A pesquisa da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) revela que as tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos já impactam as exportadoras catarinenses antes mesmo de entrarem em vigor, no dia 6 de agosto. Entre as empresas consultadas, 69,2% registraram queda nos pedidos e 72,1% preveem demissões nos próximos seis meses caso a medida seja mantida.
61,4% das indústrias de SC estão prospectando novos mercados para reduzir exposição aos Estados Unidos. (foto: Portonave/Divulgação)
Além disso, 93,8% das exportadoras esperam redução no faturamento, sendo que mais da metade (51,2%) projeta perdas superiores a 30%. A insegurança gerada pelo anúncio da tarifa levou 53,8% das empresas a suspender embarques e 38,4% a renegociar preços com clientes norte-americanos.
Para reduzir a dependência do mercado dos EUA, 61,4% das indústrias de SC estão buscando novos mercados internacionais. A FIESC tem articulado com o governo federal e estadual alternativas para mitigar os impactos, destacando que pequenas empresas são as mais vulneráveis no curto prazo.
Os principais produtos exportados por Santa Catarina, como madeira e móveis, não estão na lista de exceções e seguirão sujeitos às tarifas, agravando o cenário para o setor produtivo.
A sobretaxa de 50% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros não é apenas um problema econômico; é também um reflexo da fragilidade política do Brasil no cenário internacional. E Santa Catarina, especialmente a Serra Catarinense, pode ser uma das regiões mais penalizadas.
Exportações em risco: Serra Catarinense entre as mais afetadas pela sobretaxa dos EUA (Foto: Freepik)
Setores como carnes suína e avícola, motores elétricos, autopeças, confecções e o setor moveleiro, todos com forte presença na economia catarinense, perderão competitividade de forma imediata. Já há empresas do Planalto Norte suspendendo contratos e concedendo férias coletivas. São milhares de empregos ameaçados em municípios cuja estrutura produtiva depende diretamente das exportações para os EUA.
Impacto econômico direto
Segundo estimativas preliminares da FIESC, apenas em Santa Catarina as perdas podem superar US$ 500 milhões em exportações ao longo de 12 meses, considerando o histórico de vendas para os EUA. O impacto no PIB estadual pode chegar a 0,4% em 2025, com a possibilidade de eliminação de 10 a 15 mil postos de trabalho diretos, especialmente nos polos de móveis, carnes e têxteis.
Na Serra Catarinense, onde a agroindústria e a produção de madeira representam parte significativa da economia, o efeito pode ser devastador. Em cidades menores, como São Bento do Sul e municípios vizinhos, o risco de retração econômica é real: empresas com 90% da produção voltada ao mercado norte-americano estão na iminência de fechar linhas de produção inteiras de móveis.
O reflexo político
No campo político, a medida expõe a ausência de uma estratégia sólida do Brasil para proteger seus interesses. O governo federal vive uma inércia diplomática enquanto a relação com os EUA se deteriora. Em vez de abrir canais de diálogo, o presidente Lula tem feito ataques reiterados ao governo americano e ao presidente Donald Trump, justamente no momento em que seria necessário um esforço para desarmar tensões.
Essa postura enfraquece ainda mais a posição do país e compromete qualquer tentativa de reversão do tarifaço. É inaceitável que quase 36% das exportações brasileiras para o mercado americano fiquem sob risco sem uma reação proporcional. A diplomacia brasileira parece paralisada, incapaz de articular coalizões em organismos multilaterais ou negociar acordos setoriais que minimizem os danos.
Santa Catarina
O governo de Santa Catarina, por sua vez, também tem um papel fundamental. É hora de mobilizar a bancada federal, pressionar o Itamaraty e abrir frentes com outros mercados para reduzir a dependência dos EUA. Sem ação coordenada, a Serra Catarinense, que depende fortemente da exportação de carnes, móveis e produtos industriais, será uma das regiões mais prejudicadas do estado.
Este “tarifaço” dos EUA é um chamado à maturidade política e à integração federativa. Se a reação for tímida, a conta chegará rapidamente às fábricas e aos lares dos trabalhadores catarinenses. O desafio vai muito além de uma questão comercial: trata-se da capacidade do Brasil de se posicionar de forma firme no tabuleiro global e proteger sua indústria e sua gente.
A Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) realizará na próxima segunda-feira (28), às 13h30, a primeira reunião aberta do Comitê de Crise sobre o chamado “Tarifaço” dos EUA. O encontro será online, via Zoom, e está aberto a todas as indústrias exportadoras do estado.
Durante a reunião, será lançada uma pesquisa para avaliar os impactos da tarifa de 50% imposta pelos EUA sobre o setor industrial catarinense. Os dados coletados vão embasar propostas e estratégias para minimizar os prejuízos econômicos.
Presidente da Fiesc, Mario Cezar de Aguiar
O presidente da FIESC, Mario Cezar de Aguiar, reforça a importância da participação dos empresários para que as medidas adotadas sejam eficazes.
A iniciativa da FIESC é oportuna e estratégica. Diante de um cenário que ameaça diretamente a competitividade da indústria catarinense, a união do setor e a coleta de dados sólidos são fundamentais para propor soluções viáveis ao governo federal e buscar alternativas comerciais.
A abertura da reunião a todas as empresas exportadoras demonstra transparência e reforça o espírito colaborativo necessário em tempos de crise. No entanto, será crucial que os encaminhamentos resultem em ações efetivas, sob risco de os impactos das tarifas serem duradouros para a economia do estado.
Alguns secretários municipais se reuniram na manhã desta quinta-feira (27), com membros do Fórum das Entidades Empresariais de Lages, na sede da Fiesc, para apresentar um panorama dos primeiros 90 dias da gestão.
Durante o encontro, foram apresentados avanços e desafios nas respectivas pastas, bem como, os planos e metas para os próximos meses, a exemplo da organização dos Parajasc.
Sobre a infraestrutura, o destaque ficou para os investimentos em pavimentação e drenagem urbana. Entre os números apresentados, ressaltam-se 65 ruas em obras de pavimentação e 800 km de vias não pavimentadas atendidas com melhorias e manutenção. Também se falou na abertura de novas licitações para novas obras.
No Turismo
A secretária Ana Vieira trouxe à pauta as iniciativas voltadas à promoção do turismo local. Em destaque, a programação especial para a Páscoa, que inclui a “Casa do Coelho da Páscoa”, contagem de histórias e interações culturais na Praça João Costa e na Catedral.
O evento também conta com oficinas lúdicas para crianças e decoração temática em pontos estratégicos da cidade, entre outras atividades.
O assunto não é novidade e foi amplamente observado. No entanto, a questão está longe de ser esquecida. O presidente da FIESC, Mário Cezar de Aguiar, mais uma vez, trouxe à tona o fato que está, de certa forma, preocupando no campo político, e com viés no meio produtivo.
O presidente da FIESC, Mario Cezar de Aguiar, ressalta a falta de representatividade do Sul, no Congresso / (Foto:Filipe Scotti)
Conforme ressalta em artigo, a composição das novas mesas diretoras do Senado e da Câmara evidencia, mais uma vez, o descompasso entre a riqueza gerada ao País pelos estados do Sul e do Sudeste e a representatividade destas regiões no Congresso.
As duas regiões estão subrepresentadas e, assim, terão menos influência nas decisões, embora SP, sozinho, tenha PIB equivalente ao da Argentina e SC supere o de países como Paraguai ou Uruguai.
Modelo incoerente
No Senado, o atual modelo incoerente, em que todos os estados têm três representantes, levou Norte e Nordeste a ficarem com todas as vagas. Na Câmara, as 256 posições ocupadas pelo Sul e pelo Sudeste correspondem à metade menos 1 deputado do total (513). Significa que se os políticos dessas regiões estivessem articulados, poderiam comandar a Casa.
Aguiar reforça de que não se trata de estabelecer um confronto entre regiões. Mas é legítimo buscar maior equilíbrio. A FIESC é testemunha do esforço dos deputados e senadores catarinenses na defesa dos interesses do estado, mas parlamentares e população devem tomar consciência e partir para a ação na busca da rediscussão do pacto federativo.
Projeto de Lei
Um passo essencial nesse sentido é o avanço do Projeto de Lei 148/2023 do Deputado Pezenti, que dispõe sobre a representação dos estados na Câmara. Nem deveria ser necessário.
