TJSC e Leoas Serra se unem no combate à violência doméstica

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) e o Leoas da Serra firmaram uma aproximação em Lages com foco no enfrentamento da violência doméstica e familiar. A desembargadora Hildemar Meneguzzi de Carvalho, da Cevid, apresentou campanhas como Sinal Vermelho e Projeto Indira e destacou o papel do clube como agente social.

Durante a visita, foi evidenciado o impacto do projeto Escola de Leoas, que atende meninas em situação de vulnerabilidade por meio do esporte, promovendo inclusão, disciplina e acolhimento.

Como encaminhamento, o TJSC propôs capacitação das atletas para identificação de casos de violência, além de orientação e apoio por meio do Núcleo de Justiça Restaurativa. A parceria busca fortalecer a rede de proteção e ampliar ações preventivas na comunidade.

A agenda também incluiu atividades no fórum da comarca, com a realização de um círculo de construção de paz entre magistradas e servidores, reforçando a atuação do Núcleo de Justiça Restaurativa em Lages. A iniciativa evidencia a integração entre Judiciário e comunidade, ampliando o diálogo e criando caminhos mais efetivos para a prevenção da violência e o cuidado com crianças e adolescentes.

Informações e foto: NCI/TJSC – Taina Borges

O silêncio que mata: violência contra a mulher em SC

Dados do Observatório da Violência Contra a Mulher da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) revelam um cenário alarmante: entre 2020 e 2025 foram registrados 445.225 crimes de violência contra mulheres no estado, média de 198 ocorrências por dia. Os números evidenciam uma crise social persistente, marcada por ameaças, agressões e feminicídios, geralmente cometidos por parceiros ou ex-companheiros.

Um “X” na palma da mão é um sinal silencioso de que uma mulher está em situação de violência doméstica ou abuso e precisa de socorro / Foto: Rodrigo Corrêa/Agência AL

O levantamento mostra que a violência segue um padrão progressivo, iniciado por controle psicológico e ameaças,  tipo de crime que lidera os registros. Outro dado preocupante é o descumprimento de medidas protetivas: uma em cada quatro ordens judiciais não é respeitada em Santa Catarina.

No período, 329 mulheres foram assassinadas, sendo que 85,7% das vítimas não haviam registrado boletim de ocorrência contra o agressor, indicando medo e subnotificação. Já 71,4% dos autores possuíam antecedentes policiais, demonstrando reincidência previsível.

Somente em 2026, dados parciais apontam quase 7 mil casos de violência, com cinco feminicídios registrados até agora. O crescimento contínuo das ocorrências reforça a necessidade de políticas públicas mais eficazes, fiscalização das medidas protetivas e ampliação da rede de acolhimento.

Autoridades destacam que enfrentar a violência de gênero exige ação integrada do Estado e incentivo à denúncia, lembrando que canais como 190 e 181 permanecem disponíveis para emergências e denúncias anônimas.

Botão do Pânico na prevenção da violência contra a mulher em SC

Santa Catarina é referência nacional no enfrentamento à violência contra a mulher, com destaque para o Botão do Pânico, disponível no aplicativo PMSC Cidadão. Atualmente, cerca de 14 mil mulheres já têm acesso ao recurso, que permite acionar a Polícia Militar de forma imediata em casos de risco.

Só em 2025, o dispositivo resultou em mais de 100 prisões em flagrante. O programa faz parte da Rede Catarina de Proteção à Mulher, que também realiza visitas preventivas e ações educativas. Em 2024, foram mais de 25 mil atendimentos, enquanto em 2025 já somam 10,4 mil visitas.

Segundo a capitão Karla Medeiros, coordenadora da Rede Catarina, o trabalho é essencial para prevenir agressões e incentivar denúncias. O aplicativo é gratuito e pode ser baixado em celulares Android e iOS, sendo acessível para mulheres com medidas protetivas. Um exemplo de tecnologia usada para salvar vidas e dar mais segurança às mulheres catarinenses.

