Eleições 2026: reposição da Chapa liberal

O governador Jorginho Mello redesenha o tabuleiro político catarinense com um movimento claro de reposicionamento estratégico: a defesa de uma chapa pura do PL ao Senado, agora reforçada pela confirmação da deputada federal Caroline De Toni e do vereador carioca Carlos Bolsonaro como nomes do partido para a disputa. A decisão vai além de uma simples escolha eleitoral.

Trata-se de uma sinalização política direta: o PL aposta na consolidação de identidade própria, buscando unificar discurso, eleitorado e projeto ideológico sem depender de alianças tradicionais. Em vez da composição ampla, o partido opta pela coerência interna e pela fidelização de sua base mais mobilizada.  A escolha, contudo, eleva o nível da disputa.

Uma chapa pura tende a polarizar o debate e reduzir espaços para composições intermediárias, antecipando um cenário eleitoral mais ideológico e menos pragmático. É uma aposta de alto risco, mas também de alto potencial eleitoral: ou consolida uma vitória robusta baseada na identidade partidária, ou amplia resistências fora da base fiel.

MDB puxa o freio de mão e redesenha o jogo político em SC

A Nota Oficial divulgada pelo MDB de Santa Catarina nesta segunda-feira (26), após reunião, é muito mais do que um comunicado partidário. Ela marca uma virada estratégica no relacionamento com o Governo do Estado e antecipa, de forma inequívoca, o início da disputa pelo poder em 2026.

Foto da reunião da Executiva do MDB SC, na noite desta segunda-feira (26) – Foto: Assessoria

Ao anunciar a construção de um “projeto próprio” para o governo, o MDB deixa claro que não aceita mais o papel de coadjuvante no arranjo liderado pelo PL de Jorginho Mello. Não é retórica. É um recado direto: o partido quer voltar ao centro do tabuleiro, como protagonista, e não como simples fornecedor de tempo de TV, votos no Legislativo ou cargos no Executivo.

O ponto mais sensível da nota é a orientação para que filiados se desvinculem de funções no Governo do Estado. Isso é, na prática, um desembarque político, ainda que feito com luvas de pelica. O MDB tenta equilibrar dois discursos: de um lado, afirma independência e rompe o cordão umbilical com a máquina estadual; de outro, promete seguir votando projetos de interesse da população, para não parecer irresponsável ou oportunista.
Traduzindo: sai do governo, mas não quer sair como vilão.

O subtexto da decisão é claro. O partido se sentiu atropelado pela engenharia eleitoral do PL, que começou a desenhar 2026 sem consultar aliados, especialmente na escolha antecipada de um vice. A resposta veio em forma de autonomia política: se o governo fecha questão sobre seu próprio projeto, o MDB fecha questão sobre o seu.

Ao falar em “diálogo com outras legendas que compartilhem dos mesmos princípios”, o MDB também escancara uma porta para fora da órbita bolsonarista. PSD, União Brasil, setores do PP e até do PSDB entram no radar. Na prática, o partido se oferece como eixo de uma alternativa de centro ou centro-direita moderada, capaz de disputar espaço tanto com o PL quanto com projetos personalistas.

A partir de agora, três efeitos são inevitáveis. Primeiro, a relação com o governo entra em modo de tensão controlada: o apoio automático na Alesc acabou. Segundo, o MDB será pressionado a apresentar rapidamente um nome competitivo; sem isso, o discurso de “projeto próprio” vira bravata. Terceiro, a eleição de 2026 foi oficialmente antecipada para 2025 no debate político.

Em resumo, o MDB decidiu sair da sombra de Jorginho Mello e voltar a jogar com luz própria. Ainda não é uma ruptura total, mas é uma contagem regressiva. Se conseguir unir candidatura forte e alianças fora do PL, volta a ser protagonista. Se falhar, corre o risco de ficar independente apenas no discurso, e irrelevante no resultado.

