Carnaval X Política

O Carnaval sempre foi espaço de manifestação política, mas o contexto atual impõe uma discussão mais profunda. Em ano eleitoral, um desfile financiado com recursos da União e dos Estados, com exaltação direta de uma liderança política no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, levanta questionamentos legítimos sobre os princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa.

Na imagem, o último carro alegórico da Acadêmicos de Niterói, com uma estátua gigante de Lula./ Foto: Poder 360

O ponto central não é a expressão cultural em si, mas o uso indireto de dinheiro público em um espetáculo que, na prática, pode funcionar como promoção política em larga escala, com alcance nacional e impacto eleitoral evidente.

A controvérsia ganha ainda mais peso diante do histórico recente, quando adversários políticos enfrentaram restrições rigorosas em nome do equilíbrio do pleito. O que está em jogo não é o Carnaval, mas a coerência institucional.

Oposição reage

A reação da oposição foi imediata. Parlamentares e lideranças classificaram o episódio como “grave distorção do uso de recursos públicos”, argumentando que a estrutura financiada pelo contribuinte não pode servir de vitrine para enaltecer uma figura política específica em período pré-eleitoral.

Também defendem que o caso seja analisado pela Justiça Eleitoral, sob o argumento de possível promoção pessoal indevida com potencial de influenciar o eleitorado. Para esses críticos, permitir tal prática abriria um precedente perigoso, no qual eventos culturais financiados pelo Estado poderiam ser instrumentalizados como ferramentas indiretas de campanha.

Nos bastidores, a cobrança central é por isonomia. A oposição sustenta que, se há rigor na fiscalização de manifestações consideradas propaganda irregular em outros contextos, o mesmo critério deve ser aplicado quando a promoção ocorre em eventos de grande visibilidade e com financiamento público.

O debate, portanto, ultrapassa o desfile e alcança o próprio compromisso das instituições com a neutralidade e a igualdade de condições no processo eleitoral.

União Progressista: uma federação que nasce com força

A oficialização da federação entre União Brasil e Progressistas (PP), sob o nome União Progressista, marca um dos movimentos mais ambiciosos da política brasileira recente.

Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados/CP

Com 109 deputados e 15 senadores, além de uma presença robusta em prefeituras e governos estaduais, essa aliança se consolida como a maior força institucional do Congresso Nacional. Mas tamanho, por si só, não é sinônimo de clareza política e é justamente aí que mora o desafio.

Durante o evento de lançamento, os discursos foram marcados por críticas ao governo Lula e ao Supremo Tribunal Federal. ACM Neto afirmou que o “lado” da federação é contra o PT, enquanto Ciro Nogueira defendeu o “desembarque imediato” do governo.

No entanto, a federação ainda mantém ministros no Executivo e evita assumir uma oposição formal. Davi Alcolumbre tentou suavizar o tom, dizendo que o grupo não é nem oposição nem situação, mas sim uma “política com P maiúsculo”. Essa ambiguidade pode ser estratégica, mas também revela uma falta de coesão ideológica.

De olho em 2026

A pergunta que paira é: qual será o papel da União Progressista no jogo político de 2026? Com nomes como Ronaldo Caiado e Tarcísio de Freitas sendo ventilados como possíveis candidatos à presidência, a federação parece mirar alto.

Mas para ser mais do que uma máquina eleitoral, ela precisa construir um projeto de país, algo que vá além da crítica ao governo atual e da disputa por recursos.

Após negociação oposição encerra obstrução às votações

Após dias de impasse e sessões travadas, a oposição na Câmara dos Deputados anunciou o fim da obstrução às votações. Segundo líderes oposicionistas, o recuo foi resultado de um acordo articulado com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), que teria se comprometido a reavaliar a pauta de votações e garantir maior equilíbrio na condução dos trabalhos legislativos.

Fim da obstrução foi condicionado a acordo que prevê reavaliação da pauta e maior equilíbrio nas votações conduzidas pela presidência da Câmara. / (Imagem: Folhapress)

A obstrução, marcada por protestos simbólicos como o uso de esparadrapos na boca dos parlamentares, foi uma forma de protesto contra o que a oposição chamou de “tarifaço” e de imposições do Executivo sem diálogo com o Legislativo. A insatisfação também envolvia a falta de transparência no processo de votação e o avanço de matérias sem o devido debate.

O encerramento da obstrução, no entanto, não significa o fim das tensões. A oposição declarou que continuará vigilante e exigirá que o acordo firmado com Hugo Motta seja respeitado. Se houver novo descumprimento, os líderes já sinalizam a possibilidade de retomar a paralisação.

O episódio revela não apenas a fragilidade da articulação política do governo, mas também o papel estratégico da oposição ao utilizar os mecanismos regimentais para pressionar o Congresso e pautar o debate nacional.

