A questão está no posicionamento do setor empresarial catarinense diante da proposta de revisão da jornada de trabalho, especialmente a possível superação da escala 6×1, em debate no Congresso Nacional.

O Conselho das Federações Empresariais de Santa Catarina (COFEM) sustenta que a tramitação acelerada da medida pode provocar impactos econômicos relevantes, defendendo que mudanças estruturais dessa magnitude sejam precedidas por estudos técnicos aprofundados.
Aumento dos custos na indústria
Segundo as entidades, a redução da jornada para 36 horas semanais elevaria significativamente os custos da indústria, podendo alcançar R$ 178 bilhões anuais, além de provocar retração econômica e aumento da informalidade.

O argumento central é que, em um cenário de pleno emprego em Santa Catarina, com taxa de desocupação de apenas 2,3%, empresas já enfrentam escassez de mão de obra, o que tornaria a redução da carga horária ainda mais desafiadora. O setor produtivo também alerta para possíveis reflexos inflacionários, decorrentes do repasse de custos ao consumidor final.
O documento ainda associa a proposta ao chamado “Custo Brasil”, destacando entraves históricos como carga tributária elevada, insegurança jurídica e infraestrutura insuficiente, fatores que, na visão empresarial, reduziriam a competitividade nacional diante de economias internacionais.
Cautela diante da proposta
O alerta do setor empresarial é legítimo ao pedir cautela em uma discussão que altera profundamente a dinâmica do mercado de trabalho. Reformas trabalhistas raramente produzem efeitos isolados: impactam produtividade, renda, consumo e competitividade. Ignorar esse encadeamento econômico seria um erro político e técnico. Por outro lado, o debate não pode ficar restrito apenas à ótica dos custos empresariais.
A discussão sobre jornada de trabalho também envolve qualidade de vida, saúde mental, novas formas de produção e ganhos de eficiência tecnológica, temas cada vez mais presentes nas economias modernas. Países que discutem redução de jornada o fazem justamente diante da transformação digital e da automação.
Período eleitoral
O ponto central, portanto, não é simplesmente ser contra ou a favor da escala 6×1, mas como e quando promover mudanças. Uma tramitação acelerada, em ambiente eleitoral, tende a radicalizar posições e empobrecer o debate. O Brasil precisa de uma transição baseada em produtividade, negociação setorial e testes graduais, evitando soluções uniformes para realidades econômicas distintas.
Em síntese, o alerta empresarial revela um temor real sobre custos e competitividade, mas também expõe a necessidade de um debate mais equilibrado: modernizar relações de trabalho sem desorganizar a economia, tarefa que exige menos pressa política e mais planejamento estratégico.
(Fonte: Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina – FIESC)




