PSD entra em crise e mexe no tabuleiro político catarinense

A política de Santa Catarina ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (12) após o anúncio de Jorge Bornhausen de que o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, não será mais o candidato do Partido Social Democrático (PSD) ao Governo do Estado. A decisão, tomada após conversas internas e um jantar com o presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, expõe uma crise interna que pode redesenhar o cenário eleitoral catarinense.

Ex-governador Raimundo Colombo poderá assumir a condição de pré-candidato ao Governo / Foto: divulgação

O estopim da turbulência teria sido o impasse envolvendo o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, também filiado ao PSD. Segundo relatos, o clima esquentou após discussões em um grupo de WhatsApp do partido, onde João Rodrigues chegou a afirmar que poderia desistir da candidatura caso Topázio permanecesse na legenda. A crise, que começou como um conflito político interno, acabou ganhando proporções maiores e levou Bornhausen a oficializar a retirada do nome do prefeito chapecoense da disputa.

O movimento abre um vazio importante dentro do PSD. João Rodrigues era considerado um dos nomes mais competitivos para enfrentar o atual governador Jorginho Mello em uma eventual disputa pela reeleição. Com sua saída do páreo, o partido passa a buscar alternativas para manter protagonismo no processo eleitoral.

Entre os nomes citados nos bastidores estão o presidente da Assembleia Legislativa, Júlio Garcia, o deputado estadual Napoleão Bernardes e o ex-governador Raimundo Colombo. Cada um representa correntes distintas dentro do partido, o que pode prolongar as articulações e, consequentemente, a indefinição sobre quem liderará o projeto do PSD no Estado.

No campo prático, o episódio acaba beneficiando momentaneamente o governador Jorginho Mello. Sem um adversário definido e com a oposição reorganizando suas peças, o atual chefe do Executivo ganha tempo para consolidar alianças e fortalecer seu projeto político para a próxima eleição.

Outro impacto significativo ocorre no Oeste catarinense. Como prefeito de Chapecó, João Rodrigues reúne forte capital político na região, que poderia ser decisivo em uma eleição estadual. Sua saída da corrida pode enfraquecer a presença do PSD naquele eleitorado e abrir espaço para novas composições políticas.

Mais do que uma simples troca de nomes, o episódio revela que a disputa pelo Governo de Santa Catarina já começou nos bastidores, e com tensão. O PSD, que pretendia chegar unido ao processo eleitoral, agora terá de reconstruir consensos internos para evitar que a crise se transforme em perda de protagonismo no cenário político catarinense.

Eleições 2026: renúncias marcam novo cenário eleitoral

Duas renúncias importantes devem mexer com o cenário político de Santa Catarina nas próximas semanas: a do prefeito de Chapecó e a do prefeito de Joinville. Ambas estão diretamente ligadas às articulações para as eleições de 2026.

Chapecó – renúncia em 21 de março

Prefeito João Rodrigues / Foto: Fcebook

O prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), confirmou que deixará o cargo no dia 21 de março. A saída ocorre para que ele possa se dedicar à pré-candidatura ao Governo de Santa Catarina nas eleições deste ano.

Com a renúncia, quem assume a prefeitura é o vice-prefeito Valmor Scolari, também do PSD. Ele passa a comandar o município até o fim do mandato atual.

A saída de João Rodrigues marca o início formal da sua campanha estadual e tende a reorganizar o campo da direita catarinense, já que ele pretende disputar espaço com o atual governador.

Joinville – renúncia em 2 de abril

Adriano Sila (Novo) – Foto: divulgação

Já em Joinville, o prefeito Adriano Silva (Novo) anunciou que renunciará no dia 2 de abril, durante um evento político na cidade.

Ele deixará a prefeitura para disputar as eleições estaduais como pré-candidato a vice-governador na chapa do governador Jorginho Mello (PL).

Com a saída de Adriano, quem assume definitivamente a prefeitura é a vice-prefeita Rejane Gambin, do mesmo partido. Ela se tornará a primeira mulher a governar Joinville, a maior cidade de Santa Catarina.

Prazo legal

Pela legislação eleitoral brasileira, prefeitos que pretendem disputar cargos diferentes (como governador ou vice) precisam deixar o cargo até seis meses antes da eleição, o que coloca o prazo final em 4 de abril de 2026. Por isso, as duas renúncias ocorrem poucos dias antes desse limite.

Prefeito de Chapecó João Rodrigues, próximo da renúncia

A decisão do prefeito de Chapecó, João Rodrigues, de renunciar ao cargo neste mês de março, para se dedicar integralmente à pré-candidatura ao governo de Santa Catarina marca o início efetivo da disputa eleitoral no Estado. Líder político consolidado no Oeste catarinense, Rodrigues aposta na vitrine administrativa construída à frente da prefeitura de Chapecó para ampliar sua projeção estadual.

