SC: Exportações crescem apesar da queda nas vendas aos EUA

As exportações de Santa Catarina avançaram 1,5% em agosto em relação ao mesmo mês do ano passado, somando US$ 971,4 milhões, segundo dados do MDIC. A queda de cerca de 20% nas vendas para os Estados Unidos foi compensada pelo aumento das exportações para destinos como China, México, Argentina, Chile e Arábia Saudita, puxadas por frango, soja, papel e máquinas industriais.

Vendas ao mercado americano caíram, mas crescimento das exportações de SC para outros destinos manteve faturamento em alta – Foto: Jonatã Rocha/SecomGOVSC

No acumulado de janeiro a agosto de 2025, o crescimento chega a 5,9%, com faturamento de US$ 7,9 bilhões — o melhor resultado dos últimos três anos. Frango e carne suína seguem liderando a pauta exportadora, ao lado de geradores elétricos, soja, madeira e motores de pistão.

Para o governador Jorginho Mello, os números comprovam a resiliência da economia catarinense diante das tarifas americanas. Já o secretário Silvio Dreveck destacou a diversificação da indústria estadual e o impacto de programas de incentivo como Prodec e Pró-Emprego.

Serra Catarinense: tarifaço dos EUA ameaça empregos e PIB

A sobretaxa de 50% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros não é apenas um problema econômico; é também um reflexo da fragilidade política do Brasil no cenário internacional. E Santa Catarina, especialmente a Serra Catarinense, pode ser uma das regiões mais penalizadas.

Exportações em risco: Serra Catarinense entre as mais afetadas pela sobretaxa dos EUA (Foto: Freepik)

Setores como carnes suína e avícola, motores elétricos, autopeças, confecções e o setor moveleiro, todos com forte presença na economia catarinense, perderão competitividade de forma imediata. Já há empresas do Planalto Norte suspendendo contratos e concedendo férias coletivas. São milhares de empregos ameaçados em municípios cuja estrutura produtiva depende diretamente das exportações para os EUA.

Impacto econômico direto

Segundo estimativas preliminares da FIESC, apenas em Santa Catarina as perdas podem superar US$ 500 milhões em exportações ao longo de 12 meses, considerando o histórico de vendas para os EUA. O impacto no PIB estadual pode chegar a 0,4% em 2025, com a possibilidade de eliminação de 10 a 15 mil postos de trabalho diretos, especialmente nos polos de móveis, carnes e têxteis.

Na Serra Catarinense, onde a agroindústria e a produção de madeira representam parte significativa da economia, o efeito pode ser devastador. Em cidades menores, como São Bento do Sul e municípios vizinhos, o risco de retração econômica é real: empresas com 90% da produção voltada ao mercado norte-americano estão na iminência de fechar linhas de produção inteiras de móveis.

O reflexo político

No campo político, a medida expõe a ausência de uma estratégia sólida do Brasil para proteger seus interesses. O governo federal vive uma inércia diplomática enquanto a relação com os EUA se deteriora. Em vez de abrir canais de diálogo, o presidente Lula tem feito ataques reiterados ao governo americano e ao presidente Donald Trump, justamente no momento em que seria necessário um esforço para desarmar tensões.

Essa postura enfraquece ainda mais a posição do país e compromete qualquer tentativa de reversão do tarifaço. É inaceitável que quase 36% das exportações brasileiras para o mercado americano fiquem sob risco sem uma reação proporcional. A diplomacia brasileira parece paralisada, incapaz de articular coalizões em organismos multilaterais ou negociar acordos setoriais que minimizem os danos.

Santa Catarina

O governo de Santa Catarina, por sua vez, também tem um papel fundamental. É hora de mobilizar a bancada federal, pressionar o Itamaraty e abrir frentes com outros mercados para reduzir a dependência dos EUA. Sem ação coordenada, a Serra Catarinense, que depende fortemente da exportação de carnes, móveis e produtos industriais, será uma das regiões mais prejudicadas do estado.

Este “tarifaço” dos EUA é um chamado à maturidade política e à integração federativa. Se a reação for tímida, a conta chegará rapidamente às fábricas e aos lares dos trabalhadores catarinenses. O desafio vai muito além de uma questão comercial: trata-se da capacidade do Brasil de se posicionar de forma firme no tabuleiro global e proteger sua indústria e sua gente.

SC busca aumentar exportações e atrair investimentos nos EUA

Com economia diversificada e produção industrial reconhecida internacionalmente, Santa Catarina tem oportunidade de aumentar as exportações e atrair investimentos em meio às disputas comerciais entre EUA e China.  Os dois países já são os principais destinos da produção catarinense vendida para fora do país.

Estado tem produção industrial diversificada e pode ganhar novos mercados internacionais – Foto: Bruno Oliveira / SECOM GOVSC

Em 2024, os EUA compraram US$ 1,7 bilhão de Santa Catarina, enquanto a China aparece na sequência com US$ 1,3 bilhão. Com a disputa comercial, o estado pode aumentar as exportações, ganhar novos mercados e impulsionar a competitividade.

Janela de oportunidade

A disputa comercial entre os dois países surge como uma janela de oportunidade para a economia catarinense. “Essa disputa global que envolve taxação e embargo tem sido uma oportunidade para o nosso estado.