Opositores pedem o impeachment de Lula

A terça-feira (20) foi marcada por falas de parlamentares da oposição, em Brasília. Também articulam o protocolo ainda nesta quarta-feira (21), do pedido de impeachment contra o presidente Lula, devido aos dizeres comparando a ofensiva de Israel contra o Hamas ao Holocausto, ou seja, com o genocídio que matou cerca de 6 milhões de judeus por nazistas, na Segunda Guerra Mundial.

Declarações de Lula sobre conflito na Faixa de Gaza dominaram debates no Plenário / Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

As declarações de Lula geraram uma grave crise diplomática entre o Brasil e Israel, ao ponto de o Presidente ser declarado “persona non grata”.

Foto: Renato Araujo/Câmara dos Deputados

Nas redes sociais, a deputada Daniela Reinehr, falou do número recorde de assinaturas pelo impeachment, 129, incluindo de parlamentares da base do próprio governo.

Deputados de oposição pedem impeachment de Lula

A deputada Júlia Zanatta (PL/SC) ressalta que Lula desprezou a memória dos judeus ao igualar Israel ao regime nazista, em declarações que repercutiram muito mal internacionalmente e, inclusive, fez o governo israelense declará-lo uma “persona non grata”.

Deputada Júlia Zanatta / Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Diante do que classifica como crime de responsabilidade, conforme o Art. 5 da Lei do Impeachment. Segundo a deputada, o ato de hostilidade contra nação estrangeira, expondo a República ao perigo da guerra, ou comprometendo-lhe a neutralidade, já alcançou um grande número de assinaturas, a partir do pedido de impeachment apresentado pela deputada Carla Zambelli, além de uma moção de repúdio.

Retorno dos trabalhos do Congresso antes do Carnaval

Na retomada dos trabalhas, a preocupação está com as MPs, que podem trancar pauta se não forem votadas em até 45 dias após a edição / Foto: Cléber Medeiros/Agência Senado

Desta vez, a premissa de que tudo acontece somente depois do Carnaval, será quebrada. O Congresso Nacional, as Assembleias Legislativas e as Câmaras de Vereadores retomam as atividades já na semana que vem dia 5. Em Brasília, pelo menos 20 medidas provisórias (MPs) pendentes de votação já estão na pauta.

A matéria mais polêmica é a que reonera a folha de pagamentos de 17 setores da economia. O impasse gira em torno da MP 1202/23. Editada no fim do ano passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a medida provisória restringe os efeitos de uma lei que colocou em lados opostos os interesses dos Poderes Legislativo e Executivo. A medida provisória encontra resistência no Congresso Nacional.

Parlamentares da oposição defendem a devolução do texto ao Poder Executivo. Outras dez proposições liberam R$ 96 bilhões para a quitação de precatórios e o enfrentamento de desastres climáticos. (Fonte: Agência Câmara de Notícias)

Oposição tenta tirar proveito da Operação Presságio

O alvo da oposição é o prefeito de Florianópolis Topázio Neto (PSD). Jogar para cima dele responsabilidades e quem sabe arrolá-lo no processo, seria o suprassumo para comprometer a gestão e o futuro político do gestor. O prefeito tem se notabilizado na capacidade administrativa e tem a simpatia de grande parte da população.

Seja como for, o episódio envolvendo os ex-secretários na recente ação policial ainda seguirá sendo artigo de munição para os principais adversários políticos. Faz parte do jogo.

A propensa Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), ainda não reuniu o número de assinaturas suficientes para a instalação, e nem deverá alcançar o objetivo. Em não conseguindo, está a prova de que Topázio tem também respaldo político dentro da Câmara de Vereadores.

Enfim, o prefeito ainda terá muitas dores de cabeça a partir do episódio policial, mas terá que continuar sendo habilidoso no trato do assunto, sem nunca negar explicações. De parte da oposição, se não conseguir concretizar a culpa e o envolvimento do prefeito, tentará, pelo menos, fortalecer a dúvida, e quem sabe assim, complicar o projeto de reeleição do Topázio. Fora o constrangimento, Topázio se mantém firme.

Oposição em SC contra indicação de Flávio Dino ao STF

A indicação do ministro Flávio Dino para ocupar a vaga deixada por Rosa Weber no Supremo Tribunal Federal (STF) é apenas uma das pautas que a oposição catarinense está apregoando contra. Há outras questões trazidas pelo deputado Sargento Lima.

Deputado Sargento Lima / Foto: Bruno Collaço, Agência Alesc

Nesta quarta-feira (6), durante pronunciamento na tribuna da Alesc, ele falou da derrubada do veto ao Marco Temporal para demarcação de terras indígenas e o apoio ao fim da desoneração da folha de pagamento das empresas.

Segundo o deputado, quem estiver contra não terá o voto dos movimentos de direita em Santa Catarina. Estes três pontos serão levados para as manifestações programadas para domingo, dia 10, quando a direita irá para as ruas novamente. Dino é a pauta nacional, porém, o deputado Sargento Lima acrescentou os outros dois como bandeiras catarinenses.