PEC da Segurança esbarra na desconfiança dos estados

A proposta da chamada PEC da Segurança surge em um contexto de agravamento da violência, fortalecimento do crime organizado e crescente sensação de insegurança da população. O Governo, volta com força ao tema, com a intenção de conseguir a aprovação, justamente para se fortalecer no período eleitoral.

Proposta do governo apresentada em outubro de 2024 aos governadores esbarra na falta de credibilidade política e no temor de enfraquecimento do pacto federativo / Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A Segurança Pública, por certo, será amplamente debatido neste período. Do ponto de vista conceitual, a iniciativa do governo federal busca responder a um problema que já ultrapassou, há muito tempo, os limites estaduais, exigindo coordenação nacional, padronização de estratégias e maior integração entre forças policiais e sistemas de inteligência.

A lógica da proposta

A justificativa central da PEC se ancora na ideia de que o modelo atual, excessivamente fragmentado, dificulta o enfrentamento de organizações criminosas que atuam de forma interestadual e até transnacional. Facções não respeitam fronteiras administrativas, utilizam rotas federais, portos, aeroportos e sistemas financeiros nacionais.

Nesse sentido, o governo argumenta que é legítimo ampliar o papel da União, não para substituir os estados, mas para articular, financiar e coordenar políticas de segurança pública de alcance nacional, algo que hoje ocorre de forma pontual e reativa.

Além disso, há um argumento fiscal e operacional: muitos estados enfrentam grave limitação orçamentária e estrutural para investir em tecnologia, inteligência e capacitação. Uma política nacional mais robusta poderia reduzir desigualdades regionais e evitar que áreas mais frágeis se tornem refúgios do crime organizado.

O ponto crítico: credibilidade política

É justamente nesse aspecto que a PEC encontra seu maior obstáculo. A resistência dos governadores não se dá apenas por divergência técnica, mas por desconfiança política. O atual governo carrega um histórico de discursos ambíguos sobre segurança pública, com ênfase anterior em pautas ideológicas e menor valorização das forças policiais.

Para muitos estados, isso fragiliza a credibilidade da União como liderança legítima nesse tema. Além disso, a proposta é percebida como uma tentativa de centralização excessiva, potencialmente violando o pacto federativo. Governadores temem perder autonomia sobre suas polícias e veem o movimento como uma transferência de poder sem garantias claras de recursos permanentes ou de respeito às realidades locais.

Onde o governo acerta, e onde falha

O acerto da PEC está no diagnóstico: segurança pública não pode ser tratada apenas como problema estadual. Falta ao Brasil uma política nacional contínua, com metas, indicadores e integração real de dados e inteligência. Esse vácuo é evidente. Por outro lado, o erro está na forma.

Ao apresentar a proposta sem uma construção prévia com os estados, o governo enfraquece sua própria narrativa. Segurança pública é um tema sensível, que exige confiança, cooperação e previsibilidade, não imposição constitucional de cima para baixo.

Conclusão

A PEC da Segurança tem fundamento técnico defensável, mas credibilidade política limitada. Enquanto o governo não demonstrar, de forma concreta, que respeita o federalismo, valoriza as forças de segurança e está disposto a compartilhar decisões, e não apenas poder, a resistência dos estados tende a persistir. Em síntese: o problema é real, a intenção pode ser legítima, mas a condução política da proposta compromete sua aceitação e eficácia. A tendência é da não aprovação.

Posse de arma de fogo sob a competência dos Estados

O Projeto de Lei Complementar – PLP 108/23 – de autoria da deputada Caroline de Toni (PL/SC), foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O Projeto prevê a concessão aos Estados da Federação, a competência para legislar sobre temas relacionados a armas de fogo para fins de defesa pessoal; práticas esportivas e controle de fauna invasora, tirando assim o controle das mãos da União.

Deputada Caroline de Toni considera aprovação na CCJ do PLP 108/23 uma grande vitória / Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

 A deputada, ao se manifestar através das redes sociais, afirma que Lula vem fazendo tudo que pode para desarmar os cidadãos de bem; colocar contra a parede o setor de armas no país (lojas, clubes de tiro etc.); roubar as liberdades e, na prática, a possibilidade da população, de exercer certos direitos essenciais, como a legítima defesa. “Ao agir assim, além de pôr em xeque a sociedade brasileira como tal, Lula ainda passa por cima das realidades locais de cada estado, desrespeitando necessidades regionais que muitas vezes nem mesmo conhece”, reiterou Caroline.

Caroline disse ainda que esse projeto faz justiça ao povo brasileiro para atender as peculiaridades e as tradições de cada estado da Federação, sem comprometer as balizas constitucionais. O PLP 108/23 assegura às Assembleias Legislativas a possibilidade de garantir adequadamente a proteção dos seus cidadãos. Também aprovado na CCJ, o PL 709/23 que proíbe benefícios a invasores de terra.

Governadores querem mudar cálculo da dívida pública

Em Brasília, nesta quarta-feira (7), juntamente com os demais governadores que integram o Consórcio de Integração do Sul e do Sudeste (Cosud), Jorginho Mello (PL), acompanhado do secretário de Estado da Fazenda, Cleverson Siewert e da secretária de Articulação Nacional (SAN), Vânia Franco, pediu mudanças no cálculo da dívida pública dos estados. 

