Eleições 2026: reposição da Chapa liberal

O governador Jorginho Mello redesenha o tabuleiro político catarinense com um movimento claro de reposicionamento estratégico: a defesa de uma chapa pura do PL ao Senado, agora reforçada pela confirmação da deputada federal Caroline De Toni e do vereador carioca Carlos Bolsonaro como nomes do partido para a disputa. A decisão vai além de uma simples escolha eleitoral.

Trata-se de uma sinalização política direta: o PL aposta na consolidação de identidade própria, buscando unificar discurso, eleitorado e projeto ideológico sem depender de alianças tradicionais. Em vez da composição ampla, o partido opta pela coerência interna e pela fidelização de sua base mais mobilizada.  A escolha, contudo, eleva o nível da disputa.

Uma chapa pura tende a polarizar o debate e reduzir espaços para composições intermediárias, antecipando um cenário eleitoral mais ideológico e menos pragmático. É uma aposta de alto risco, mas também de alto potencial eleitoral: ou consolida uma vitória robusta baseada na identidade partidária, ou amplia resistências fora da base fiel.

PL institui reconhecimento e proteção do Cão Comunitário

A Assembleia Legislativa de Santa Catarina aprovou o PL nº 334/2025, de autoria do deputado Marcius Machado, que institui a Política Estadual de Proteção e Reconhecimento do Cão e Gato Comunitário.

A proposta reconhece oficialmente os animais sem tutor formal, mas que recebem cuidados da comunidade, garantindo direitos como cadastramento, microchipagem, vacinação, esterilização e atendimento veterinário básico.

O texto assegura a permanência desses animais nos locais onde vivem, proíbe remoções sem justificativa técnica e veda práticas de maus-tratos ou impedimento de cuidados.

A lei também prevê ações educativas, instalação de abrigos e responsabilidade do Poder Público pelo acompanhamento e controle sanitário. O projeto segue agora para sanção do Governo do Estado.

SC: direita em pé de guerra

O anúncio de Carlos Bolsonaro (PL-RJ) como pré-candidato ao Senado por Santa Catarina foi o estopim de uma crise dentro do próprio campo bolsonarista.

Deputada Ana Campagnolo / Foto: Jeferson Baldo / Agência AL

A candidatura dele é vista por parte da direita catarinense como uma “intervenção de fora”, já que o estado tem lideranças locais consolidadas, como Caroline de Toni, Ana Campagnolo e até Daniel Freitas, que vinham sendo cotadas para a vaga.

A situação ficou ainda mais delicada com a troca de farpas públicas entre Carlos Bolsonaro e Campagnolo, algo que expôs as rachaduras internas do PL em SC. Caroline de Toni, por sua vez, tenta manter uma postura institucional, mas já sinaliza que pode mudar de legenda (o Novo seria uma opção) se o PL fechar questão em torno de Carlos.

Essa disputa é simbólica: revela a tensão entre o bolsonarismo “de origem” (família Bolsonaro) e o bolsonarismo catarinense, que quer mais autonomia.

Vereador Carlos Bolsonaro circula por Santa Catarina

O vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, tem intensificado sua presença em Santa Catarina, onde foi visto nos corredores da Efapi Brasil, em Chapecó, e em encontros com lideranças de municípios próximos, como Xanxerê e Concórdia.

Filho do ex-presidente intensifica agenda em SC e amplia rumores sobre aliança com Caroline De Toni / Fotos: reprodução / divulgação

Ao lado da deputada federal Caroline De Toni (PL-SC), o gesto reforça a leitura de que ambos poderão disputar vagas ao Senado pelo estado nas eleições de 2026. Como se vê, a questão em torno do nome de Carlos Bolsonaro, ao Senado, por Santa Catarina, parece ser uma decisão consolidada.

Nos bastidores, o nome de Carlos aparece bem posicionado em pesquisas de intenção de voto, embora ainda não haja confirmação oficial de sua transferência de domicílio eleitoral para SC.

O movimento, porém, divide opiniões: enquanto simpatizantes veem nele um nome forte do bolsonarismo, lideranças locais, inclusive empresariais, manifestam resistência à ideia de uma candidatura “de fora”. O PL catarinense, por sua vez, segue negociando internamente quais nomes representarão o partido na corrida ao Senado.

PL para o manejo sustentável da araucária: avanço ou risco?

A deputada federal Carol De Toni (PL-SC) protocolou o Projeto de Lei 4575/2025, que propõe flexibilizar o manejo sustentável da araucária, espécie símbolo do Sul do Brasil e integrante do bioma Mata Atlântica. A ideia é permitir que produtores possam manejar a árvore em áreas já alteradas, sistemas agroflorestais e plantios comerciais, desde que apresentem um plano técnico simples.

Proposta de Carol De Toni busca conciliar preservação da araucária com geração de renda para produtores rurais / Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

O texto também prevê linhas de crédito, apoio à certificação e assistência técnica, sem permitir cortes em áreas de preservação permanente ou reservas legais. A araucária, classificada como “em perigo de extinção”, é fundamental para a conservação do solo, retenção de água e manutenção da biodiversidade.

Hoje, a legislação praticamente impede seu manejo, o que, segundo a deputada, desestimula produtores a preservá-la ou plantá-la. O projeto busca inverter essa lógica, transformando a conservação em oportunidade de renda e desenvolvimento sustentável.

A ideia não é de hoje

Seja como for, a iniciativa da deputada Caroline De Toni abre um debate necessário: como conciliar preservação e uso produtivo de espécies ameaçadas. O risco de flexibilizar normas ambientais sempre existe, sobretudo em um país marcado por pressões econômicas sobre os recursos naturais.