“Se os EUA aumentam a taxa do produto chinês, o nosso fica ainda mais competitivo. Se a China cria barreiras para os produtos americanos, precisa comprar mais de outros fornecedores, como Santa Catarina”, destaca o governador Jorginho Mello.

Trégua

Nesta segunda-feira, 12, EUA e China anunciaram uma trégua na guerra tarifária. No entanto, o acordo dura apenas 90 dias, período em que seguirão em negociações.

Foto: Eduardo Valente / Secom

Essa indefinição abre, portanto, oportunidades para que os produtos catarinenses ocupem mais espaço na pauta exportadora.

Em geral, os EUA importam de Santa Catarina diversos produtos industrializados, como madeira, máquinas e equipamentos, móveis, bem como geradores de energia. Já a China compra principalmente carne suína, frango e soja.

Atração de investimentos e ambiente de negócios

Nesta semana, o governador Jorginho Mello está em missão nos EUA junto a secretários de Estado e lideranças empresariais de Santa Catarina. O foco é apresentar os potenciais de Santa Catarina, inclusive os produtos mais competitivos no mercado internacional, e atrair novos investimentos em infraestrutura, turismo e logística.

“Além de parcerias com o setor público, queremos atrair novos investimentos privados para gerar empregos. A segurança, a qualidade da educação e a mão de obra catarinense são diferenciais que encantam quem conhece o estado”, afirma o governador.

Iminente crise nas exportações e exportações em SC

A alerta é da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc), a partir de um levantamento da entidade, que mostra uma realidade que precisa ser considerada, uma vez que Santa Catarina tem a maior quantidade de cargas de origem animal fiscalizadas.

O quadro tende a se agravar em caso de deflagração de greve dos auditores fiscais / Foto: Assessoria de Imprensa da Facisc

Portanto, a situação é vista como risco para comércio exterior. A questão está sendo analisada com enorme preocupação. Segundo informações, há quase 100 dias, o despacho de exportações e importações de alimentos e de bebidas no Brasil vem dando sinais de calamidade.

Empresas dos mais diversos segmentos, que atuam diretamente com comércio exterior e auditores agropecuários são afetados. Há cargas para importação e exportação paradas em portos, aeroportos e postos de fronteira de todo o país.

Situação em números

No primeiro quadrimestre do ano, cada auditor catarinense (são 15 no total em SC) inspecionou 241,9 mil toneladas de produtos de origem animal destinados à exportação. Ao todo, foram 1,2 milhões de toneladas exportadas em produtos de origem animal, que representam US$ 2 bilhões – 29% da quantidade de produtos de origem animal exportada em todo o país no período.

Quando analisadas as exportações e as importações de produtos de origem animal, Santa Catarina fica em segundo lugar no ranking nacional (254,2 mil toneladas), atrás apenas do Paraná (305,1 mil toneladas).

Indicativo de greve dos auditores

Auditores Fiscais Federais Agropecuários (AFFAs) aprovaram um indicativo de greve nas atividades, no último dia 8 de maio. É um aviso para o Governo Federal de que, se não houver espaço de negociação, a categoria entrará em greve.

Desde o final de janeiro, parte desses auditores já estão trabalhando sob operação-padrão (quando os auditores passam a realizar apenas o trabalho previsto nos seus contratos), mas devido à alta demanda de fiscalização e inspeção, de acordo com o sindicato, muitos continuam fazendo horas extras e trabalhando aos finais de semana e feriados.

O sindicato diz que a proposta inicial do Governo não atende aos requisitos mínimos solicitados pela categoria, principalmente em relação à recomposição salarial e à qualidade de trabalho dos auditores agropecuários. Como nova tentativa de negociação, os auditores irão entregar nos próximos dias uma segunda contraproposta de restruturação da carreira ao MGI.

Caso não haja entendimento, diante dos fatos, Santa Catarina está na iminência de uma possível piora da já complexa situação das importações e importações do agronegócio, ampliando a já deficiente falta de efetivo nos frigoríficos, devido à sobrecarga do recebendo os animais do Rio Grande do Sul, diante do estado de calamidade pública enfrentado nas últimas semanas.

Missão empresarial no Chile: US$ 1,45 milhão em exportações

Vem do gabinete da vice-governadora Marilisa Boehm, a informação sobre o resultado da missão ao Chile, semana passada, liderada por ela. Foi a primeira missão empresarial do projeto SC-Export, em parceria entre o Governo do Estado e a Univali.

Os resultados da missão a Chile encorajam a realização de outras, e principalmente contemplando as micro e pequenas empresas / Foto: Divulgação / GVG

Lá estiveram também 25 micros e pequenas empresas em uma rodada de negócios. Em números, o resultado é animador. Pelo menos 18 das empresas encaminharam US$ 1,45 milhão em exportações para os próximos 12 meses e três deles já consolidaram US$ 17,1 mil em vendas.

Uma prova de que outras missões podem e devem ser planejadas com o mesmo perfil. São conquistas a serem comemoradas. Isso tudo, também reflete na cadeia produtiva, com a geração de mais emprego e renda, e como bem disse a vice-governadora, ajuda a desenvolver o Estado, a curto, médio e logo prazos. E mais. Desta vez, o olhar esteve voltado para os pequenos e micro empreendedores.

Uma mostra gigante do potencial de um setor que precisa ser cada vez mais estimulado. Atualmente, este mesmo setor, representa 4% do total das exportações de Santa Catarina.