Cannabis medicinal: a urgência que o governo insiste em adiar

Em sessão plenária da semana passada expôs uma realidade que há tempos incomoda quem acompanha de perto as políticas de saúde pública: a lentidão do governo federal em regulamentar o uso da cannabis medicinal pelo SUS. O prazo, que já era apertado, foi novamente prorrogado por mais 180 dias, e, enquanto isso, milhares de pacientes continuam reféns de altos custos e da incerteza.

Deputados aliados do governo criticam

O deputado Padre Pedro Baldissera (PT) foi direto ao ponto: “a morosidade não é boa para os pacientes”. Tem razão. Em muitos casos, a cannabis não é luxo nem modismo, é alívio e qualidade de vida. Santa Catarina já deu o exemplo, regulamentando o uso medicinal em nível estadual, mas o que se espera é que o país todo siga o mesmo caminho, com segurança e empatia.

Até mesmo Padre Pedro (PT), da base aliada do Governo Federal, critiva. Pois, enquanto o país posterga a regulamentação, pacientes continuam sofrendo com custos altos e falta de acesso a um tratamento que poderia aliviar suas dores / Foto: Bruno Collaço / Agência AL

Já o deputado Marquito (Psol) também tocou num ponto essencial: as associações que hoje ajudam pacientes não podem ser esquecidas ou empurradas para a ilegalidade. Elas preenchem, com solidariedade, o vazio deixado pela falta de regulamentação federal.

Outubro Rosa

Entre críticas e elogios, a sessão também celebrou boas notícias: o Outubro Rosa e a ampliação da faixa etária para exames preventivos de câncer de mama, uma medida que salva vidas e precisa ser celebrada. Mas fica o contraste: enquanto uma política avança com sensibilidade e foco na prevenção, outra emperra em burocracia. E, nesse atraso, quem mais sofre é quem já carrega o peso da dor e da espera.

Em busca da regulamentação da Cannabis medicinal para SC

A deputada Paulinha (Podemos-SC) avançou na regulamentação da cannabis medicinal em Santa Catarina ao se reunir com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em Brasília. O objetivo é garantir uma regulamentação da Anvisa para que associações que medicamentos à base de cannabis possam atuar legalmente, sem depender de decisões judiciais.

A conversa da deputada estadual Paulinha foi diretamente com o Ministro da Saúde / Foto: Assessoria de Imprensa / Divulgação

Ela entregou um abaixo-assinado com mais de duas mil assinaturas e obteve o compromisso do ministro de intermediar o diálogo para agilizar a regulamentação, que beneficiaria tanto o SUS quanto a economia local. Na prática, isso impactaria diretamente nos recursos destinados pelo SUS para a compra desse tipo de medicamento, já que, com a produção realizada no estado, o custo seria menor. Além disso, haveria a geração de emprego e renda a partir do fortalecimento do setor.

Proposta vai além das disputas políticas

A atitude da deputada é positiva e necessária, pois demonstra sensibilidade ao tema da saúde pública, ultrapassando disputas políticas e buscando um avanço concreto para a população.

A iniciativa dela fortalece a produção local, reduz custos para o SUS e promove a geração de emprego, evidenciando uma postura comprometida com o desenvolvimento sustentável e o acesso a tratamentos mais acessíveis. Essa é uma ação que merece reconhecimento pelo impacto social e econômico que pode gerar em Santa Catarina.