O relato do prefeito Humberto Brighenti, sobre o que pode significar a importação da maçã chinesa no Brasil, especialmente à Região Sul, considerada a maior produtora do Brasil, foi cheio de sinceridade, medo, e emoção.
Pois então vejamos. O Governo Federal, através do Ministério da Agricultura, e que tem à frente da Pasta, Kátia Abreu, que antes de se aliar ao PT, era uma das maiores defensoras dos produtores nacionais.
É dela a ideia de equilibrar a balança comercial brasileira, através de acordos como esse, entre a China e o Brasil, usando a maçã daquele país como moeda de troca na exportação de produtos como o melão e a melancia.
Em consolidando esse acordo, a Ministra não só compromete a sobrevivência dos produtores de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, como a destituição de quase 50 mil empregos, somente no Estado Barriga Verde.
Sem falar da possibilidade de colocar por terra mais de 80 anos de pesquisa e controle sanitário como a erradicação de doenças, a exemplo da Cydia pomonella, e que elevaram a qualidade da maçã catarinense ao patamar de uma das melhores do mundo.
Junto com a maçã chinesa, todas as pragas hoje erradicadas, em menos de três anos poderão estar novamente contaminando os nossos pomares. É o que atestam os especialistas.
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Falência
A falta de sensibilidade do Governo Brasileiro, e da ministra Kátia Abreu, através do Ministério da Agricultura, pensando somente em faturar dividendos comerciais com a China, poderá levar à falência toda a classe produtora de maçã do Brasil, além de descapitalizar dezenas de municípios que dependem e muito da cultura.
Mesmo que fosse apenas um produtor prejudicado, já seria motivo para se pensar em não agir na contramão de quem há mais de 100 anos sustenta um setor, com movimentos de R$ 1,5 bilhão, somente na Serra Catarinense. Aliás, nesta região, sobrevivem da maçã, cerca de 2, 1 mil produtores, e 93% são pequenos.
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Mais barata
As autoridades estão pouco preocupadas com o que pode acontecer com a produção da maçã brasileira, e já planeja importar cerca de 400 mil toneladas por ano. O mesmo volume de produção da cidade de São Joaquim, por exemplo.
A maçã chinesa chegará ao Brasil mais barata. No entanto, sem o mesmo controle de sanidade e qualidade da produzida nacionalmente. O risco de erradicação dos nossos pomares em poucos anos, é a maior ameaça.
“O Estado tem uma produção de ponta, e não pode ser usada como moeda de troca”, alertou o prefeito de São Joaquim Humberto Brighenti.
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Festa da Maçã
A Festa da Maçã acontece num momento crucial, em meio à insensatez do Governo Brasileiro.
O evento pode ser a última chance de chamar a atenção das autoridades que foram convidadas, e entre elas, inclusive, a ministra Kátia Abreu, o vice-presidente da República, Michel Temer, o governador Raimundo Colombo, entre outros.
Caso tenham coragem de comparecerem, terão que olhar nos olhos dos produtores e explicaram o porquê da necessidade do sacrifício deles, em prol sabe-se do quê.
Por fim, não dá para ficar em silêncio diante desse crime previamente planejado, e que irá comprometer o agora e o futuro da maçã brasileira.
Que assinem embaixo, os responsáveis, para que toda a Nação saiba quem são os autores, dessa burrice, que tão cedo não será reparada.
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Que assuma
E depois, espero que a Ministra bata no peito e diga em alto e bom som. “Eu Kátia Abreu com o aval da presidente Dilma Rousseff”, fui a responsável pela falência dos produtores de maçã do Sul do País, e comprometi toda a sanidade da fruta, de forma irreparável, por muitos anos.
E mais, “não tive a sensibilidade de observar o drama de meus compatriotas, ao impor a burra medida da importação da maça da China”.
O pior é que deputados e senadores estão calados, sem mexer um dedo em favor da produção nacional de maçã.