Uma coisa é certa: a política catarinense acaba de entrar em modo pré-eleitoral. E, desta vez, o MDB deixou claro que não pretende assistir da arquibancada.

Nota oficial do MDB SC:

Na noite desta segunda-feira (26), o MDB de Santa Catarina (MDB-SC) realizou uma reunião no Hotel Castelmar, em Florianópolis. Na ocasião, por decisão unânime, o diretório estadual do partido deliberou as seguintes orientações políticas:

  1. Construção de projeto próprio:

A partir deste momento, o MDB-SC iniciará a construção de um projeto próprio para as eleições ao Governo do Estado de 2026, alinhado aos anseios da sociedade catarinense e em consonância com os 60 anos de história, legado e conquistas da sigla.

  1. Diálogo e articulação política:

O partido abrirá diálogo com outras legendas que compartilhem dos mesmos princípios, valores e ideais emedebistas, visando a construção de convergências políticas responsáveis e comprometidas com o desenvolvimento de Santa Catarina.

  1. Independência:

O diretório do MDB-SC orienta seus filiados a se desvincularem de funções que exerçam no que no Governo do Estado. Independente de posicionamentos no campo político-eleitoral, a sigla reafirma que seguirá apoiando, no âmbito do Poder Legislativo, todos os projetos que sejam de interesse do Estado e da população catarinense, mantendo sua postura de responsabilidade institucional, mesmo que esteja se desvinculando do atual Governo.

O MDB de Santa Catarina reforça, assim, seu compromisso histórico com o diálogo, a democracia e o desenvolvimento de Santa Catarina.

A dança das alianças em SC

O anúncio feito pelo governador nesta quinta (22) ao prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), e que prontamente aceitou ser vice na chapa de Jorginho Mello (PL) para 2026, movimentou o cenário político catarinense antes mesmo do Carnaval.

Aliança entre Jorginho Mello (PL) e Adriano Silva (Novo) redesenha o tabuleiro político e pressiona MDB e PSD a reverem suas estratégias para 2026.

A decisão, comunicada nas redes sociais, não apenas reforça a estratégia de união da direita no estado, mas também abre uma série de repercussões que vão muito além da disputa majoritária.

Reação

De imediato, o MDB reagiu, convocando seus quadros para uma reunião de alinhamento. O gesto revela a preocupação de um partido que já governou Santa Catarina por décadas, mas que hoje se vê diante de uma frente liberal-conservadora fortalecida.

O PSD, por sua vez, perde espaço na composição, já que a vaga de vice foi entregue ao Novo, partido que ganha protagonismo ao colocar Joinville, maior cidade do estado, no centro da estratégia eleitoral.

Renúncia

O movimento tem implicações práticas e simbólicas. Práticas, porque Adriano Silva precisará renunciar à prefeitura em 2026, abrindo uma disputa local que pode redefinir o comando político da cidade. Simbólicas, porque a união entre PL e Novo sinaliza uma tentativa de consolidar um discurso de eficiência administrativa e liberdade econômica, em sintonia com o eleitorado catarinense que já deu ampla vitória à direita em 2022.

Movimentos

Enquanto isso, o MDB busca recompor forças, o PSD avalia alternativas e o PT, com Décio Lima, enfrenta o desafio de romper a hegemonia conservadora. Se não houver convergência entre esses partidos, a reeleição de Jorginho Mello se torna ainda mais provável.

Em resumo, a aliança PL–Novo não é apenas um arranjo eleitoral: é um recado político. Mostra que a direita catarinense pretende disputar 2026 com unidade e força, obrigando os demais partidos a repensarem suas estratégias. O tabuleiro está montado, e as peças começam a se mover.

Novo na jogada: Jorginho articula chapa com Adriano Silva

Ganhou corpo nos bastidores da política catarinense a articulação que envolve o governador Jorginho Mello (PL) e o Partido Novo para a eleição de 2026. As conversas, que já vinham ocorrendo de forma reservada, avançaram nas últimas semanas e indicam que Jorginho convidou oficialmente o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), para compor a chapa como candidato a vice-governador.