O próprio STF já se pronunciou nesse sentido, já que significa apenas aplicar o que diz a Constituição: o número de parlamentares deve ser ajustado periodicamente, com base nos dados do IBGE. Contudo, isso não ocorre mais desde 1993. Se aplicado o censo de 2022, o número de deputados de SC passaria de 16 para 20. Um pequeno avanço.
A Receita Federal autorizou a reativação do terminal de cargas do Aeroporto de Joinville. O senador Esperidião Amin anunciou que a Receita Federal decidiu estabelecer as regras necessárias para que o terminal volte a funcionar. “Isso é uma grande vitória para Joinville, pois permitirá que o aeroporto processe importações e exportações com mais autonomia, beneficiando a economia local”, afirmou o Senador.
Senadora Ivete da Silveira (MDB-SC) e Esperidião Amin (PP-SC) atuaram juntos / Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Segundo ele, foram estabelecidas regras para a volta do funcionamento do terminal do Aeroporto Lauro Carneiro de Loyola. Completou dizendo que o terminal merece atuar com a devida autonomia. Fez um agradecimento ao empenho dos vereadores, da gestão municipal, da senadora Ivete da Silveira, e também a participação da Fiesc. “Este êxito vem fazer justiça ao desempenho econômico, político e social de Joinville”, completou Amin.
Prorrogação do prazo de concessão por apenas cinco anos preocupa a entidade, pois obras sugeridas são insuficientes para garantir segurança e eficiência da rodovia, já colapsada; Entidade defende que catarinenses se mobilizem pelos investimentos
FIESC entrega ofício a Coordenador-Geral Substituto de Concessões pedindo revisão do prazo e inclusão de novas obras no contrato a ser repactuado.
A Federação das Indústrias de SC (FIESC) recebeu com preocupação a notícia de que o Ministério dos Transportes reduziu o prazo de extensão da concessão do trecho norte da BR-101 na repactuação do contrato para apenas mais cinco anos.
“A manifestação do ministro Renan Filho nesse sentido frustra as expectativas do setor produtivo, porque o prazo é insuficiente para diluir os investimentos para as obras imprescindíveis para a rodovia, que hoje apresenta os piores níveis de eficiência em vários trechos”, afirma o presidente da entidade, Mario Cezar de Aguiar.
A prefeita eleita Carmen Zanotto (Cidadania), ainda tem responsabilidades no âmbito da Câmara dos Deputados. Só irá deixar de ser parlamentar, quando encerrarem os trabalhos por lá em meados de dezembro.
Enquanto isso, ela também participou de uma reunião entre FIESC e Fórum Parlamentar, sobre o caos vivido atualmente na BR-101 Norte.
Todos os senadores e 12 dos 16 deputados estiveram presentes. (Foto: Gerdan Wesley)
Encontro de integração com deputados e senadores catarinenses, em Brasília, na noite desta terça-feira (26), discutiu a situação caótica da BR-101 Norte, que, para a FIESC, vai se agravar profundamente se não forem incorporadas novas obras na proposta do Ministério dos Transportes para prorrogação do contrato com a atual concessionária do trecho.
Com a presença de todos os senadores e de 12 dos 16 deputados, o saldo do encontro foi extremamente positivo, na avaliação do presidente da FIESC, Mario Cezar de Aguiar. A entidade entregou o estudo sobre o cenário da rodovia e as propostas com as obras urgentes que considera que precisam ser incorporadas no contrato de prorrogação da concessão.
Ainda nesta quarta-feira (27), a FIESC vai protocolar no Ministério dos Transportes ofício reforçando seu posicionamento de que as obras previstas na proposta do Ministério dos Transportes para prorrogação do contrato de concessão com a Arteris são insuficientes.
Coxilha Rica também esteve na pauta
A pauta da reunião com os parlamentares também abordou as autuações do Ibama na Coxilha Rica – que fragilizam o Código Florestal, a redução da jornada de trabalho, a reforma tributária, a valorização da economia circular e a defesa de destinação de emendas para os projetos Constelação Catarina (satélites) e Hub de Descarbonização.