Senadora alerta sobre violência contra a mulher em SC

A senadora Ivete da Silveira (MDB-SC) usou a tribuna do Senado, nesta quinta-feira (27), para fazer um duro alerta sobre a escalada da violência contra a mulher em Santa Catarina. Dentro da campanha Agosto Lilás, a parlamentar apresentou dados que retratam a gravidade do cenário: entre janeiro e julho deste ano, mais de 18 mil medidas protetivas foram concedidas pela Justiça catarinense, o que significa 87 pedidos de socorro por dia. No mesmo período, 106 feminicídios foram julgados no estado, número que representa um aumento de 36% em relação a 2024.

Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinára / Senadora Ivete da Silveira (MDB-SC). Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Além disso, os crimes de violência doméstica já somam quase um terço de todos os processos penais em Santa Catarina, ultrapassando 23 mil ações apenas nos primeiros sete meses do ano. Para Ivete, trata-se de uma “emergência silenciosa”, que corrói a dignidade humana e compromete o futuro da sociedade.

Defesa de novas políticas públicas

Em sua fala, a senadora defendeu a ampliação de políticas públicas que garantam proteção real às vítimas, como delegacias especializadas, casas-abrigo, redes de acolhimento e capacitação de agentes de segurança. Também reforçou a importância de investir na educação para uma cultura de paz, com ações preventivas desde a infância.

A postura da senadora Ivete da Silveira merece destaque. Ao trazer números concretos, ela não apenas expõe a dimensão do problema, mas também chama a responsabilidade de toda a sociedade. Sua atuação firme mostra compromisso em transformar indignação em ação, fortalecendo a luta contra a violência de gênero e abrindo espaço para que mais políticas públicas cheguem a quem mais precisa.

Agosto Lilás, repúdio, e o combate ao feminicídio

A violência contra a mulher no Brasil deixou de ser apenas uma estatística preocupante para se tornar uma verdadeira epidemia. O país ostenta a vergonhosa quinta maior taxa de feminicídio do mundo: 4,8 assassinatos a cada 100 mil mulheres, segundo a OMS.

Em Santa Catarina, os números são alarmantes. Somente em 2024, 51 mulheres foram mortas vítimas de feminicídio, e até junho deste ano já foram contabilizados 23 casos oficiais. Mais de 15 mil medidas protetivas foram emitidas e quase 37 mil registros de violência foram feitos, e todos sabemos que a subnotificação é uma realidade cruel.

A deputada Paulinha, coordenadora da Bancada Feminina do Parlamento, não apenas expressou indignação com os recentes casos, mas também atua para mudar essa realidade. Das 48 propostas que apresentou, quatro se transformaram em leis de proteção à mulher, como o Programa Tem Saída, que oferece suporte a vítimas de violência doméstica, e a Semana de Conscientização sobre Relacionamentos Abusivos. Sua postura reforça que não basta lamentar, é preciso agir.

Agosto Lilás

O “Agosto Lilás”, mês de conscientização pelo fim da violência contra a mulher, não pode ser visto apenas como uma campanha simbólica. É um chamado à sociedade. “Espancadas, assassinadas, só por serem mulheres. Eu não aceito que esse seja o mundo que fica para as minhas filhas e netas”, desabafa Paulinha. E ela tem razão. Violência contra a mulher não tem partido, ideologia ou fronteira. Pode atingir qualquer uma, em qualquer lugar.

Denunciar é urgente. O silêncio é cúmplice. E a inércia institucional só perpetua o ciclo de violência. É preciso políticas públicas, recursos, fiscalização rigorosa das medidas protetivas e educação desde cedo sobre respeito e igualdade de gênero. O Brasil não pode mais aceitar que mulheres morram por serem mulheres. Se você sofreu ou presenciou violência, ligue 180. Não se cale.

