Os Estados Unidos realizaram, na madrugada deste sábado (3), uma ofensiva militar contra a Venezuela, com ataques aéreos em Caracas e outras regiões estratégicas do país. Explosões foram registradas na capital, gerando tensão e pânico entre a população.
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Em meio à operação, o ex-presidente norte-americano Donald Trump afirmou que Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados por forças dos EUA e retirados do país. A informação, no entanto, ainda não foi confirmada de forma independente por organismos internacionais ou por governos estrangeiros.
O governo venezuelano classificou a ação como “agressão militar”, declarou estado de emergência nacional e exigiu provas sobre o paradeiro do presidente. A ofensiva marca uma forte escalada na crise entre Washington e Caracas, provocando reações divididas na comunidade internacional e aumentando as incertezas sobre os próximos desdobramentos na região.
O governador Jorginho Mello anunciou nesta quarta-feira, 13, durante coletiva realizada na FIESC, um pacote de R$ 435 milhões em medidas emergenciais para apoiar os setores da economia catarinense mais prejudicados pela nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos aos produtos importados do Brasil.
Governador Jorginho Mello definiu ações tributárias e financeiras para proteger empregos e manter a competitividade dos exportadores catarinenses. Fotos: Roberto Zacarias/Secom GOVSC
As ações do Governo de Santa Catarina têm como objetivo preservar empregos, garantir a competitividade das empresas e assegurar a manutenção das operações das indústrias mais atingidas pela nova política tarifária norte-americana. Cerca de 73 mil postos de trabalho devem ser protegidos pelas medidas.
O pacote será dividido em três frentes de ação:
Liberação do crédito acumulado de exportação dividido em três meses
Postergação do pagamento do ICMS por 60 dias durante três meses
Financiamento emergencial por meio do BRDE
Resposta do Governo
O presidente da FIESC Gilberto Seleme reconheceu que as medidas representam uma resposta fundamental do governo catarinense em favor do setor produtivo num momento grave. Em contrapartida, as empresas atendidas deverão concentrar esforços na manutenção dos postos de trabalho, contribuindo para a estabilidade econômica de Santa Catarina. “
Tarifa impacta 95% das exportações de SC aos EUA
Levantamento da Secretaria de Estado da Fazenda (SEF/SC) mostra que, em 2024, Santa Catarina exportou R$ 9,9 bilhões aos EUA. Cerca de 95% do volume total exportado (R$ 9,4 bilhões) está diretamente exposto à nova tarifa.
Os setores mais atingidos são os de madeiras e derivados, incluindo móveis de madeira (48,5% das exportações para os EUA), seguido por blocos de motor e compressores (17%), além de motores elétricos e transformadores (14,5%). O Norte do Estado é a região mais impactada (44% das exportações para os EUA), seguido do Vale do Itajaí (22%).
Classificação de risco
As ações emergenciais estão direcionadas às empresas catarinenses expostas à nova tarifa e que correm risco real de perda de competitividade no mercado internacional, enquadradas nos níveis de risco “gerenciável”, “relevante”, “alto” e “crítico”.
Juntos, esses negócios respondem por cerca de R$ 8,5 bilhões em exportações anuais aos Estados Unidos e garantem mais de 73 mil empregos diretos — postos de trabalho que o pacote anunciado busca proteger diante do novo cenário internacional.
As três frentes de apoio do Governo do Estado somam cerca de R$ 435 milhões, entre medidas financeiras e tributárias.
Segundo o governador Jorginho Mello, foram estudados diversos cenários para que o a definição das melhores alternativas para Santa Catarina. “As medidas anunciadas seguem critérios técnicos, baseados em dados concretos, com foco em atender quem mais precisa e minimizar o impacto social e econômico para o Estado”, explicou o secretário Cleverson Siewert (Fazenda).
Por outro lado, o Governo de Santa Catarina seguirá monitorando os desdobramentos da política tarifária norte-americana e poderá atualizar ou redefinir medidas, conforme a evolução do cenário.
Entenda as medidas:
Liberação do crédito acumulado de exportação dividido em três meses
R$ 62 milhões em créditos
295 empresas se enquadram nos critérios (níveis crítico, alto, relevante e gerenciável)
73 mil empregos preservados
Início da medida: setembro de 2025
Empresas exportadoras acumulam créditos de ICMS gerados nas operações de exportação. Essas empresas têm um fluxo estabelecido para a transferência de crédito. Com a medida, o Estado vai antecipar a liberação do saldo de crédito acumulado dividido em três meses, garantindo a entrada de recursos no caixa das empresas de forma imediata.