Os integrantes do Cosud formam uma força política integrada e à parte na Federação. Foto: Divulgação

Ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi dada a sugestão de que o governo federal adote a ideia que já foi apresentada pelo estado há 10 anos, que prevê a utilização do IPCA+ 4% ou a taxa Selic – a que estiver mais baixa no momento. A proposta teve o apoio dos demais governadores, e que ela deva ser aplicada da íntegra. Segundo Jorginho, o ministro manifestou-se sensível ao pleito e se comprometeu a agendar um novo encontro com os governadores.

Novo indicador

Além da revisão do cálculo também foi sugerida a aplicação de um novo indicador, com correção de 3% ao ano do endividamento de todos os estados – que é basicamente o que a União já aplica em boa parte dos seus contratos.

“A dívida de Santa Catarina com a União já soma R$ 10,5 bilhões. Precisamos rever esse cálculo que atualmente compromete o orçamento catarinense e a capacidade de todos os estados que compõe o Cosud”, disse o governador Jorginho Mello. 

Participaram da reunião os governadores do Sul, Jorginho Mello, Eduardo Leite (RS) e Ratinho Júnior (PR); e do Sudeste, Tarcísio de Freitas (SP); Cláudio Castro (RJ); o vice-governador Mateus Simões (MG); secretário da Fazenda (ES), Benicio Costa.

Resta esperar que o Governo Federal realmente se sensibilize à pauta destes gestores que formam uma força política integrada e à parte na Federação.

Sobre o Cosud

O Consórcio de Integração Sul e Sudeste – COSUD foi criado em Belo Horizonte (MG), no dia 16 de março de 2019. O objetivo principal é consolidar a agenda de cooperação entre os governos do Sul e Sudeste, com temas que atendam às demandas econômicas, sociais e ambientais.

Com uma população de 119 milhões de habitantes, as duas regiões concentram 70% do PIB nacional, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

O Cosud tem em seu viés atuar nas soluções de questões prioritárias do consórcio, tais como, a segurança pública, combate ao contrabando, sistema prisional, saúde, desburocratização, turismo, educação, desenvolvimento econômico, logística e transportes, inovação e tecnologia.

Socorro federal chega aos estados e municípios

A primeira parcela do socorro do Governo Federal a estados, municípios e o Distrito Federal foi depositada nesta semana. Desse total, R$ 9,25 bilhões serão repassados para os estados, R$ 5,748 bilhões para os municípios e R$ 38,6 milhões para o Distrito Federal.

O projeto que concede ajuda financeira de R$ 60 bilhões foi sancionado com vetos pelo presidente Jair Bolsonaro no final de maio, sendo que R$ 50 bilhões serão repassados para compensar perdas arrecadatórias dos entes federativos e R$ 10 bilhões para ações de Saúde e Assistência Social. Os repasses ocorrerão em quatro parcelas e seguem até setembro.

Confira aqui a planilha de quanto cada município de SC tem direito a receber.

Estados e municípios fora da Reforma da Previdência?

O ex-governador e atual coordenador nacional da Fundação Espaço Democrático do PSD, Raimundo Colombo, considera um erro o Congresso não incluir estados e municípios na reforma da Previdência. Segundo diz, a situação dos estados e municípios é tão grave quanto a do governo federal.

Colombo lembra que promoveu a reforma da Previdência no Estado quatro anos atrás. “Nós fizemos a parte que a lei permitia”, destaca o ex-governador, ao salientar que a alíquota dos servidores passou de 11% para 14% e foi estabelecido como teto da aposentadoria o mesmo valor pago pelo INSS.

Raimundo Colombo diz que é preciso pensar no futuro do Brasil. “É claro que dá desgaste e que vai ter mobilização contrária, mas é preciso trabalhar com a maioria. Para ele, é preciso pensar nos 13 milhões de desempregados e na crise econômica que impede o crescimento do Brasil há cinco anos.

Estados vão poder reduzir suas dívidas com a União

Raimundo indexadorO senado aprovou por unanimidade, na tarde desta quarta-feira, 5, o projeto que altera o indexador da dívida dos estados e municípios com a União.

Ele é o índice que determina a correção do valor do encargo, desde 1998, quando as dívidas foram refinanciadas.

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O que muda?

A proposta prevê a troca do indexador atual de cobrança das dívidas, que é o Índice Geral de Preços (IGP-DI) mais juros de 6% até 9%, pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mais 4% ou a taxa Selic, prevalecendo o que for menor.

Isso gera ao Estado uma economia projetada de aproximadamente R$ 5,8 bilhões até 2028.

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A opinião do Governador

Para o governador Raimundo Colombo, a medida vai desafogar a conta dos estados e dos municípios, já que o comprometimento mensal, só para o pagamento dos juros da dívida, era muito alto. “As negociações foram feitas na base do Plano Real, na realidade daquela época. Hoje os juros estavam muito acima dos praticados no mercado. Com a mudança, vamos conseguir economia e um equilíbrio maior na operação da dívida”, acredita o governador.

A redução da dívida vai representar uma economia de R$ 120 milhões por ano, no caixa do governo”. A dívida do Estado com a União é de aproximadamente R$ 23 bilhões.

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Para 2015

A renegociação da dívida do Estado com a União por meio do novo indexador, segundo Raimundo Colombo vai evitar um desembolso mensal da administração de R$ 12 milhões. O governador compara que para obter este valor líquido na receita, em um mês, o Estado teria que arrecadar, por exemplo, algo em torno de R$20 milhões.