Mas é fato que a proibição rígida muitas vezes gera efeito contrário, desestimulando o plantio e levando ao abandono de áreas. Se bem regulado e fiscalizado, o projeto pode ser um passo importante para transformar a araucária de símbolo ameaçado em protagonista de uma nova lógica de conservação ativa e rentável.

O desafio será garantir que a proposta não se torne brecha para exploração predatória. Em suma, a discussão ocorre há muito tempo.

Articulação para preservar mandato Eduardo Bolsonaro

O Partido Liberal (PL) nomeou Eduardo Bolsonaro como novo líder da Minoria na Câmara dos Deputados, numa manobra interpretada em Brasília como tentativa de blindagem política em meio às pressões que ameaçam o mandato do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Deputada Carlonie De Toni abriu mão da função para fortalecer colega de bancada; movimento do PL é visto como tentativa de blindar Eduardo em meio a risco de cassação / Foto: Agência Câmara

A mudança só foi possível após um gesto da deputada Caroline De Toni (PL-SC), que abdicou da função em prol do colega de bancada. A catarinense vinha exercendo a liderança desde o início do ano e é considerada um dos nomes de maior destaque da nova geração bolsonarista no Congresso. Internamente, o movimento foi lido como sinal de lealdade da deputada à família Bolsonaro e de alinhamento estratégico ao comando do partido.

Manobra

Nos bastidores, a manobra do PL é vista como um recado claro: a legenda seguirá priorizando a família Bolsonaro em posições estratégicas. Porém, a escolha não foi consensual. Alguns deputados da oposição consideram que Eduardo pode acirrar ainda mais os embates com o governo Lula, já que tem histórico de declarações polêmicas e de confronto direto com adversários. Caroline, por sua vez, deve continuar em destaque dentro da bancada e do bolsonarismo, consolidando sua imagem como figura de confiança da família e do PL.

Problemas de saúde impedem vinda de Bolsonaro à SC

O ex-presidente Jair Bolsonaro adiou sua visita a Santa Catarina que estava prevista para os dias 4 e 5 de julho. Segundo comunicado oficial, a decisão foi tomada por orientação médica após ele apresentar problemas de saúde, incluindo crises de soluço e vômito, sintomas recorrentes desde a facada sofrida em 2018.

Ex-presidente Jair Bolsonaro – Foto: divulgação

Ele participaria de eventos do programa Rota 22, uma caravana do Partido Liberal que percorre o país com encontros políticos. A agenda incluía compromissos em Balneário Camboriú e São José, uma “motociata”, além de um grande evento na Arena Opus, em Florianópolis.

A suspensão da visita ocorre em meio a movimentações políticas envolvendo a possível candidatura de seu filho, Carlos Bolsonaro, ao Senado por Santa Catarina em 2026 — o que tem gerado reações intensas entre lideranças locais.

Cirurgias

Desde a facada sofrida em 2018, Bolsonaro já passou por diversas cirurgias e enfrenta complicações digestivas recorrentes. Em abril deste ano, ele foi submetido a uma cirurgia de 12 horas para tratar aderências intestinais e reconstruir a parede abdominal.

Por outro lado, o boletim médico mais recente do ex-presidente Jair Bolsonaro, divulgado em 2 de julho de 2025, aponta que ele está com esofagite intensa e gastrite moderada. O diagnóstico foi feito após uma endoscopia no Hospital DF Star, em Brasília. Diante do novo quadro, o ex-presidente foi orientado a fazer repouso domiciliar absoluto durante o tratamento de saúde, por todo o mês de julho.

O Partido Liberal de Santa Catarina, presidido pelo governador Jorginho Mello, expediu nota a respeito:

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Serra sem representatividade política no âmbito federal

A eleição de Carmen Zanotto (Cidadania) para a Prefeitura de Lages deixou uma lacuna na esfera federal na Região Serrana. Quem assumiu, a suplente Giovania de Sá (PSDB), não tem nenhum compromisso com a Serra, e se voltou aos interesses do Sul do Estado, na própria base eleitoral. Fato.

Ex-governador Raimundo Colombo / Foto: difulgação

Diante dessas constatações, em 2026, as portas estão escancaradas para que surjam nomes com potencial para novamente buscar uma cadeira na Câmara dos Deputados. E, o nome do ex-governador Raimundo Colombo (PSD), obviamente entra nesta condição.

Ele, sem dúvida, ao lado de Carmen Zanotto, compõe a premissa de ser uma das mais expressivas lideranças da Serra Catarinense. Sem a Carmen, ele tem ampliada quase que integralmente a chance de ser o candidato natural a deputado federal, caso opte pela possibiidade.

Observância ao caso Seif

Senador catarinense Jorge Seif / Foto: Pedro França/Agência Senado

O processo de cassação ao senador Jorge Seif (PL/SC), por suposto abuso de poder econômico se deu por iniciativa do Partido Social Democrático (PSD), e que abriga Raimundo Colombo. Ele ficou em segundo lugar no pleito ao Senado, em 2022.

Portanto, aguarda a oportunidade de vir assumir o cargo, ocupando a vaga de Seif, em caso de cassação, ou, pelo menos, interinamente até que haja uma nova eleição. Sendo assim, deixar o PSD não está no pensamento de Raimundo Colombo, e muito menos ingressar no MDB, por mais que existam especulações.

Declaradamente é adversário político do governador Jorginho Mello (PL), e endossa a iniciativa do prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), em levar adiante a intenção de se candidatar o Governo do Estado, em 2026.

Por fim, sem Carmen e sem Raimundo, a esfera federal deverá permanecer sem representatividade a partir do próximo pleito. Não vejo atualmente nenhum nome com forte densidade política em toda a Serra, para se ajustar à condição de candidato à Câmara dos Deputados, e muito menos, ao Senado.