Postergação do pagamento do ICMS por 60 dias durante três meses
R$ 72 milhões em ICMS postergado (R$ 36 mi/mês)
295 empresas se enquadram nos critérios (níveis crítico, alto, relevante e gerenciável)
73 mil empregos preservados
Início da medida: setembro de 2025
Empresas diretamente afetadas pela tarifa poderão adiar o pagamento do ICMS por dois meses, durante três meses consecutivos. Na prática, os vencimentos do imposto serão prorrogados, sem multa, por 60 dias. A medida melhora o fluxo de caixa das empresas no curto prazo, permitindo que reorganizem suas finanças sem comprometer as operações.
Financiamento emergencial
R$ 265 milhões disponíveis em linhas de financiamento
18 mil empregos preservados
Início da medida: Imediato
251 empresas se enquadram nos critérios
Níveis crítico, alto, relevante = faturamento até R$ 300 milhões/ano
Nível gerenciável = faturamento até R$ 100 milhões/ano
Empréstimo em Dólar (US$)
Total: R$ 165 milhões
Taxa: Variação cambial + 3% a.a.*
Custo p/ Estado: R$ 18,3 milhões
*Estado irá subsidiar cerca de 6 pontos percentuais em relação à média praticada no mercado
Empréstimo em Reais (R$)
Total: R$ 100 milhões
Taxa: 9% a.a. fixo em R$*
Custo p/ Estado: R$ 17,6 milhões
*Estado irá subsidiar cerca de 10 pontos percentuais em relação à média praticada no mercado
Condições gerais
Carência: 12 meses (pagamento dos juros semestrais)
Amortização: 24 meses (pagamento principal + juros mensais)
Prazo p/ quitação: 36 meses
Custo total p/ Estado: R$ 36 milhões
BRDE
O Governo de SC, em parceria com o BRDE, vai oferecer uma linha de financiamento emergencial, específica para cobrir, por quatro meses, os custos fixos das empresas (como energia, aluguel e folha de pagamento) na mesma proporção das receitas que vinham das exportações para os EUA. Será considerado o histórico de exportações para os EUA nos últimos 12 meses, não atrelado a exportações futuras.
Exemplificando
Um negócio com faturamento anual de R$ 100 milhões, com cerca de R$ 40 milhões em exportações comprometidas pela nova tarifa, terá a opção de buscar um financiamento na ordem de R$ 4 milhões — nesse cálculo, a SEF/SC considera que o custo fixo representa 30% do faturamento da empresa.
Serão atendidos pela medida os negócios com faturamento máximo de R$ 300 milhões/ano que tenham sofrido impacto “crítico”, “alto” ou “relevante” diante da nova tarifa. Também serão atendidos os estabelecimentos com faturamento máximo de R$ 100 milhões/ano enquadrados no nível “gerenciável” de impacto.
Em resumo
“A medida prioriza empresas de médio e menor porte, que têm menos alternativas no mercado internacional e maior vulnerabilidade diante da tarifa, enquanto as grandes corporações costumam ter maior diversificação de mercados e estrutura mais adaptada para redirecionar suas estratégias comerciais”, explica o secretário Cleverson Siewert.
Fonte: Assessoria de Comunicação da Secretaria de Estado da Fazenda
Diante da imposição de uma tarifa de 50% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, liderou um movimento de cobrança por ações imediatas do governo federal. Em reunião com outros oito governadores, incluindo nomes de peso como Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG) e Ronaldo Caiado (GO), Jorginho manifestou indignação com a passividade do governo federal frente a uma crise que já afeta diretamente a economia nacional, especialmente setores estratégicos da indústria e do agronegócio.
Em reunião com líderes estaduais, governador de Santa Catarina critica omissão de Brasília e pede ação imediata para proteger a economia e os setores produtivos afetados pela taxação americana de 50% / Foto: Nohlan Scholzel /SAN
Segundo ele, enquanto os impactos do tarifaço já são sentidos, não há qualquer sinal de articulação diplomática ou estratégica por parte da União. “Tem que ir lá conversar”, disse o governador, numa crítica clara à falta de liderança e iniciativa do governo federal.
Ele defendeu, ainda, a atuação mais incisiva do Congresso Nacional, incluindo a deliberação de matérias urgentes como a proposta de anistia tributária. O grupo de governadores decidiu buscar apoio junto aos líderes partidários no Congresso para pressionar por medidas de compensação aos setores atingidos.
