Alesc: Governador apresenta balanço da gestão

O governador Jorginho Mello abriu o ano legislativo na Assembleia Legislativa de Santa Catarina nesta terça-feira (3) e apresentou um balanço da gestão estadual. Durante o discurso, ele afirmou que todas as ações previstas no Plano de Governo estão em execução e destacou que o Estado registra o maior volume de investimentos da sua história.

Foto: Roberto Zacarias/Secom GOVSC

Segundo o governador, Santa Catarina chegou a 2026 com orçamento recorde de R$ 57,9 bilhões e investimentos públicos que somam R$ 13,2 bilhões desde o início da gestão. Ele também ressaltou avanços em áreas como segurança pública, saúde, educação e infraestrutura, além da atração de investimentos privados e geração de empregos.

Entre os resultados citados, estão a ampliação de leitos de UTI, realização de mais de 1,23 milhão de cirurgias, melhorias nas escolas estaduais, recuperação de rodovias e programas voltados ao desenvolvimento econômico e social. O governo ainda destacou ações de prevenção a desastres naturais e a implantação de novos programas estratégicos para o crescimento do Estado.

Lei do Cão Comunitário: caramelos agora têm direitos

Santa Catarina passou a contar com a Lei 19.726, que institui a Política Estadual de Proteção e Reconhecimento do Cão e Gato Comunitário. Sancionada pelo governador Jorginho Mello, a norma foi proposta pelo deputado Marcius Machado (PL) e ganhou ainda mais relevância após a comoção pela morte do cão Orelha, em Florianópolis.

A legislação reconhece como cães e gatos comunitários aqueles sem tutor formal, mas que mantêm vínculos de cuidado com moradores, comerciantes ou instituições locais. Entre os principais pontos, a lei autoriza a instalação de abrigos, casinhas, comedouros e bebedouros em áreas públicas, respeitando critérios de salubridade, segurança e mobilidade urbana.

O texto também proíbe a remoção, prisão ou transferência desses animais sem justificativa técnica e sem aviso aos cuidadores identificados, além de vedar práticas de maus-tratos, abandono forçado e qualquer ação que coloque em risco sua integridade. Impedir o fornecimento de água, alimento e abrigo também passa a ser proibido.

Cabe ao Poder Público garantir a proteção, o acompanhamento e o controle sanitário dos cães e gatos comunitários, podendo firmar parcerias com entidades da sociedade civil, universidades e consórcios intermunicipais. A lei está em vigor desde 22 de janeiro e representa um avanço na proteção dos animais em situação de rua no Estado.

Análise da entrevista de Colombo à Rádio Menina

A fala de Raimundo Colombo durante entrevista à Rádio Menina, de Balneário Camboriú, chama atenção pela contradição política que carrega. Ao mesmo tempo em que prega diálogo, moderação e responsabilidade, o ex-governador adota um tom duro ao classificar o atual governo de Santa Catarina como “medíocre”, sem apresentar uma alternativa programática clara além da exaltação ao prefeito de Chapecó, João Rodrigues, justamente um quadro do seu próprio partido.

Entrevista à Rádio Menina / Foto: reprodução/divulgação

A crítica ganha contornos ainda mais questionáveis quando se observa que Colombo condena candidaturas “sem vínculo com o Estado” e fala em “ato de desamor por Santa Catarina”, mas endossa um projeto que, até aqui, se sustenta mais em discurso e visibilidade regional do que em um debate consistente sobre os gargalos estruturais que ele mesmo aponta.

No fim, a entrevista parece menos um chamado ao diálogo e mais um reposicionamento político: Colombo tenta se recolocar no jogo de 2026 atacando o governo atual, enquanto prepara o terreno para um nome aliado, num movimento que soa pragmático, mas pouco coerente com o tom elevado que ele diz defender para a política.

Por outro lado

Há ainda um ponto que não passa despercebido nos bastidores: se Raimundo Colombo afirma não ter, “neste momento”, intenção de disputar cargos em 2026, por qual razão voltou a ocupar espaço frequente na mídia, emitir juízos duros sobre o governo e fazer leituras detalhadas do cenário eleitoral? Em política, exposição raramente é gratuita.

A reaproximação com o debate público sugere, no mínimo, uma estratégia de reposicionamento, seja para testar seu próprio recall eleitoral, seja para se manter como fiador de um projeto partidário, seja para preservar capital político para uma eventual entrada tardia no jogo.