A estratégia agora é percorrer as diferentes regiões, construir alianças partidárias e apresentar seu nome como alternativa ao atual comando do Estado. Mesmo assim, o caminho não será simples. O governador Jorginho Mello chega ao cenário pré-eleitoral com forte presença política e visibilidade institucional, fatores que naturalmente o colocam em posição de vantagem na corrida pela reeleição.

A entrada de João Rodrigues na disputa, porém, tende a movimentar o tabuleiro político catarinense, especialmente no campo da centro-direita, podendo transformar a eleição de 2026 em um confronto direto entre duas lideranças com forte base eleitoral e influência regional em Santa Catarina.

(Foto: Ascom PMC)

Análise da entrevista de Colombo à Rádio Menina

A fala de Raimundo Colombo durante entrevista à Rádio Menina, de Balneário Camboriú, chama atenção pela contradição política que carrega. Ao mesmo tempo em que prega diálogo, moderação e responsabilidade, o ex-governador adota um tom duro ao classificar o atual governo de Santa Catarina como “medíocre”, sem apresentar uma alternativa programática clara além da exaltação ao prefeito de Chapecó, João Rodrigues, justamente um quadro do seu próprio partido.

Entrevista à Rádio Menina / Foto: reprodução/divulgação

A crítica ganha contornos ainda mais questionáveis quando se observa que Colombo condena candidaturas “sem vínculo com o Estado” e fala em “ato de desamor por Santa Catarina”, mas endossa um projeto que, até aqui, se sustenta mais em discurso e visibilidade regional do que em um debate consistente sobre os gargalos estruturais que ele mesmo aponta.

No fim, a entrevista parece menos um chamado ao diálogo e mais um reposicionamento político: Colombo tenta se recolocar no jogo de 2026 atacando o governo atual, enquanto prepara o terreno para um nome aliado, num movimento que soa pragmático, mas pouco coerente com o tom elevado que ele diz defender para a política.

Por outro lado

Há ainda um ponto que não passa despercebido nos bastidores: se Raimundo Colombo afirma não ter, “neste momento”, intenção de disputar cargos em 2026, por qual razão voltou a ocupar espaço frequente na mídia, emitir juízos duros sobre o governo e fazer leituras detalhadas do cenário eleitoral? Em política, exposição raramente é gratuita.

A reaproximação com o debate público sugere, no mínimo, uma estratégia de reposicionamento, seja para testar seu próprio recall eleitoral, seja para se manter como fiador de um projeto partidário, seja para preservar capital político para uma eventual entrada tardia no jogo.

Ao adotar o papel de analista e crítico, Colombo tenta recuperar protagonismo sem assumir compromisso formal com uma candidatura. É um movimento clássico: manter-se “disponível” politicamente, aquecer o nome, influenciar o tabuleiro e, ao mesmo tempo, não fechar portas. No discurso, não é candidato; na prática, voltou a agir como quem não quer sair de cena.

JR e o desafio estadual

Prefeito João Rodrigues  / Foto: Facebook

João Rodrigues decidiu dar um salto ousado: deixar a prefeitura de Chapecó em março de 2026 para disputar o governo de Santa Catarina. É um movimento calculado, mas arriscado. Ele aposta que o “choque de gestão” aplicado no Oeste catarinense pode convencer o eleitorado estadual. O problema é que, fora de Chapecó, o discurso ainda não encontra eco suficiente.

O lançamento da pré-candidatura, com cinco mil pessoas e a presença de lideranças de União Brasil, PP e MDB, foi um espetáculo pensado para mostrar força. Mas política não se mede apenas em palanques lotados. Dentro do PSD, há quem torça o nariz para Rodrigues, e a sensação de isolamento persiste. O apoio de Júlio Garcia e Eron Giordani é importante, mas não basta para blindá-lo das resistências internas.

Difícil caminho

Rodrigues enfrenta um dilema: precisa se vender como alternativa viável ao governador Jorginho Mello, que deve buscar a reeleição com a máquina estadual a seu favor. Para isso, terá que provar que não é apenas o “prefeito de Chapecó” tentando jogar em um campeonato maior. Sem alianças sólidas, corre o risco de ser visto como candidato regional, incapaz de dialogar com o restante do estado.

Em resumo, João Rodrigues tem energia, discurso e vitrine. Mas ainda lhe falta musculatura política. Se não conseguir costurar apoios além do Oeste, sua candidatura pode se transformar em um voo curto, barulhento na largada, mas sem fôlego para chegar ao pódio.