O governador Tarcísio de Freitas reforçou o tom crítico à diplomacia federal, dizendo que o Brasil perdeu o rumo ao agredir um parceiro histórico como os EUA, um dos maiores investidores no país.
Atitude corajosa
A postura de Jorginho Mello e dos demais governadores é corajosa, madura e absolutamente necessária. Em um momento de fragilidade econômica global, permitir que um tarifaço como esse avance sem reação é um erro grave, e os estados, que dependem diretamente da exportação, não podem ficar parados.
Jorginho demonstra liderança política ao não esperar passivamente por Brasília e ao reunir governadores de diferentes regiões e partidos em torno de um objetivo comum: defender os interesses do Brasil real, produtivo e gerador de empregos.
Ao exigir diplomacia ativa e articulação política, os governadores assumem o protagonismo que falta ao governo federal. É um gesto de estadismo, que merece ser reconhecido, valorizado e, acima de tudo, ouvido.
O governo anunciou um pronunciamento em cadeia de rádio e televisão para falar sobre as taxações de 50% impostas pelos Estados Unidos e em defesa da soberania nacional e do ministro do STF, Alexandre de Moraes.
A intenção do presidente Lula é ocupar o espaço nacional na TV entre este domingo (3) e terça-feira (5). Foto: Ricardo Stuckert
A expectativa é de um discurso duro, mas, sinceramente, de nada adianta mais uma fala inflamável diante de um problema que exige ação imediata, de maneira midiática. Nem mesmo um telefonema está nas intenções de Lula, para falar com Donald Trump.
O Brasil enfrenta uma crise comercial que pode afetar diretamente empregos e investimentos. Em vez de usar o horário nobre da população para reafirmar bandeiras políticas e tentar blindar aliados, o presidente deveria agir como um verdadeiro líder: pegar um avião e ir conversar pessoalmente com o presidente Donald Trump. É no diálogo direto, firme e estratégico que se abrem caminhos para reverter ou ao menos minimizar as sanções impostas ao país.
O momento exige resultados concretos, não mais retórica. Se o governo não buscar uma solução prática, as consequências econômicas dessas tarifas podem ser desastrosas. O Brasil precisa de liderança ativa, não de discursos em cadeia nacional.
A pesquisa da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) revela que as tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos já impactam as exportadoras catarinenses antes mesmo de entrarem em vigor, no dia 6 de agosto. Entre as empresas consultadas, 69,2% registraram queda nos pedidos e 72,1% preveem demissões nos próximos seis meses caso a medida seja mantida.
61,4% das indústrias de SC estão prospectando novos mercados para reduzir exposição aos Estados Unidos. (foto: Portonave/Divulgação)
Além disso, 93,8% das exportadoras esperam redução no faturamento, sendo que mais da metade (51,2%) projeta perdas superiores a 30%. A insegurança gerada pelo anúncio da tarifa levou 53,8% das empresas a suspender embarques e 38,4% a renegociar preços com clientes norte-americanos.
Para reduzir a dependência do mercado dos EUA, 61,4% das indústrias de SC estão buscando novos mercados internacionais. A FIESC tem articulado com o governo federal e estadual alternativas para mitigar os impactos, destacando que pequenas empresas são as mais vulneráveis no curto prazo.
Os principais produtos exportados por Santa Catarina, como madeira e móveis, não estão na lista de exceções e seguirão sujeitos às tarifas, agravando o cenário para o setor produtivo.
A sobretaxa de 50% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros não é apenas um problema econômico; é também um reflexo da fragilidade política do Brasil no cenário internacional. E Santa Catarina, especialmente a Serra Catarinense, pode ser uma das regiões mais penalizadas.
Exportações em risco: Serra Catarinense entre as mais afetadas pela sobretaxa dos EUA (Foto: Freepik)
Setores como carnes suína e avícola, motores elétricos, autopeças, confecções e o setor moveleiro, todos com forte presença na economia catarinense, perderão competitividade de forma imediata. Já há empresas do Planalto Norte suspendendo contratos e concedendo férias coletivas. São milhares de empregos ameaçados em municípios cuja estrutura produtiva depende diretamente das exportações para os EUA.