Ao adotar o papel de analista e crítico, Colombo tenta recuperar protagonismo sem assumir compromisso formal com uma candidatura. É um movimento clássico: manter-se “disponível” politicamente, aquecer o nome, influenciar o tabuleiro e, ao mesmo tempo, não fechar portas. No discurso, não é candidato; na prática, voltou a agir como quem não quer sair de cena.

JR e o desafio estadual

Prefeito João Rodrigues  / Foto: Facebook

João Rodrigues decidiu dar um salto ousado: deixar a prefeitura de Chapecó em março de 2026 para disputar o governo de Santa Catarina. É um movimento calculado, mas arriscado. Ele aposta que o “choque de gestão” aplicado no Oeste catarinense pode convencer o eleitorado estadual. O problema é que, fora de Chapecó, o discurso ainda não encontra eco suficiente.

O lançamento da pré-candidatura, com cinco mil pessoas e a presença de lideranças de União Brasil, PP e MDB, foi um espetáculo pensado para mostrar força. Mas política não se mede apenas em palanques lotados. Dentro do PSD, há quem torça o nariz para Rodrigues, e a sensação de isolamento persiste. O apoio de Júlio Garcia e Eron Giordani é importante, mas não basta para blindá-lo das resistências internas.

Difícil caminho

Rodrigues enfrenta um dilema: precisa se vender como alternativa viável ao governador Jorginho Mello, que deve buscar a reeleição com a máquina estadual a seu favor. Para isso, terá que provar que não é apenas o “prefeito de Chapecó” tentando jogar em um campeonato maior. Sem alianças sólidas, corre o risco de ser visto como candidato regional, incapaz de dialogar com o restante do estado.

Em resumo, João Rodrigues tem energia, discurso e vitrine. Mas ainda lhe falta musculatura política. Se não conseguir costurar apoios além do Oeste, sua candidatura pode se transformar em um voo curto, barulhento na largada, mas sem fôlego para chegar ao pódio.

Ao Senado

A eleição para o Senado em Santa Catarina em 2026 será um duelo interno da direita. Caroline De Toni surge como favorita, com discurso afinado ao bolsonarismo. Carlos Bolsonaro tenta se firmar no estado após transferir seu domicílio eleitoral, mas ainda carrega a pecha de “importado do Rio”. Já Esperidião Amin aposta na experiência e na identidade catarinense para segurar sua vaga.

O problema é que três nomes fortes disputam apenas duas cadeiras. Se De Toni e Carlos se canibalizarem, Amin pode se beneficiar. Se o bolsonarismo se unir, o veterano corre risco. No fim, o Senado catarinense será decidido não pela esquerda, mas pela capacidade da direita de conviver com suas próprias divisões.

Avaliação: Santa Catarina em 2025 e perspectivas para 2026

O ano de 2025 foi marcado pela consolidação do Governo do Estado em Santa Catarina, com foco na gestão, obras de infraestrutura, equilíbrio fiscal e forte discurso de eficiência administrativa. O Executivo manteve uma base política relativamente estável, priorizou entregas regionais e buscou evitar grandes embates ideológicos, adotando uma postura pragmática e técnica na maior parte das decisões.

Foto: Paulo Chagas

Ao mesmo tempo, o ambiente político começou a dar sinais claros de pré-campanha. Movimentos internos, reposicionamentos partidários e disputas veladas por protagonismo ganharam força, especialmente entre lideranças que enxergam 2026 como um ano decisivo para redefinir forças no Estado e no cenário nacional.

Em 2026

Para 2026, a expectativa é de um governo mais político e menos administrativo. A agenda tende a ser impactada pelo calendário eleitoral, com maior exposição de ações, disputas por narrativa e tensão entre situação e oposição.

Santa Catarina deve entrar no ano eleitoral com um governo buscando mostrar resultados, enquanto adversários tentarão explorar desgastes naturais de gestão, um cenário típico, mas que promete intensidade e polarização.

Investimentos históricos no sistema prisional de SC

O ano de 2025 marcou um divisor de águas na gestão prisional de Santa Catarina. Com o lançamento do programa Administração Prisional Levado a Sério, o Governo do Estado anunciou o maior investimento da história do setor: R$ 1,4 bilhão destinados à infraestrutura e à contratação de pessoal, garantindo a criação de mais de 9,5 mil novas vagas no sistema.

