Republicanos redesenha o tabuleiro político na Serra

A política catarinense vive mais um daqueles movimentos silenciosos, mas profundamente estratégicos. A filiação da prefeita de Lages, Carmen Zanotto, ao Republicanos, acompanhada pelo deputado estadual Lucas Neves, não representa apenas uma troca de partido. É, na prática, um reposicionamento político que pode influenciar diretamente o cenário eleitoral de 2026 e o equilíbrio de forças na Serra Catarinense.

Movimento reforça alinhamento com o governo estadual e projeta novas articulações eleitorais para 2026

Portanto, Carmen deixa o Cidadania em um momento em que sua gestão busca consolidar articulações institucionais e ampliar diálogo com o Governo do Estado. A escolha pelo Republicanos não parece casual. A sigla tem se fortalecido como uma espécie de braço aliado do projeto político liderado pelo governador Jorginho Mello, e essa aproximação sinaliza, claramente, um alinhamento estratégico.

Peso político

Mais do que isso, Carmen chega ao novo partido com peso político. Não se trata de uma filiação comum. A prefeita carrega consigo capital eleitoral, experiência administrativa e forte representatividade regional. Ao ingressar no Republicanos, ela passa a ser uma peça importante na construção partidária em Santa Catarina, ajudando a consolidar a legenda como protagonista nas próximas disputas eleitorais.

Lucas

O movimento de Lucas Neves reforça ainda mais essa leitura. O deputado demonstra, ao acompanhar Carmen nessa transição, que há um projeto político regional sendo desenhado. A proximidade entre ambos já é conhecida, e a decisão conjunta indica que o Republicanos busca formar um grupo coeso, capaz de ampliar espaço político e eleitoral. Assim como ele, a deputada federal Geovania de Sá (PSDB), deverá seguir o mesmo caminho de Carmen e Lucas, em março próximo.

Tendência

Dentro desse contexto, a mudança também revela uma tendência cada vez mais presente na política contemporânea: partidos deixam de ser apenas espaços ideológicos e passam a ser instrumentos estratégicos dentro de projetos maiores de poder e governabilidade. A construção de nominatas competitivas e a busca por maior musculatura eleitoral passam a ser determinantes.

Para a Serra Catarinense, o impacto pode ser significativo. A região, que historicamente busca maior representatividade e protagonismo dentro do Estado, pode ganhar força com uma articulação política mais alinhada ao governo estadual. Ao mesmo tempo, essa reorganização também deve provocar reações e reposicionamentos de outras lideranças e partidos.

Por fim

No fim das contas, a ida de Carmen Zanotto e Lucas Neves ao Republicanos mostra que o tabuleiro político já começou a ser montado para as eleições futuras. E, como sempre ocorre, quem se movimenta antes tende a chegar mais preparado quando o jogo, de fato, começar.

Carmen tem data e hora para assinar com o Republicanos

A filiação da prefeita de Lages Carmen Zanotto ao Republicanos, marcada para a próxima segunda-feira (2), vai muito além de um ato protocolar de troca de partido. Trata-se de um movimento político carregado de simbolismo e estratégia, tanto para o futuro da gestora lageana quanto para o tabuleiro eleitoral catarinense de 2026.

Carmen chega ao Republicanos em um momento em que a sigla vive clara expansão em Santa Catarina, surfando na onda de fortalecimento do governador Jorginho Mello (PL) e se posicionando como aliada central do projeto de reeleição.

Ao aderir a esse campo político, a prefeita sinaliza pragmatismo: escolhe um partido que cresce, tem acesso direto ao Palácio Barriga Verde e dispõe de musculatura nacional, algo cada vez mais relevante para quem governa uma cidade do porte de Lages e precisa destravar recursos, parcerias e visibilidade.

O peso do ato. com a presença de Jorge Goetten e do presidente nacional Marcos Pereira, revela que Carmen não está apenas “entrando” no Republicanos; está sendo incorporada como ativo político estratégico.

Para o partido, é um ganho duplo: agrega uma prefeita de uma das maiores cidades do interior e incorpora uma liderança com histórico parlamentar consistente e imagem de gestora técnica, sem grandes arestas ideológicas. Em um cenário de polarização, isso conta pontos.

Do ponto de vista de Carmen, a filiação também a reposiciona no jogo estadual. Ela deixa de ser apenas uma prefeita bem avaliada no Planalto Serrano para se tornar uma peça relevante em uma engrenagem maior, alinhada a um projeto de poder que já pensa 2026. É uma aposta em protagonismo, ainda que com o custo de se vincular mais diretamente a um grupo político específico, o que sempre gera bônus e ônus.

Já para o Republicanos, a narrativa é clara: o partido deixa de ser coadjuvante em muitos municípios e passa a ocupar espaço real de poder administrativo, não só legislativo. Ao atrair gestores bem avaliados, a sigla constrói uma vitrine de “governabilidade” que pode ser decisiva na disputa por novas filiações e alianças.

Em resumo, o ato de segunda-feira não é apenas uma cerimônia partidária. É um recado político: Carmen Zanotto escolheu lado, o Republicanos escolheu vitrine, e Jorginho Mello ganha mais um elo importante na cadeia de sustentação de sua reeleição. Em Santa Catarina, quem ainda achava que o Republicanos era apenas um partido satélite precisa atualizar o radar.

Projeto prevê pena maior para crimes em escolas

Os crimes ocorridos em Santa Catarina, em Saudades, no Oeste do Estado, em 2021, e em Blumenau, em 2023, contra crianças e professores em escolas, motivaram decisões na forma da lei, e que tornam mais rígidas as punições contra os agressores.

O deputado Jorge Goetten (MDB/SC) foi o relator do projeto / Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados

Com a relatoria do deputado catarinense Jorge Goetten, a Câmara aprovou esta semana projeto do Executivo, (Projeto de Lei 3613/23) que aumenta a pena para assassinato de professor dentro de escola.

Segundo o texto, a pena padrão de reclusão de 6 a 20 anos pode ser aumentada em 1/3 se o homicídio na instituição de ensino for cometido contra pessoa com deficiência ou com doença que acarrete condição limitante ou de vulnerabilidade física ou mental.

O aumento de pena será de 2/3 se o autor é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge, companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer outro título tiver autoridade sobre ela, ou, ainda, se é professor ou funcionário da instituição de ensino.

Quanto ao crime de lesão dolosa, haverá agravante (1/3 a 2/3 de aumento da pena) se ele for praticado nas dependências de instituição de ensino. Em certas situações será considerado crime hediondo. A proposta será enviada ao Senado. (Fonte: Agência Câmara de Notícias)