O vice-prefeito de Lages, Jair Júnior, solicitou no início da tarde desta quinta-feira (17) seu desligamento do Podemos. O pedido já foi protocolado e aceito pela Presidente Estadual, encerrando assim oficialmente seu vínculo com o partido.
A decisão de Jair Júnior ocorre um dia após a Executiva Estadual do Podemos em Santa Catarina, reunida em Florianópolis, ter deliberado pela expulsão do vice-prefeito, em razão das acusações de violência contra a mulher, baseadas em investigação conduzida pelo Ministério Público.
A denúncia contra Jair Júnior de violência contra mulher ocorreu no dia 22 de março. Já no dia seguinte, o partido acionou a Comissão de Ética Nacional, que validou a solicitação de expulsão feita pela Executiva Estadual seguindo o devido processo legal.
Desde o primeiro momento, a direção estadual tem se manifestado com total repúdio a qualquer tipo de violência contra a mulher e de solidariedade à vítima. “As acusações que pesam contra ele são extremamente graves e vão contra tudo aquilo que defendemos. A violência contra a mulher, para o nosso partido, é absolutamente intolerável”, reforçou a presidente do partido em Sanra Catarina, deputada Paulinha.
O deputado Lucas Neves, vice-presidente estadual, também acompanhou de perto todo o caso, já que é o principal líder do partido na região serrana. “Nós desconhecíamos esse comportamento violento do Jair Júnior. Fomos surpreendidos como toda Lages. Mas jamais toleramos esse tipo de ato, ainda que cometido por alguém próximo a nós. A violência contra mulher e mesmo contra qualquer pessoa é inadmissível”.
Em reunião na noite desta quarta-feira (16), os dirigentes do Podemos, decidiram pela expulsão do vice-prefeito de Lages, Jair Junior (foto), tão logo tiveram a confirmação da denúncia tomada pela 10ª Promotoria de Justiça da comarca e ter se tornado réu em uma ação penal por duas lesões corporais, cárcere privado, perseguição e invasão a dispositivo de informática.
Foto: Peterson Paul / Gabinete Paulinha
O Podemos, comandado pela deputada estadual Paulinha, tem como vice, o deputado serrano Lucas Neves. Ambos estiveram de acordo com a decisão.
A expulsão está decidida, e deverá ser confirmada em conjunto com a executiva nacional e pela Comissão Provisória do Podemos, em Lages.
Segundo os dirigentes do Partido, as acusações são graves e fere tudo o que a sigla defende. “A violência contra a mulher é uma questão intolerável”, ressalta Paulinha.
Por fim, o Partido entende que é o afastamento definitivo dele, é uma providência necessária, para que os demais filiados e a comunidade catarinense entendam que atitudes assim, não serão toleradas.
A denúncia da 10ª Promotoria de Justiça da Comarca de Lages cita os crimes de lesão corporal (duas vezes), cárcere privado, perseguição e invasão a dispositivo de informática. O objetivo é que o agente político seja condenado pelas práticas.
Vice-prefeito de Lages Jair Junior / Foto: Ascom Câmara de Vereadores de Lages
Relembre o caso
Na noite de 22 de março deste ano, a população de Lages foi surpreendida com a notícia de que um agente político do Município havia sido preso em flagrante por, supostamente, agredir a ex-namorada e mantê-la em cárcere privado durante pelo menos 12 horas. O episódio repercutiu rapidamente em todo o estado, por envolver violência contra mulher.
Prisão preventiva
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) pediu a prisão preventiva durante a audiência de custódia, mas o agente político pagou uma fiança e foi liberado.
A sequência das apurações trouxe à tona novos fatos, e agora ele foi denunciado pela 10ª Promotoria de Justiça da comarca e se tornou réu em uma ação penal por duas lesões corporais, cárcere privado, perseguição e invasão a dispositivo de informática.
Crimes previstos no Código Penal
Todos esses crimes estão previstos no Código Penal brasileiro, e o objetivo do MPSC é que o agente político seja condenado por eles. Segundo a denúncia, o agora réu já havia agredido a moça pelo menos uma vez, no primeiro dia do ano, logo após tomar posse para o cargo público. Na época, os dois ainda namoravam, e o agente político teria apertado os braços e o rosto da vítima por ela não querer postar uma foto com ele nas redes sociais.
Detalhes da denúncia
Ainda de acordo com a denúncia, na noite anterior à prisão, o réu teria convencido a ex-namorada a entrar no carro para tentar reatar o relacionamento. Porém, ao perceber que não atingiria o objetivo, ele teria dado a partida no veículo e levado a vítima à força até sua casa, chaveado todas as portas e janelas para que ela não pudesse deixar o local, e ligado o ar-condicionado para que possíveis pedidos de socorro não fossem ouvidos pelos vizinhos.
Então, o agente político teria se trancado no banheiro e tentado, sem sucesso, acessar o celular da ex-namorada. Na sequência, ele teria saído do cômodo e pedido a senha do aparelho para apagar mensagens comprometedoras, mas não teria sido atendido, então, teria desferido tapas no rosto da vítima e a sufocado com um travesseiro.
A moça só foi liberada do cárcere depois de dizer que amava o agressor e que não o denunciaria. Porém, mais tarde, ela foi convencida pela irmã a ir até a delegacia registrar um boletim de ocorrência e teria sido seguida pelo agente político enquanto se dirigia ao local. A prisão em flagrante foi feita na rua pela guarnição de plantão e, posteriormente, expediu-se uma medida protetiva para impedir qualquer aproximação.
