Campanha solitária de Jonata Mendes e sem “Fundão”

Dia desses deparei-me com o candidato a deputado estadual, Jonata Mendes (PTB) no meio da semana passada, numa via movimentada de Lages, isso, num final de tarde. Chamou-me atenção o esforço dele pedindo votos aos motoristas e carregando uma folha de papelão com os dizeres “SEM FUNDÃO”. A opção é dele. Disse-me que a campanha está sendo feita com recursos do próprio bolso. Um candidato solitário em busca de uma oportunidade.

De certa forma, a gente pode comparar as desigualdades entre candidatos que buscam a reeleição, dos demais que utilizam recursos públicos, e deste, em campanha solitária, sem dinheiro.  Cito o caso deste candidato, não com o intuito de publicizar, e sim, exemplificar. Assim como ele, muitos outros estão na mesma situação.

Foto: Paulo Chagas

Falta de vergonha!

A supervalorização do fundo eleitoral, aprovada em meio à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), nesta última quinta-feira (15), identifica a total falta de caráter e de vergonha de grande parte de nosso parlamento.

Sem o mínimo escrúpulo, diante da crise em que o país vive em razão da pandemia, o valor de quase R$ 6 bilhões para investir na campanha eleitoral de 2022, sintetiza exatamente o que os deputados querem ou pensam pelo bem do país, ou seja, nenhum sentimento, a não ser o cuidado com os próprios umbigos. Verdadeiros canalhas! E saber que somos nós quem os elegemos, é o que mais dói. Em nada colaboraram para ajudar na pandemia. Nenhum centavo de seus ganhos milionários teve direcionamento para aplacar o sofrimento do povo. Mas, chamar o presidente de “genocida”, é algo que verte com naturalidade das bocas de muitos desses crápulas da política nacional, que se identificam como nossos representantes.

Nem todos

Falando da bancada catarinense, nem todos votaram a favor do bilionário fundão. No Congresso Nacional, são 19 os representantes de Santa Catarina, entre deputados e senadores, somente cinco votaram contra a proposta da LDO, a qual, estava embutido o valor do fundo partidário. Dos R$ 2 bi, um salto para R$ 5,7 bilhões. Quase triplicou. Que coragem. São sabedores que o “alarido” logo passa, e o valor será rateado sem constrangimento. Imagino que foi a forma de compensar a ausência de recursos oriundos dos cofres do Governo, para aplacar seus interesses. A proposta foi aprovada por 278 votos a 145. Somente o dinheiro interessa para essa gente!

Foto: Ascom Câmara dos Deputados

Dinheiro para enfrentar a pandemia não vai faltar

Justa a preocupação em liberar recursos para estados e municípios para o combate da pandemia do novo coronavírus, pois, muitos, se sabe, não têm condições financeiras para fazer frente ao problema, conforme dizem.

Então, os parceiros políticos no Congresso e Senado, os mesmos que não abrem mão do Fundo Eleitoral, jogam no colo do Executivo, a incumbência de abrir o caixa, para o socorro aos estados e municípios.

Além dos recursos já liberados desde o início e que não foram poucos, vem aí um reforço de mais R$ 125 bilhões. Aliás, dinheiro suado do seu imposto.

STF autoriza SC usar dinheiro de dívida com o BNDES no enfrentamento à Covid-19

Também, com a ajuda do Supremo Tribunal Federal (STF), vem a autorização para que Santa Catarina suspenda os pagamentos de dívidas como o BNDES, e use o dinheiro para o combate à Covid-19.

Por certo, outros estados farão o mesmo. O Estado de SC, assim, terá a seu dispor, cerca de R$ 35 milhões para aplicar na dita crise.

E imaginar que, em meio a essa pandemia, prefeitos e governadores estão recebendo cheques em branco para, do seu jeito, e pela calamidade decretada, isentos de licitações, administrarem tais recursos.