A oficialização da federação entre União Brasil e Progressistas (PP), sob o nome União Progressista, marca um dos movimentos mais ambiciosos da política brasileira recente.
Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados/CP
Com 109 deputados e 15 senadores, além de uma presença robusta em prefeituras e governos estaduais, essa aliança se consolida como a maior força institucional do Congresso Nacional. Mas tamanho, por si só, não é sinônimo de clareza política e é justamente aí que mora o desafio.
Durante o evento de lançamento, os discursos foram marcados por críticas ao governo Lula e ao Supremo Tribunal Federal. ACM Neto afirmou que o “lado” da federação é contra o PT, enquanto Ciro Nogueira defendeu o “desembarque imediato” do governo.
No entanto, a federação ainda mantém ministros no Executivo e evita assumir uma oposição formal. Davi Alcolumbre tentou suavizar o tom, dizendo que o grupo não é nem oposição nem situação, mas sim uma “política com P maiúsculo”. Essa ambiguidade pode ser estratégica, mas também revela uma falta de coesão ideológica.
De olho em 2026
A pergunta que paira é: qual será o papel da União Progressista no jogo político de 2026? Com nomes como Ronaldo Caiado e Tarcísio de Freitas sendo ventilados como possíveis candidatos à presidência, a federação parece mirar alto.
Mas para ser mais do que uma máquina eleitoral, ela precisa construir um projeto de país, algo que vá além da crítica ao governo atual e da disputa por recursos.
O Senado aprovou, na noite desta quarta-feira (25) como item extrapauta, o projeto de decreto legislativo deliberado pela Câmara mais cedo que suspende os efeitos de três decretos editados pelo governo federal sobre o aumento das alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
Votação encerrada, Davi avalia resultado e sinaliza possibilidade de construção de novo acordo Andressa Anholete/Agência Senado›
O PDL 214/2025 abrange empréstimos, financiamentos, operações com cartões de crédito e remessas de valores para o exterior. O projeto agora vai à promulgação.
Encerrada a votação, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, fez questão de fazer uma avaliação sobre o que ocorreu com a nova tentativa do governo de cobrar mais IOF para compensar as perdas de receita com a isenção do imposto de renda para quem recebe até R$ 5 mil e contribuir para o equilíbrio fiscal do país.
Davi disse que a votação foi uma derrota para o governo. Mas sinalizou com a possibilidade de construção de um novo acordo. Pediu que haja maior diálogo com o Parlamento, que, segundo ele, vem apoiando a política econômica do atual governo, desde o início. E criticou o decreto governamental.
De parte do Governo
Em maio, dois decretos (12.466/2025 e 12.467/2025) editados pelo governo aumentaram o IOF para várias operações financeiras. Por conta da reação negativa de alguns setores produtivos, o Palácio do Planalto recuou de parte dos aumentos, baixando um novo decreto (12.499/2025). Mas esse posicionamento do governo não foi suficiente para reverter as críticas de agentes econômicos e de parlamentares no Congresso Nacional.
Texto alternativo
A Câmara acabou aprovando um substitutivo ( texto alternativo) do relator, deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO), ao Projeto de Decreto Legislativo 314/25, apresentado pelo deputado Zucco (PL-RS). O texto original sustava apenas o último dos decretos presidenciais sobre o imposto. O substitutivo suspendeu os três decretos do governo.
Decreto restabelecido
Contrário ao aumento do IOF, Izalci relatou projeto no Plenário Foto: Andressa Anholete / Agência Senado
Além de sustar os três últimos decretos do Executivo, o projeto restabelece o decreto nº 6.306/2007, que regulamenta o IOF em operações de crédito, câmbio, seguro e operações com títulos e valores mobiliários.
O decreto restabelecido também define, em cada tipo de operação, quais são as alíquotas aplicáveis. Por exemplo: em operações de crédito, a alíquota varia conforme o prazo e o tipo de operação; no câmbio, a alíquota é geralmente de 0,38%, mas pode ser maior ou menor, a depender da finalidade da operação. O decreto também lista diversas situações de isenção do IOF, como operações de câmbio vinculadas a exportações; operações de seguro de vida; e algumas operações com organismos internacionais.
Recuo parcial
Com a forte reação de parlamentares e do setor empresarial, o governo recuou parcialmente no mesmo dia. A pressão levou os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta, a darem um prazo para que o Executivo revisasse a medida.
Em 11 de junho, o governo publicou a Medida Provisória 1.303/2025, tratando da tributação de investimentos, e um novo decreto que reduziu parcialmente as alíquotas inicialmente propostas, mas ainda manteve aumentos. Com o novo decreto, a arrecadação era estimada em torno de R$ 30 bilhões. As novidades do segundo pacote anunciado incluem a taxação de 5% sobre títulos antes isentos, como LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas. Demais ativos terão uma alíquota única de 17,5% de Imposto de Renda.
Era para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), vir à Santa Catarina nesta quinta-feira (20), conforme ele mesmo havia dito em recente evento em São Paulo. Na ocasião, disse que visitaria o Porto de Itajaí e alfinetou o governador Jorginho Mello (PL), ao afirmar que é o governador que mais fala mal dele.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva – (Foto: Claudio Reis/Getty Images)
Seja como for, a agenda do presidente se alterou. Agora, agora se prepara para uma visita oficial ao Japão, marcada para os dias 24 a 27 de março. Na viagem, a companhia dos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos -PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Essa mudança de planos, segundo o Planalto, reflete a importância estratégica de fortalecer as relações entre Brasil e Japão, que celebram 130 anos de laços diplomáticos este ano. A visão de analistas políticos de Santa Catarina é outra.
Senado, a eleição de Davi Alcolumbre (União -AP), abriu espaço para a oposição, a partir do controle de comissões importantes. Notem. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por exemplo, irá assumir a Comissão de Segurança Pública. Damares Alves (Republicanos) irá responder pela Comissão de Direitos Humanos. Já a Comissão de Infraestrutura terá no comando Marcos Rogério (PL -RO).
Senador Flávio Bolsonaro, ao centro, durante a votação por escrutínio secreto. O Senador vai presidir a Comissão de Segurança Pública / Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Portanto, avaliem a representatividade da oposição nestas importantes comissões. Há ainda a possibilidade de também, do PL, ficar com a Comissão do Esporte.
Os presidentes das comissões são selecionados por meio da indicação dos líderes partidários, que fazem as negociações para definir quem ficará à frente de cada grupo.
Vale lembrar ainda, que a Primeira-Vice-Presidência no Senado ficou com Eduardo Gomes (PL-TO), ou seja, o segundo na hierarquia de comando. O mesmo na Câmara dos Deputados, com Altineu Côrtes (PL/RJ), na 1ª Vice-Presidência. Em suma, no geral, o PT, do Governo, ficou diminuto, encolhido, na composição das Mesas Diretoras, em ambas as casas.