Outros episódios
A denúncia ainda cita vários episódios anteriores em que o agente político teria perseguido a vítima, frequentando os mesmos lugares que ela, enviando mensagens ameaçadoras, acompanhando sua rotina por meio do perfil do Instagram de uma repartição pública, fazendo ligações de números desconhecidos e estacionando o carro próximo à residência dela para coagi-la. O caso segue tendo grande repercussão na cidade.
Fonte: Coordenadoria de Comunicação Social do MPSC – Correspondente Regional em Lages
Conforme previsto, entrou na pauta da sessão ordinária desta segunda-feira (31), o pedido para instalação do processo de impeachment contra o vice-prefeito Jair Junior, de Lages (foto). O processo foi aprovado por unanimidade, ou seja, 15 votos, menos do Presidente da Mesa.
Em seguida já foi criada a Comissão Processante, composta por três vereadores: Bruna Uncini foi escolhida para presidir. Com ela, a vereadora Elaine de Moraes e o vereador Robertinho, como relator.
Dá para imaginar a responsabilidade de Bruna, logo no primeiro mandato. Agora, na sequência, iniciam os trabalhos investigativos, com as oitivas das partes, e por fim, o relatório que seguirá para aprovação ou não em plenário.
O trâmite deve ser concluído pela Câmara de Vereadores em 90 dias, contados a partir da notificação do acusado.
Veja o que disse o presidente da Câmara de Vereadores, Maurício Batalha, em entrevista concedida ao colega Joel de Oliveira:
A Executiva Estadual do Podemos decidiu, em reunião extraordinária na noite de sexta-feira (28), encaminhar o caso do vice-prefeito de Lages, Jair Júnior, ao Conselho de Ética Nacional do partido. O órgão abrirá um processo que pode resultar na sua expulsão.
O encaminhamento ocorre diante das denúncias de violência doméstica contra Jair Júnior e reafirma o compromisso do partido com a apuração rigorosa dos fatos. Em nota divulgada no domingo, 29, o Podemos Santa Catarina já havia manifestado preocupação com as acusações, destacando que a violência contra a mulher é inaceitável sob qualquer circunstância.
As conversações ocorreram em reunião virtual a partir de Lages, já que a deputada Paulinha fez questão de ir pessoalmente à cidade para tratar do caso.
O Podemos reafirma que qualquer agente político filiado à sigla, envolvido em situações desse tipo, será responsabilizado de forma exemplar. Enquanto isso, os órgãos competentes seguem com a investigação criminal.
Por outro lado
Novos áudios podem comprometer ainda mais a situação do vice-prefeito Jair Junior. Os áudios foram revelados pela Rádio Clube, e revelam que o político teria agredido a ex-namorada, em outras ocasiões, durante o período em que ainda estavam juntos.
As gravações, feitas por uma pessoa próxima do vice-prefeito, e enviadas à ele via aplicativo de mensagem, relatam momentos de violência doméstica que teriam ocorrido durante o relacionamento do casal.
Nos áudios, ela afirma ter ouvido uma briga do casal quando ainda namoravam e escutou a mulher pedir socorro e implorar para que as agressões cessassem (Fonte: SCC10).
Impeachment
A semana começa também com a possibilidade da leitura em Plenário do pedido de impeachment do vice-prefeito Jair Junior. Se ocorrer, serão necessários pelo menos, nove votos dos 16 vereadores, para seguir adiante.
Os trabalhos da Câmara de Vereadores de Lages, mal começaram nesta segunda-feira (24), por volta das 18hs, e já havia o encaminhamento protocolar do primeiro pedido de impeachment contra o vice-prefeito Jair Junior, em decorrência dos fatos de agressão à mulher, e que resultaram em caso de polícia, neste último final de semana. Um segundo pedido foi protocolado na sequência.
Fotos: Bruno Heiderscheidt de Oliveira (Câmara de Lages)
As representações foram em nome de Erli Aparecida Camargo, pertencente ao Movimento Marcha Mundial das Mulheres em SC, e o segundo, por Luciana Capistrano, cidadã lageana, e tem como justificativa a quebra de decoro incompatíveis com o exercício do cargo. Segundo informações outros pedidos ainda deverão ser protocolados.
Um dos vereadores de oposição, o Aldori Freitas, o Freitinhas, adiantou que há conversas entre os pares e que a possibilidade de o processo ser levado adiante é eminente, e com possível desfecho pelo impedimento, numa decisão política.
A nova denúncia é também de uma ex-namorada, em caso ocorrido em março de 2023. No entanto, devido ao fato de sábado (22), que culminou com a prisão do vice-prefeito e depois a soltura, em razão de agressões de ex-namorada.
Diante da repercussão, o novo BO foi lavrado neste domingo (23), denunciando ameaças e perseguição.
De acordo com o Boletim, há o detalhamento de que fora namorada de Jair, e que tudo terminou em 2022. No entanto, ele não aceitou o fim do relacionamento e passou a intimidar, monitorando as redes sociais dela, pressão psicológica, entre outros fatores.
Ainda conforme relato registrado no Boletim de Ocorrência, na época, Jair teria ido até o apartamento dela, e sem conseguir entrar, em frente à porta, ele teria ameaçado a divulgas fotos íntimas. A vítima então gritou dizendo que chamaria a Polícia e posteriormente buscou ajuda no apartamento do síndico. Na época, o caso não foi denunciado.