produtos.

“Esse rigoroso controle permitiu que Santa Catarina conquistasse o mercado brasileiro e o de mais de 150 países. Temos uma tradição consolidada pelo trabalho e dedicação do povo catarinense”, afirmou o governador.

A preocupação do governo é a de preservar a saúde dos consumidores, mas também não pode abrir mão dos empregos que a agroindústria gera e de proteção às famílias produtoras.

Nesta segunda às 17h20min, o governador promove nova reunião para tratar do assunto na Casa da Agronômica.

Foto: James Tavares / Secom

Operação Carne Fraca: Faesc emite nota

         Em face da “Operação Carne Fraca”, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta sexta-feira, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC) vem a púbico para condenar veementemente as ações criminosas praticadas por funcionários de alguns dos maiores frigoríficos do País mancomunados com fiscais agropecuários do Ministério da Agricultura.

         A venda e o uso de carnes sem as condições adequadas de consumo humano no processamento de produtos industrializados é um crime contra a saúde pública que deve ser rigorosamente apurado e, seus autores, penalizados.

         Essa conduta ilícita causa prejuízos à imagem do Brasil e pode criar embaraços junto aos mercados mundiais duramente conquistados nas últimas décadas através de esforços dos produtores rurais e das agroindústrias.

         A FAESC entende que Santa Catarina e o Brasil possuem as mais avançadas cadeias produtivas de carnes, com base numa agropecuária sustentável e uma indústria moderna. Os crimes investigados pela Polícia Federal representam uma excepcionalidade que deve ser reprimida com a força da lei.

         A FAESC lamenta que os produtores rurais, cuja contribuição ao desenvolvimento nacional é imensa, possam ser prejudicados com esses atos criminosos, justamente eles que geram emprego, renda e alimentos de qualidade para a população.

         Confiamos na ação dos órgãos competentes para a elucidação dos fatos e a adoção de medidas para que nunca mais se repitam.

                  José Zeferino Pedrozo

         Presidente