Ao Senado

A eleição para o Senado em Santa Catarina em 2026 será um duelo interno da direita. Caroline De Toni surge como favorita, com discurso afinado ao bolsonarismo. Carlos Bolsonaro tenta se firmar no estado após transferir seu domicílio eleitoral, mas ainda carrega a pecha de “importado do Rio”. Já Esperidião Amin aposta na experiência e na identidade catarinense para segurar sua vaga.

O problema é que três nomes fortes disputam apenas duas cadeiras. Se De Toni e Carlos se canibalizarem, Amin pode se beneficiar. Se o bolsonarismo se unir, o veterano corre risco. No fim, o Senado catarinense será decidido não pela esquerda, mas pela capacidade da direita de conviver com suas próprias divisões.

JR no Jogo, mas ainda sem time

A confirmação da pré-candidatura do prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD) ao governo de Santa Catarina coloca mais um ingrediente na disputa estadual de 2026. O prefeito de Chapecó já anunciou inclusive a data em que deixará o cargo, no dia 23 de março, para se dedicar integralmente ao projeto. É um movimento ousado, que revela convicção pessoal e apoio interno do PSD, mas que, por enquanto, não passa de uma cruzada solitária.

Rodrigues tenta se posicionar como uma alternativa dentro da própria direita catarinense, ocupando um espaço distinto do atual governador Jorginho Mello, que buscará a reeleição com a força natural do cargo e boa exposição de governo. João se apresenta como mais “duro” ideologicamente, reforçando que nunca apoiou governos do PT, numa tentativa de se diferenciar e atrair eleitores que desejam renovação sem romper com esse campo político.

Falta o essencial

Mas, apesar da disposição, falta-lhe o essencial para viabilizar uma candidatura majoritária competitiva: um time. Até aqui, Rodrigues não tem nome definido para vice, nem para o Senado, e tampouco consolidou alianças partidárias fora do PSD. A própria pré-campanha reconhece essas lacunas, e elas pesam. Sem amplitude política, até mesmo boas intenções administrativas correm o risco de virar ruído.

Além disso

Se as pesquisas atuais servirem de termômetro, o desafio é evidente. Jorginho Mello aparece com vantagem expressiva nas sondagens, enquanto João Rodrigues surge ainda distante, embora com relevância suficiente para não ser ignorado.

Para encurtar essa distância, ele precisará ampliar presença estadual, fortalecer pontes com regiões onde sua influência é menor e, principalmente, construir composição com nomes que agreguem musculatura à chapa. Por hora, João Rodrigues está no jogo. Mas falta montar o time.

E, em eleições, entrar em campo sozinho raramente dá certo. O espaço existe, a estratégia ainda não. A partir de março, com a renúncia oficial, saberemos se a caminhada será de crescimento ou apenas de presença.

Pronta mais uma edição inédita do Tema Livre da NETV

Como de costume, todas as sexta-feiras, pela manhã, tem a gravação do Programa Tema Livre, da Nova Era TV.  Novamente gravei sozinho, como também gosto, e com vários assuntos interessantes.

Falei sobre a abertura do Natal Feliz Cidade, em Lages, e inclusive, reproduzo as entrevistas com a prefeita Carmen Zanotto e com o presidente da CDL, Célio Bueno, gravadas na quarta-feira, 3. Toco também no assunto da Festa do Pinhão e a questão do edital a ser aberto, sobre a retomada dos voos comerciais para SP, sobre a Rota do Cicloturismo, entre outros.

Logicamente o campo político também entra, com pitacos sobre Raimundo Colombo, João Rodrigues, etc e tal.

Horários do programa na NETV

Segundas (00:30h, 08:30h, 17:30h); Terças (04h, 15h, 19:30h); Quartas (10h, 20:30h); Quintas (07:30h,

15h); Sextas (10h, 21:30h); Sábados (02:30h, 14:30h), e nos Domingos (01:30h, 11h).

Na internet acesse: www.novaeratv.net.

Foto: Alair Sell

Efapi do Brasil e o lado político

Além de vitrine de negócios e entretenimento, a Efapi do Brasil 2025 também serviu como palco de projeção política para o prefeito João Rodrigues, que busca fortalecer seu nome para a disputa ao Governo de Santa Catarina em 2026.

Durante os dez dias de evento, o prefeito aproveitou a visibilidade da feira para destacar obras, investimentos e ações de sua gestão, reforçando a imagem de Chapecó como polo econômico e modelo de administração pública.

A presença do governador Jorginho Mello e de outras autoridades estaduais deu ainda mais peso institucional à movimentação.

A estratégia é clara: usar a força da Efapi, maior vitrine do Oeste catarinense, como plataforma de consolidação política e demonstração de capacidade de gestão. A feira cumpriu bem esse papel, projetando o nome de João Rodrigues além das fronteiras municipais.