Os recursos viabilizam a construção de novas unidades, a ampliação de presídios existentes e a desativação de estruturas antigas, promovendo uma mudança estrutural e planejada na política prisional. O avanço reposiciona Santa Catarina como referência nacional em segurança pública.

Entre os principais marcos de 2025 estão a formatura de cerca de 1.700 novos policiais penais, o maior reforço de efetivo da história da carreira, além da modernização com novos armamentos, coletes, drones e viaturas. O RECAP – Núcleo de Busca e Recaptura ganhou estrutura própria e protagonismo, realizando 160 prisões, incluindo foragidos de alta periculosidade.

A ressocialização também teve destaque. O programa ReabilitaCÃO foi ampliado e ganhou reconhecimento nacional, enquanto o trabalho prisional alcançou números inéditos: 9.500 pessoas privadas de liberdade trabalhando, o equivalente a 33% da população carcerária, índice acima da média brasileira. A inclusão feminina avançou, com mais de 600 mulheres envolvidas em atividades produtivas em unidades do Estado.

Entrega de viaturas Polícia Penal Foto: Divulgação/Secom

Na educação, 54% dos internos participaram de ações educacionais em 2025, com crescimento em todos os níveis, do ensino básico ao superior, além do aumento expressivo de inscritos no Encceja PPL e no Enem PPL.

Projetos estruturantes como a Ouvidoria da Mulher, o PADoc para emissão de documentos dentro das unidades, a valorização dos servidores e a nomeação de novos técnicos reforçaram a gestão. No cenário nacional e internacional, Santa Catarina também se destacou ao compartilhar experiências inovadoras em eventos como a COP Internacional 2025.

Com investimentos, valorização profissional, foco em segurança e ressocialização, 2025 consolidou-se como um ano histórico, preparando o sistema prisional catarinense para um futuro mais eficiente, humano e seguro.

JR no Jogo, mas ainda sem time

A confirmação da pré-candidatura do prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD) ao governo de Santa Catarina coloca mais um ingrediente na disputa estadual de 2026. O prefeito de Chapecó já anunciou inclusive a data em que deixará o cargo, no dia 23 de março, para se dedicar integralmente ao projeto. É um movimento ousado, que revela convicção pessoal e apoio interno do PSD, mas que, por enquanto, não passa de uma cruzada solitária.

Rodrigues tenta se posicionar como uma alternativa dentro da própria direita catarinense, ocupando um espaço distinto do atual governador Jorginho Mello, que buscará a reeleição com a força natural do cargo e boa exposição de governo. João se apresenta como mais “duro” ideologicamente, reforçando que nunca apoiou governos do PT, numa tentativa de se diferenciar e atrair eleitores que desejam renovação sem romper com esse campo político.

Falta o essencial

Mas, apesar da disposição, falta-lhe o essencial para viabilizar uma candidatura majoritária competitiva: um time. Até aqui, Rodrigues não tem nome definido para vice, nem para o Senado, e tampouco consolidou alianças partidárias fora do PSD. A própria pré-campanha reconhece essas lacunas, e elas pesam. Sem amplitude política, até mesmo boas intenções administrativas correm o risco de virar ruído.

Além disso

Se as pesquisas atuais servirem de termômetro, o desafio é evidente. Jorginho Mello aparece com vantagem expressiva nas sondagens, enquanto João Rodrigues surge ainda distante, embora com relevância suficiente para não ser ignorado.

Para encurtar essa distância, ele precisará ampliar presença estadual, fortalecer pontes com regiões onde sua influência é menor e, principalmente, construir composição com nomes que agreguem musculatura à chapa. Por hora, João Rodrigues está no jogo. Mas falta montar o time.

E, em eleições, entrar em campo sozinho raramente dá certo. O espaço existe, a estratégia ainda não. A partir de março, com a renúncia oficial, saberemos se a caminhada será de crescimento ou apenas de presença.

Segue a indefinição sobre obras no Morro dos Cavalos

Uma audiência pública realizada nesta terça-feira (21), em Brasília, voltou a discutir as alternativas para o trecho do Morro dos Cavalos, na BR-101, em Santa Catarina.

Mesmo após anos de estudos e debates, o Governo Federal ainda não definiu se será construído um túnel ou o contorno rodoviário, proposta defendida pelo Governo de SC.

A falta de decisão tem sido criticada por autoridades catarinenses, que veem no impasse um dos principais entraves para a conclusão da duplicação da rodovia. Enquanto isso, o trânsito segue intenso e perigoso, afetando o turismo e a economia da região.

Foto: divulgação