A decisão está sendo considerada como sendo um movimento estratégico na costura eleitoral de 2026 / Foto: divulgação

A costura mira fortalecer a reeleição do governador com um nome de peso do Norte do estado e consolidar uma frente de direita mais ampla. Caso aceite a missão, Adriano Silva terá de renunciar à Prefeitura de Joinville até abril de 2026, abrindo espaço para a vice-prefeita Rejane Gambin assumir o comando do município.

Anúncio repercute

A possível entrada do Novo na chapa já provoca incômodo em partidos aliados, especialmente no MDB, que esperava indicar o vice. A movimentação também sinaliza uma mudança de postura do próprio Adriano, que no ano passado dizia publicamente que qualquer decisão sobre 2026 dependeria do partido e não seria tratada de forma antecipada.

Por ora, ninguém confirma oficialmente o “fechamento” do acordo, mas, nos bastidores, a leitura é de que a aliança está bem encaminhada e tende a se consolidar ao longo de 2025. Se confirmada, a dobradinha Jorginho/Adriano pode redesenhar o tabuleiro da sucessão estadual e acelerar a disputa por espaço entre os aliados do atual governo.

A informação foi confirmada ao Blog pelo deputado estadual Marcius Machado, líder do PL na Alesc, após ter recebido telefonema na tarde desta quinta-feira (22) do próprio governador Jorginho Mello, comunicando a decisão.

Por outro lado, o MDB já convocou uma reunião de alinhamento e para discutir sobre o cenário das eleições de 2026, para segunda-feira, dia 26/01. Ou seja, tem movimentação no meio político catarinense.

JR e o desafio estadual

Prefeito João Rodrigues  / Foto: Facebook

João Rodrigues decidiu dar um salto ousado: deixar a prefeitura de Chapecó em março de 2026 para disputar o governo de Santa Catarina. É um movimento calculado, mas arriscado. Ele aposta que o “choque de gestão” aplicado no Oeste catarinense pode convencer o eleitorado estadual. O problema é que, fora de Chapecó, o discurso ainda não encontra eco suficiente.

O lançamento da pré-candidatura, com cinco mil pessoas e a presença de lideranças de União Brasil, PP e MDB, foi um espetáculo pensado para mostrar força. Mas política não se mede apenas em palanques lotados. Dentro do PSD, há quem torça o nariz para Rodrigues, e a sensação de isolamento persiste. O apoio de Júlio Garcia e Eron Giordani é importante, mas não basta para blindá-lo das resistências internas.

Difícil caminho

Rodrigues enfrenta um dilema: precisa se vender como alternativa viável ao governador Jorginho Mello, que deve buscar a reeleição com a máquina estadual a seu favor. Para isso, terá que provar que não é apenas o “prefeito de Chapecó” tentando jogar em um campeonato maior. Sem alianças sólidas, corre o risco de ser visto como candidato regional, incapaz de dialogar com o restante do estado.

Em resumo, João Rodrigues tem energia, discurso e vitrine. Mas ainda lhe falta musculatura política. Se não conseguir costurar apoios além do Oeste, sua candidatura pode se transformar em um voo curto, barulhento na largada, mas sem fôlego para chegar ao pódio.

Ao Senado

A eleição para o Senado em Santa Catarina em 2026 será um duelo interno da direita. Caroline De Toni surge como favorita, com discurso afinado ao bolsonarismo. Carlos Bolsonaro tenta se firmar no estado após transferir seu domicílio eleitoral, mas ainda carrega a pecha de “importado do Rio”. Já Esperidião Amin aposta na experiência e na identidade catarinense para segurar sua vaga.