Impacto econômico direto
Segundo estimativas preliminares da FIESC, apenas em Santa Catarina as perdas podem superar US$ 500 milhões em exportações ao longo de 12 meses, considerando o histórico de vendas para os EUA. O impacto no PIB estadual pode chegar a 0,4% em 2025, com a possibilidade de eliminação de 10 a 15 mil postos de trabalho diretos, especialmente nos polos de móveis, carnes e têxteis.
Na Serra Catarinense, onde a agroindústria e a produção de madeira representam parte significativa da economia, o efeito pode ser devastador. Em cidades menores, como São Bento do Sul e municípios vizinhos, o risco de retração econômica é real: empresas com 90% da produção voltada ao mercado norte-americano estão na iminência de fechar linhas de produção inteiras de móveis.
O reflexo político
No campo político, a medida expõe a ausência de uma estratégia sólida do Brasil para proteger seus interesses. O governo federal vive uma inércia diplomática enquanto a relação com os EUA se deteriora. Em vez de abrir canais de diálogo, o presidente Lula tem feito ataques reiterados ao governo americano e ao presidente Donald Trump, justamente no momento em que seria necessário um esforço para desarmar tensões.
Essa postura enfraquece ainda mais a posição do país e compromete qualquer tentativa de reversão do tarifaço. É inaceitável que quase 36% das exportações brasileiras para o mercado americano fiquem sob risco sem uma reação proporcional. A diplomacia brasileira parece paralisada, incapaz de articular coalizões em organismos multilaterais ou negociar acordos setoriais que minimizem os danos.
Santa Catarina
O governo de Santa Catarina, por sua vez, também tem um papel fundamental. É hora de mobilizar a bancada federal, pressionar o Itamaraty e abrir frentes com outros mercados para reduzir a dependência dos EUA. Sem ação coordenada, a Serra Catarinense, que depende fortemente da exportação de carnes, móveis e produtos industriais, será uma das regiões mais prejudicadas do estado.
Este “tarifaço” dos EUA é um chamado à maturidade política e à integração federativa. Se a reação for tímida, a conta chegará rapidamente às fábricas e aos lares dos trabalhadores catarinenses. O desafio vai muito além de uma questão comercial: trata-se da capacidade do Brasil de se posicionar de forma firme no tabuleiro global e proteger sua indústria e sua gente.
O governo dos Estados Unidos anunciou sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, com base na Lei Magnitsky, legislação que permite punições a autoridades estrangeiras envolvidas em corrupção ou violações de direitos humanos.
A medida torna-se uma virada diplomática surpreendente. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), passou a integrar a lista de indivíduos sancionados pelos Estados Unidos por meio da Lei Global Magnitsky.
A legislação, que permite punições contra estrangeiros acusados de corrupção ou violações graves dos direitos humanos, sinaliza um novo momento nas relações exteriores do Brasil, e lança luz sobre o debate interno sobre limites institucionais e garantias democráticas.
Contexto das sanções
O Departamento do Tesouro dos EUA afirma que Moraes teria autorizado prisões arbitrárias, repressões à liberdade de expressão e uma perseguição política contra brasileiros e cidadãos americanos. Embora essas alegações sejam controversas e negadas por apoiadores do ministro, elas foram suficientes para que os EUA o incluíssem em uma lista que já abrange líderes autoritários e oligarcas acusados de abuso de poder.
As sanções incluem:
Congelamento de bens e ativos sob jurisdição americana;
Proibição de entrada nos EUA para Moraes e seus familiares;
Bloqueio de serviços digitais vinculados a empresas como Microsoft e Google;
Impedimento de transações financeiras com bancos norte-americanos.
Nesta segunda-feira 28 de julho, às 13h30, a Federação das Indústrias de SC (FIESC) realiza a primeira reunião aberta do Comitê de Crise sobre o Tarifaço dos EUA. O evento ocorre exclusivamente online pela plataforma Zoom, com participação aberta a todas as indústrias exportadoras de Santa Catarina.
Presidente da FIESC, Mario Cezar de Aguiar de SC / Foto: Filipe Scotti
“A mobilização dos industriais exportadores e a participação na reunião e na pesquisa são essenciais para que todas as perspectivas sejam consideradas, e dados robustos e confiáveis possam embasar as demandas para mitigar os impactos na economia de SC”, avalia o presidente da Federação, Mario Cezar de Aguiar.
Durante a reunião, a FIESC vai lançar uma pesquisa para medir os impactos da entrada em vigor das tarifas de 50% sobre o setor industrial. A entidade vai ouvir os empresários e a pesquisa vai subsidiar propostas e encaminhamentos para a crise sob a perspectiva da indústria.