Meu amigo está morrendo

Vivi longos e bons anos da minha adolescência em Carazinho, no Rio Grande do Sul. Certa vez fui ao cemitério para visitar o túmulo do meu melhor amigo, o Airton, que morrera aos 23 anos, num acidente de moto.

Com tempo, comecei a andar pelas lápides, e, para a minha surpresa, fui identificando inúmeros outros amigos, colegas de aula, vizinhos de bairro, entre outros conhecidos.

Lá também estavam sepultados os irmãos Pasqualotto, o Décio, o Romero, o Moisés, a Daniela, o De Carli, entre outros que nem lembro o nome. Todos, um dia, foram meus amigos.

Como dói perder amigos para a morte. A gente fica se perguntando, e quando será a nossa vez? Não tem como saber. Não acredito na tese de que todos têm sua hora. Ela é, muitas vezes, forçada a acontecer, por uma razão ou outra.

E agora, neste momento, também em Carazinho, mais um amigo, um vizinho, um parceiro, um quase irmão, está numa UTI, apenas sendo mantido vivo. Estou perdendo mais um amigo.

Diante de situações como essa, sou obrigado a refletir, sobre quem somos ou que queremos da vida, da relação com outras pessoas.

Será que cargos ou poder, dinheiro, status importam tanto, quando o que nos torna iguais em tudo nos transmite uma realidade dura, mas  invisível para muitos. Uma realidade nua e crua, que se materializa a cada vez que você senta num vaso sanitário e defeca fedido.

Vamos, todos, para o mesmo lugar. Rico ou pobre. A verdade é que estou perdendo mais um amigo, sem que  possa fazer algo para ajudar, aqui, distante, em Lages, SC.

Por fim, pensar que não consigo ver maldade nas pessoas. Mas, há tempo de aprender; de enxergar. E uma coisa é certa. Não me preocupo mais em tentar entender comportamentos.

Ainda mais, quando estou perdendo, mais um verdadeiro amigo, por quem rezo para que Deus interceda por ele.