O problema é que três nomes fortes disputam apenas duas cadeiras. Se De Toni e Carlos se canibalizarem, Amin pode se beneficiar. Se o bolsonarismo se unir, o veterano corre risco. No fim, o Senado catarinense será decidido não pela esquerda, mas pela capacidade da direita de conviver com suas próprias divisões.

Avaliação: Santa Catarina em 2025 e perspectivas para 2026

O ano de 2025 foi marcado pela consolidação do Governo do Estado em Santa Catarina, com foco na gestão, obras de infraestrutura, equilíbrio fiscal e forte discurso de eficiência administrativa. O Executivo manteve uma base política relativamente estável, priorizou entregas regionais e buscou evitar grandes embates ideológicos, adotando uma postura pragmática e técnica na maior parte das decisões.

Foto: Paulo Chagas

Ao mesmo tempo, o ambiente político começou a dar sinais claros de pré-campanha. Movimentos internos, reposicionamentos partidários e disputas veladas por protagonismo ganharam força, especialmente entre lideranças que enxergam 2026 como um ano decisivo para redefinir forças no Estado e no cenário nacional.

Em 2026

Para 2026, a expectativa é de um governo mais político e menos administrativo. A agenda tende a ser impactada pelo calendário eleitoral, com maior exposição de ações, disputas por narrativa e tensão entre situação e oposição.

Santa Catarina deve entrar no ano eleitoral com um governo buscando mostrar resultados, enquanto adversários tentarão explorar desgastes naturais de gestão, um cenário típico, mas que promete intensidade e polarização.

Política no campo das hipóteses

Nos bastidores políticos de Lages e da Serra Catarinense, o empresário Cláudio Bianchine tem movimentado conversas e projeções para 2026. Em recente encontro com o ex-governador Raimundo Colombo, o lageano ventilou a possibilidade de uma dobradinha eleitoral, com ele disputando uma vaga à Assembleia Legislativa e Colombo retornando à disputa para a Câmara Federal.

Uma dobradinha a ser especulada nos bastidores da política serrana

O próprio Bianchine confirmou o diálogo, destacando afinidade e propósito comum: “Estamos conversando e muito próximos. Pensamos igual e queremos as mesmas coisas boas para Lages, a Serra e Santa Catarina”. Segundo o empresário, a eventual parceria seria “uma baita dobradinha”, capaz de representar um novo tempo político para Lages, reforçando a presença da cidade na política estadual e federal.

A hipótese, se confirmada, abriria espaço para uma ampliação da representatividade serrana, mantendo os atuais deputados Lucas Neves e Marcius Machado, e acrescentando mais um nome à bancada local. Por ora, tudo segue no campo das conversas, mas a movimentação revela que o tabuleiro político da Serra já começou a ser desenhado para 2026.

Por fim, como disse, trata-se de apenas uma hipótese, sem a devida confirmação oficial.

Peças para 2026 em SC

O governador Jorginho Mello (PL) fez declarações na sexta-feira (17/10) em Tubarão que dão contornos mais nítidos à sua estratégia eleitoral para 2026 em Santa Catarina. Entre os anúncios, ele confirmou que o filho do ex-presidente Carlos Bolsonaro (PL) será candidato ao Senado por SC. “Carlos Bolsonaro é candidato a pedido do presidente. Todas as pesquisas que faço apontam que ele lidera”, afirmou.

Em paralelo, Jorginho descartou que a deputada federal Caroline De Toni (PL) tenha sido formalmente convidada para ser vice-governadora. “Isso é uma bobagem… nunca falei pra ninguém pra ela ser vice. A vice será do MDB, então já está tudo encaminhado.”

Antídio Lunelli, deputado estadual e ex-prefeito de Jaraguá do Sul, confirmou que foi sondado para compor a chapa como vice. Por outro lado, Ivete Appel da Silveira, atualmente senadora, aparece como forte opção para ser a indicação do MDB à vice-governadoria. Como se vê, o MDB já figura como peça central nessa composição.