Diferente do que se viu com o primeiro entrevistado, o presidente Jair Bolsonaro, que aliás, não vi como a uma entrevista, e sim uma inquisição, o candidato do PT teve toda a liberdade para falar o que quis, no Jornal Nacional, da Globo. As questões foram brandas e concordadas, inclusive, com a “inocentação” de Lula das acusações da Lava Jato. Aliás, pelo que foi dito, a maior operação anticorrupção do país foi destroçada nas palavras do candidato, e repito, com a concordância dos entrevistadores.

Teriam eles centenas de questionamentos que poderiam deixar o candidato na pior das situações. Mas não. Tudo o que se apurou e se fez de ruim nos recentes governos do PT passaram em branco. Preferiram falar do governo de Dilma Rousseff, dando amplo espaço.
Lula reconheceu que houve corrupção no governo dele, mas deu a entender que era coisa somente de diretores que enriqueceram, e tiveram que devolver dinheiro, após delações. Prometeu punir a quem se corromper, caso volte a governar o País. Citou Bolsonaro e as interferências, acusando que ele troca as pessoas somente por não gostar. Disse ainda que Bolsonaro não manda nada, e quem decide é o Congresso, que é um “Bobo da Corte”.
Por fim, não foi praticamente interrompido, e deram munição para que ele pudesse expor somente o pensamento de campanha e como vai agir caso volte a ser presidente. Comparou a militância que apronta nas ruas como torcida organizada. Lula deixou quicando assuntos sérios, como a citação de fascismo no Brasil, mas a grande jornalista buscou uma pergunta previamente pronta. Enfim, Lula pareceu um pregador, quase santo. Falou muito, não disse nada.
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