Foto: Agência AL

Podemos catarinense decide pela expulsão de Jair Junior

Em reunião na noite desta quarta-feira (16), os dirigentes do Podemos, decidiram pela expulsão do vice-prefeito de Lages, Jair Junior (foto), tão logo tiveram a confirmação da denúncia tomada pela 10ª Promotoria de Justiça da comarca e ter se tornado réu em uma ação penal por duas lesões corporais, cárcere privado, perseguição e invasão a dispositivo de informática.

Foto: Peterson Paul / Gabinete Paulinha

O Podemos, comandado pela deputada estadual Paulinha, tem como vice, o deputado serrano Lucas Neves. Ambos estiveram de acordo com a decisão.

A expulsão está decidida, e deverá ser confirmada em conjunto com a executiva nacional e pela Comissão Provisória do Podemos, em Lages.

Segundo os dirigentes do Partido, as acusações são graves e fere tudo o que a sigla defende. “A violência contra a mulher é uma questão intolerável”, ressalta Paulinha.

Por fim, o Partido entende que é o afastamento definitivo dele, é uma providência necessária, para que os demais filiados e a comunidade catarinense entendam que atitudes assim, não serão toleradas.

Protocolados dois pedidos de impeachment de Jair Junior

Os trabalhos da Câmara de Vereadores de Lages, mal começaram nesta segunda-feira (24), por volta das 18hs, e já havia o encaminhamento protocolar do primeiro pedido de impeachment contra o vice-prefeito Jair Junior, em decorrência dos fatos de agressão à mulher, e que resultaram em caso de polícia, neste último final de semana. Um segundo pedido foi protocolado na sequência.

Fotos: Bruno Heiderscheidt de Oliveira (Câmara de Lages)

As representações foram em nome de Erli Aparecida Camargo, pertencente ao Movimento Marcha Mundial das Mulheres em SC, e o segundo, por Luciana Capistrano, cidadã lageana, e tem como justificativa a quebra de decoro incompatíveis com o exercício do cargo. Segundo informações outros pedidos ainda deverão ser protocolados.

Um dos vereadores de oposição, o Aldori Freitas, o Freitinhas, adiantou que há conversas entre os pares e que a possibilidade de o processo ser levado adiante é eminente, e com possível desfecho pelo impedimento, numa decisão política.

Violência contra a mulher envolve o vice-prefeito de Lages

O sábado (22), em Lages, foi de grande repercussão, a partir do envolvimento do vice-prefeito Jair Junior e também o Secretário da Semasa, na agressão da ex-namorada. Virou caso de polícia.

Consta que ele agrediu a ex-namorada e também a manteve em cárcere privado, resultando em denúncia, que pode ser enquadrada em violência contra a mulher, e aí, a aplicação da Lei Maria da Penha.

No contexto das acusações, a referida mulher teria dito à Polícia que as agressões ocorreram entre a madrugada e a manhã de sábado.

Depois de ouvido pelo juiz Ronaldo Denardi, o plantonista da Comarca, e por mais que o Ministério Público tivesse pedido a prisão preventiva, houve, de acordo com a lei, o relaxamento da prisão. Jair Júnior foi liberado sob fiança de R$7.590,00, e vai responder ao processo em liberdade. Ele não tem direito a foro privilegiado.

A repercussão

Lages tem sido caracterizada com uma das cidades com inúmeros registros de violência contra a mulher, algo abominável. Por falar nisso, na quinta-feira (20), à noite, tanto a prefeita Carmen Zanotto quanto a secretária da Mulher, Suzana Duarte falaram sobre a questão, para as empreendedoras presentes no Delas Day. Justamente condenando tais atitudes e o combate à violência contra a mulher no município.

Eis que então acontece algo assim, envolvendo justamente uma das maiores autoridades políticas e representativas da cidade de Lages. A questão teve repercussão imediata, e em chegou ao conhecimento em toda a mídia catarinense.

Diante da grave situação, a prefeita Carmen Zanotto, escreveu uma nota oficial sobre a ocorrência, e postou nas suas redes sociais.